Dia 19 de março de 2003, eis a data em que o Newcastle disputou sua última partida pela Champions League, quando o time na época comandado por Sir. Bobby Robson, e composto por nomes como Shay Given, Aaron Hughes, Kieron Dyer, Nolberto Solano, Shola Ameobi, Craig Bellamy e Alan Shearer, caiu diante do Barcelona por 2 a 0 no St James’ Park.
Mas duas décadas depois, enfim essa derrota frente o Barcelona será definitivamente apagada da memória dos Magpies, a julgar que o Newcastle confirmou seu regresso ao torneio continental em função do empate sem gols com sabor de vitória contra o Leicester, que lhe garantiu a terceira colocação na tabela da Premier League.
A propósito, o pódio conquistado na atual temporada da Premier League renderá ao Newcastle a sua melhor campanha desde o terceiro lugar da edição 2002-03 da competição, algo que só foi possível em virtude do investimento significativo do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita – liderado pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman -, tanto é, que o conjunto de Tyneside travou duríssimas batalhas contra a degola ao longo desses últimos vinte anos, inclusive sendo rebaixado duas vezes neste período (2009 e 2016).
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— Premier League (@premierleague) May 22, 2023
Na temporada passada, por exemplo, o Newcastle teve um início pra lá de complicado na Premier League, porém as circunstâncias mudaram a partir da chegada de Eddie Howe e, é claro, de todo o aporte financeiro do governo saudita. Consequentemente, os antes candidatos ao rebaixamento terminaram o campeonato na 11ª posição.
Ainda assim, ao contrário do que era esperado, o Newcastle não jorrou dinheiro em contratações nesta temporada, sendo somente o sexto clube que mais investiu na Premier League – atrás de Chelsea, Manchester United, Nottingham Forest, West Ham e Arsenal, respectivamente -, tendo gasto o total de 185,3 milhões de euros e, detalhe, não trazendo nenhuma grande estrela do futebol mundial.
Pois é, e passadas 37 rodadas da Premier League, e um doloroso vice-título da Copa da Liga no meio do percurso, o Newcastle, de Eddie Howe, e dos operários Nick Pope, Kieran Trippier, Sven Botman, Fabian Schar, Dan Burn, Sean Longstaff, Jacob Murphy, Callum Wilson, Alexander Isak, além dos brasileiros Bruno Guimarães e Joelinton, foi merecidamente coroado com a classificação à Champions League.
Não imaginávamos ficar entre os quatro primeiros colocados. É lógico que você sempre espera, sempre acredita e tem que sonhar, mas não sentimos que estávamos prontos para isso. Depois da batalha da última temporada contra o rebaixamento, a questão era se poderíamos nos consolidar e nos tornar um time melhor.
Eddie Howe, treinador do Newcastle
Aliás, a vaga no G-4 da Premier League também é um indicativo de que o Newcastle passará a olhar pra cima na tabela do campeonato, o que significa que a nova realidade dos Magpies é a de medir forças com Manchester City, Liverpool, Manchester United Chelsea e Arsenal, na corrida pelo título inglês.
À vista disso, é necessária uma discussão dos organizadores da Premier League sobre a expansão do bloco Big Six para Big Seven no futuro próximo, ou então a exclusão do Tottenham e a entrada do Newcastle neste seleto grupo, também considerando o fato de que o faturamento do clube do noroeste da Inglaterra, que já foi maior em comparação a alguns destes oponentes na temporada 2022-23, aumentará ainda mais através da Champions League.

O último torneio europeu disputado pelo Newcastle foi a Europa League, na temporada 2011-12, sob a batuta de Alan Pardew.
E com a Champions League por vir, a expectativa é a de que o Newcastle invista pesado em reforços neste meio de ano, sobretudo porque o técnico Eddie Howe deixou clara a intenção de ter dois times competitivos à disposição, quer dizer, titulares e reservas à altura para competir em todas as frentes na próxima temporada.
O planejamento inicial de Eddie Howe previa reforçar o elenco através das vindas de um lateral-esquerdo, um zagueiro destro, dois meio-campistas e dois atacantes. Entretanto, como o projeto do Newcastle de disputar a Champions League foi acelerado, a tendência é que tenhamos um mercado pra lá de agitado no St James’ Park.
Não por acaso, o nome de Cristiano Ronaldo passou a ser especulado nos últimos dias devido a existência de uma cláusula no contrato do craque português junto ao Al-Nassr, que viabiliza sua transferência ao Newcastle sem custos no caso da qualificação do clube inglês à Champions League, o que acabou realmente se confirmando.
Em contrapartida, essas notícias não passam de rumores. Decerto, mesmo, é que a diretoria do Newcastle visa não cometer o erro do Chelsea que, recentemente, gastou mundos e fundos sem nenhum tipo de critério e, no final das contas, sofreu até com a falta de armários para tantos jogadores contratados.
Além disso, Eddie Howe já afirmou que o Newcastle não planeja trazer atletas renomados, afim de evitar problemas no vestiário, o que afasta por completo a possibilidade de eventuais investidas em Kylian Mbappé, Neymar, e no próprio Cristiano Ronaldo, afinal, a chegada de “prima-donas” poderia interferir na cultura de “todos juntos, e de coração”, cultivada pelos Magpies.
De qualquer maneira, o mais importante de tudo é que o Newcastle está de volta aos holofotes do futebol europeu, e com Eddie Howe tendo a grande oportunidade de se perpetuar na história do clube ao lado de Kevin Keegan e Sir Bobby Robson. E o primeiro passo pra isso, ele já deu!