Roma anseia pela continuidade do “imperador” Mourinho

Em sua primeira temporada na Roma, José Mourinho trouxe o primeiro título continental para a sala de troféus do clube ao vencer a Conference League, e um ano depois existe a chance de adicionar uma nova taça, a julgar que os giallorossis são finalistas da Europa League.

Pois é, o tento do jovem Edoardo Bové foi suficiente para a Roma despachar o Bayer Leverkusen no confronto de 180 minutos das semifinais da Europa League e, desta forma, avançar à decisão do torneio que será realizada no próximo dia 31, em Budapeste, contra o multi-campeão Sevilla.

Seria o efeito José Mourinho no clube da capital italiana? Sim, por mais que o futebol praticado pela Roma não encha os olhos, é inegável que os torcedores romanistas estão em êxtase com a perspectiva do time faturar o inédito título da Europa League, assim como os interistas guardam ótimas recordações da conquista da tríplice coroa na temporada 2009-10, pois o que vale no mundo da bola são os troféus.

Aliás, os diferentes estilos de Pep Guardiola e José Mourinho, dois treinadores pra lá de vitoriosos no decorrer de suas respectivas carreiras, define o enorme contraste que existe entre ambos. Seja no Barcelona, Bayern de Munique ou Manchester City, a ideia de Guardiola foi sempre a mesma: ser dominante através da posse de bola; da intensidade; e da ofensividade.

Em contrapartida, as equipes de José Mourinho se destacam pela solidez defensiva, aplicação tática, além da extrema determinação por parte dos atletas em campo, o que se confirma por meio das palavras do meio-campista Lorenzo Pellegrini ao site Four Four Two, confira:

Mourinho é um treinador que escreveu história no futebol, transformou o esporte e ainda faz de tudo para continuar vencendo – é algo que ele instiga em nós todos os dias. Ele é incrível. No último ano e meio sob o seu comando, tive uma nova sensação. Ele consegue incutir emoções dentro de você para liberar em campo.”

Lorenzo Pellegrini, jogador da Roma

Contudo, independente do modelo de jogo utilizado, a vitória é – e sempre será – o denominador comum no futebol, ou seja, não importa como você conquistará um título, somará os três pontos ao término de uma partida, ou se classificará em um duelo eliminatório, o importante é ganhar, algo que José Mourinho sabe fazer perfeitamente.

Assim, na base de sua grandeza, poder de convicção e hierarquia, José Mourinho disputará a oitava final europeia na carreira, lembrando que ele já ergueu os canecos da Champions League por Porto e Internazionale, em 2004 e 2010, da extinta Copa da UEFA à frente do Porto, em 2003, da Europa League pelo Manchester United, em 2017, e o da Conference League na temporada passada, após o triunfo por 1 a 0 da Roma sobre o Feyernoord. Não à toa, ele é chamado popularmente de The Special One.

No entanto, uma das principais virtudes de José Mourinho é trabalhar o lado emocional de jogadores e todos a sua volta, os influenciando na maioria das vezes através de frases, gestos, atitudes, e até da criação de narrativas, tanto é, que é comum escutarmos o treinador português dizer que seu time está sendo prejudicado, que são eles contra os demais, ou citar máximas como: “Somos uma família.”

Logo, quer queira ou não, a realidade é que o estilo de José Mourinho o fez ganhar fama de um novo imperador na capital já governada por Otávio Augusto, Tibério, Calígula, Nero, Vespasiano e tantos outros, tornando-o uma referência, um símbolo para os romanos torcedores da Roma, é claro. Por este motivo, a possível ida do treinador de 60 anos de idade ao PSG após o término da temporada, já vem tirando o sono dos romanistas.

Enquanto isso, José Mourinho segue focado única e exclusivamente na final da Europa League, sobretudo porque do outro lado estará o Sevilla, clube mais vezes campeão do torneio com seis títulos no currículo. Por sinal, foi esta a razão que motivou o treinador a poupar algumas de suas principais peças na partida de ontem (22) contra a Salernitana no estádio Olímpico (2 a 2).

De acordo com a mídia italiana, José Mourinho aceitou o desafio de comandar os giallorossis em 2021, com a finalidade de dar um novo salto na carreira depois de sua apagada passagem pelo Tottenham. E apesar da sexta colocação na edição anterior da Serie A, a conquista da Conference League e a consequente quebra do longo jejum de 14 anos sem títulos do clube, tornaram marcante o primeiro ano de Mourinho na Roma.

À vista disso, o título da Europa League pode render a Roma não somente a vaga direta na fase grupos da Champions League na próxima temporada, como também a possibilidade da permanência de José Mourinho no clube em virtude do aumento das receitas para investimentos em contratações neste meio de ano, o que significa que a “batalha de Budapeste” determinará a perpetuidade ou o fim do Império de Mourinho na Cidade Eterna.

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