Agora é oficial: Carlo Ancelotti será o sucessor de Dorival Júnior na Seleção Brasileira, que deste modo terá um treinador estrangeiro no comando pela quarta vez na história, sendo a primeira desde Filpo Nuñez em 1965.
Sim, a novela envolvendo a Seleção Brasileira e Carlo Ancelotti chegou ao fim, aliás, uma verdadeira série composta por várias temporadas já que a primeira aproximação do presidente da CBF, Edinaldo Rodrigues, junto ao treinador do Real Madrid ocorreu há dois anos, e em meio as frustradas tentativas para contratá-lo os pentacampeões mundiais foram comandados por Ramón Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior.
No entanto, a pífia campanha na Copa América e nas Eliminatórias resultou na demissão de Dorival Júnior após 16 partidas à frente do Brasil. Ao mesmo tempo, a temporada aquém das expectativas do Real Madrid, marcada pelas quedas na final da Copa do Rei e nas quartas-de-final da Champions League, além do vice-título espanhol devido a quarta derrota no quarto El Clásico disputado no período, provocará o adeus de Carlo Ancelotti, ainda que com o vínculo contratual válido até junho de 2026.
Logo, a realidade é que os astros acabaram conspirando a favor da Seleção Brasileira, apesar de tantas bobagens cometidas por Ednaldo Rodrigues ao longo deste ciclo de quatro anos rumo à Copa do Mundo de 2026, desde as escolhas dos nomes para dirigir os Canarinhos até ao vazamento das negociações com o técnico Carlo Ancelotti, o sonho de consumo do mandatário da CBF, que realizará o primeiro trabalho internacional na carreira.
A maior Seleção da história do futebol agora será liderada pelo técnico mais vitorioso do mundo. Carlo Ancelotti, sinônimo de conquistas históricas, foi anunciado nesta segunda-feira (12) pelo presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, como o novo técnico da Seleção Brasileira. Ele… pic.twitter.com/grw3Rb1BmL
— CBF Futebol (@CBF_Futebol) May 12, 2025
Vale ressaltar que o anúncio unilateral, ou seja, apenas por parte da CBF — conforme você pode conferir acima, na nota publicada pela própria entidade —, ainda despertava incertezas na opinião pública tupiniquim depois de tantos fracassos nas tratativas anteriores, algo oriundo, é claro, da falta de credibilidade da CBF. Por isso, a notícia só foi realmente consumada quando Carlo Ancelotti afirmou que assumirá a Seleção Brasileira a partir do próximo dia 26, embora o Real Madrid não tenha se manifestado até o momento da postagem deste artigo.
Seja como for, enfim o Brasil terá um técnico, a propósito, certamente o melhor dentre os treinadores de seleções, vide o currículo de Carlo Ancelotti, preenchido por dezenas de títulos, dentre eles, CINCO taças da Champions League, o que ao menos retrata que o tempo perdido pela Seleção Brasileira valeu a pena, sobretudo considerando as lastimáveis — para não baixar o nível — passagens dos sucessores de Tite.
| Treinador | Jogos | V-E-D | Gols M-S | Aprov. |
| Ramón Menezes | 3 | 1-0-2 | 7-7 | 33% |
| Fernando Diniz | 6 | 2-1-3 | 8-7 | 38% |
| Dorival Júnior | 16 | 7-7-2 | 25-17 | 58% |
| Total | 25 | 10-8-7 | 40-31 | 50% |
Ainda assim, mesmo com a vasta experiência no futebol, pesará contra Carlo Ancelotti o curtíssimo tempo que separa a Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026, visto que estamos a pouco mais de um ano do início do Mundial, o que significa que Carlo Ancelotti terá somente dez partidas para definir a o grupo que vestirá a Amarelinha na batalha pelo hexa na América do Norte.
Como resultado, acredito que Carlo Ancelotti chamará um número maior de atletas até a Copa de 2026, não se resumindo a 23 mas a 30 convocados por Data Fifa a fim de testar e observar mais jogadores. Por sinal, quem voltará a ganhar espaço na Seleção Brasileira é o volante Casemiro, que criou uma relação de extrema confiança com o treinador italiano no Real Madrid, onde era peça fundamental no meio-campo ao lado de Toni Kroos e Luka Modric.
Não à toa, de acordo com alguns sites europeus, Carlo Ancelotti já teria feito uma ligação para conversar com Casemiro, que atravessa uma excelente fase no Manchester United, além de Neymar, o que se subentende que o camisa 10 está nos planos do futuro técnico da Seleção Brasileira. Resta saber quais serão as condições físicas do craque santista.
Decerto, os jogadores que Carlo Ancelotti mais conhece ou conviveu deverão representar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, como são os casos dos madridistas Vinícius Júnior, Rodrygo, Éder Militão e Endrick, além de alguns atletas com os quais ele trabalhou em outros clubes, como foi o caso de Richarlison, que viveu a melhor fase da carreira sob a sua liderança no Everton.

Dentre os jogadores em atividade no mundo da bola, Rodrygo é o mais utilizado por Carlo Ancelotti contabilizando o montante de 208 partidas e 59 gols.
Seja como for, a favor dos Canarinhos está o fato de que eles terão um dos melhores treinadores do mundo na atualidade, o que torna pra lá de injusto compará-lo a qualquer técnico brasileiro, todos perdendo espaço até mesmo no mercado nacional em razão da dinâmica de total sobrevivência, onde o que importa é sustentar o emprego. Como efeito, vemos jogos horrorosos, pobres taticamente, e marcados por jogadores fazendo cera para garantir vitórias mínimas.
Isto posto, a verdade é que no Brasil o que importa é ganhar, ninguém está preocupado em como tornar o jogo melhor, ou em como fazer um time praticar um bom futebol, desarmar as munições do adversário e impor as suas forças. Não, basicamente o que acompanhamos são times recuados, dando chutões para o atacante resolver no ataque, e explorando bolas paradas, pênaltis por vezes inexistentes e assinalados pela incompetência da arbitragem, além de laterais longos.
Em resumo, essa é a cultura e o futebol que se joga no Brasil. Inclusive, eis os motivos que me levaram a descartar qualquer possibilidade de acompanhar o esporte no País, até porque o praticado na Europa é outro. À vista disso, a expectativa é a de que Carlo Ancelotti reproduza o que há de melhor na Seleção Brasileira, da mesma maneira que Jorge Jesus, com o Flamengo, em 2019.

Carlo Ancelotti será o 36º treinador da Seleção Brasileira, uma contagem que não inclui os 19 interinos que já a comandaram até então.
Outro detalhe não menos relevante é o referente a forte identificação de Carlo Ancelotti com o futebol brasileiro, vide o excessivo número de craques que já trabalharam com ele até hoje, a exemplo de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Kaká, Cafu, Serginho, Alexandre Pato, Dida, Ricardo Oliveira, Roque Júnior, Marcelo, Belletti, Ramires, Rafinha, Nenê, e sem contar os atuais do Real Madrid, bem como Casemiro.
Dentro das quatro linhas, é bastante provável que a Seleção Brasileira atue no 4-4-2, levando em conta tanto o histórico quanto as preferências de Carlo Ancelotti, que vem elogiando de forma constante essa formação tática que também pode variar para um 4-3-3 ou 4-2-3-1, o que evidencia que, certamente, os Canarinhos não jogarão com três zagueiros, lembrando que estes foram os esquemas usados por Ancelotti nos seus melhores times.
Por fim, muitas pessoas questionam a ideia de um treinador estrangeiro na Seleção Brasileira, uma condição compreensível pra quem jamais viu um técnico de outro país efetivado no cargo em quase 110 anos de existência. Todavia, qualquer dúvida cai por terra com as perspectivas da Amarelinha, que mudaram completamente com a vinda de Carlo Ancelotti, a ponto do até outrora, incongruente sonho do hexa, voltar a se tornar realidade.
Portanto, dentre erros, erros e mais erros, a CBF acertou em cheio ao escolher o melhor comandante para assumir o navio que estava totalmente à deriva!