A página mais triste da história da Sampdoria foi escrita com a inédita queda à Serie C

Tradicionalmente, o número 13 é associado a algo negativo ou que indica um mau presságio em várias culturas ocidentais, vide o exemplo da “sexta-feira 13”. Contudo, se isso faz sentido ou não depende de cada um, mas é certo que para a Sampdoria essa crença se fez valer através do capítulo mais obscuro desde a sua fundação em 1946, em função do inédito rebaixamento à Serie C.

E como não poderia deixar de ser, o desfecho deste verdadeiro pesadelo vivido pela Sampdoria, que se tornou realidade justamente no dia 13 de maio de 2025, veio através de um melancólico empate sem gols contra a Juve Stabia no estádio di Castellammare di Stabia, que empurrou os Blucerchiati à 18ª posição da Serie B, isto é, a primeira dentre as três que rebaixam de forma automática na tabela.  

Consequentemente, a Sampdoria se juntou ao penúltimo colocado, Citadella, e ao lanterna, Cosenza, migrando diretamente à Serie C sem conseguir nem ao menos disputar a repescagem contra o descenso, em virtude dos míseros 41 pontos conquistados nas 38 rodadas disputadas na Serie B (8V-17E-13D), que resultaram na terceira pior campanha do torneio e num baixíssimo índice de 36% de aproveitamento.

Em todo o caso, a queda da Samp é decorrente das péssimas gestões tanto do presidente Matteo Manfredi, quanto do proprietário Joseph Tey, e se retrata através dos QUATRO treinadores que passaram pelo clube no decorrer da temporada 2024-25, como foram os casos de Andrea Pirlo, Andrea Sottil, Leonardo Semplici, além do atual comandante Alberico Evani, cujos desempenhos você pode conferir na tabela abaixo, lembrando que os dados abrangem todas as competições:

TreinadorJogosV-E-DGols M-SAprov.
Andrea Pirlo40-2-25-716%
Andrea Sottil144-5-518-2240%
Leonardo Semplici172-9-614-2329%
Alberico Evani62-3-14-350%

Aliás, é importante destacar que a Sampdoria iniciou a temporada repleta de expectativas, intensificadas com a chegada do novo diretor-esportivo Pietro Accardi, considerado um dos grandes nomes da função no futebol italiano. Além disso, as contratações dos atacantes Massimo Coda, Gennaro Tutino e M’Baye Niang sinalizavam que o objetivo principal do quarto clube que mais investiu em reforços na Serie B era realmente o acesso.

Deste modo, fica evidente que essa temporada terminou de maneira completamente oposta ao esperado, e até em comparação a anterior quando a Sampdoria chegou a disputar os playoffs de acesso sob o comando de Andrea Pirlo. Inclusive, naquela oportunidade o ex-jogador da Juventus foi apontado pela diretoria como peça fundamental do projeto esportivo do clube, o que não se sustentou em meio a sua precoce saída após a derrota por 3 a 2 diante da Salernitana na 3ª rodada da Serie B.

Posteriormente, o sucessor de Andrea Pirlo, Andrea Sottil, também não resistiu a pressão gerada pela sucessão de maus resultados ao ter conquistado somente 4 vitórias em 14 partidas, e foi demitido em dezembro de 2024, deixando como única marca a vitória sobre o rival Genoa, nas penalidades, no primeiro Derby della Lanterna disputado depois de dois anos, válido pela 2ª Fase da Coppa Italia.

Contudo, o terceiro treinador da Sampdoria na temporada 2024-25 foi outro que não foi capaz de solucionar os problemas da equipe que ocupava o 16º lugar da Serie B. Não à toa, a passagem de Leonardo Semplici por Gênova durou pouco mais de três meses. Por sinal, quase acabando tragicamente com o ônibus da Samp atingido por pedras e sinalizadores, em razão do revés por 3 a 0 frente o Frosinone em pleno estádio Luigi Ferraris.

À vista disso, restou a Alberico Evani a dificílima missão de salvar a Sampdoria do rebaixamento nas últimas seis rodadas da Serie B, curiosamente, sob o auxílio do treinador campeão da Eurocopa em 2021 pela Itália, Roberto Mancini, que trabalhou em prol do clube do coração de modo não oficial como diretor-técnico, em conjunto ao ídolo dos Blucerchiati, Attilio Lombardo, assistente à beira do campo.

A propósito, o triunfo pelo placar mínimo sobre o Citadella logo no jogo de estreia de Alberico Evani, alimentou as esperanças de que a batalha contra a degola seria ganha com as lendárias figuras do clube em ação. Entretanto, por mais que os resultados até tenham melhorado com outros três empates, uma vitória e somente uma derrota, a Sampdoria não foi capaz de evitar o pior, três décadas após a conquista do scudetto italiano.

Vale ressaltar que o duríssimo golpe sofrido pela Sampdoria fez com que a delegação do clube retornasse da Campânia apenas na manhã desta quarta-feira (14), de ônibus, depois de um vôo direto rumo ao aeroporto de Malpensa, em Milão. Obviamente, a cidade de Gênova se dividiu com torcerdoes do Genoa festejando nas ruas, enquanto os Blucerchiati manisfestavam a profunda dor sentida através das redes sociais, onde até alguns ex-jogadores como Giuseppe Dossena, Juan Sebastián Verón e Éder se pronunciaram.

Campeã italiana em 1991 e vice-europeia em 1992, a Sampdoria viveu o seu auge no final dos anos 80 e início dos 90, época em que ligávamos a televisão nos nossos almoços de domingo na casa da avó para assistir os craques Toninho Cerezo, Ruud Gullit, Gianluca Vialli, Gianluca Pagliuca, David Platt, Clarence Seedorf, Vincenzo Montella, bem como os já mencionados Attilio Lombardo e Roberto Mancini, brilhando com a camisa da Samp no maior campeonato da ocasião.

Por este motivo, diante da rica história composta por títulos, finais marcantes, grandes clássicos e jogadores renomados, o primeiro rebaixamento da Sampdoria à Serie C em 78 anos é uma triste e surpreendente página na história do clube, ainda que o sentimento da torcida siga o mesmo, a julgar pela postagem do cantor Olly, recente ganhador do Festival de Sanremo, no Instagram: “Você esteve ao meu lado e eu continuarei ao seu. Forza Sampdoria.”

Isto posto, que uma nova história comece a ser escrita pela Sampdoria a partir da próxima temporada, a fim de deixar no passado as dolorosas páginas do presente que não lhe competem!

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