Dinheiro, um elenco repleto de jovens craques, além de um treinador campeão. Pois é, o Chelsea tem tudo o que qualquer clube do mundo da bola gostaria, e agora com confiança os Blues reassumiram o protagonismo perdido e jamais visto desde 2022, sob a gestão de Todd Boehly.
Vale ressaltar que o Chelsea desembarcou em solo norte-americano para a disputa da Copa do Mundo de Clubes três semanas após vencer a Conference League, considerada a terceira divisão de clubes da Europa, e de terminar a Premier League na quarta colocação da tabela separado a 15 pontos do campeão, Liverpool. Em outras palavras, depois de uma temporada meramente razoável no certame do futebol europeu.
Ainda assim, um desempenho elogiável levando em conta que tratava-se da primeira temporada de Enzo Maresca no clube do oeste de Londres. Por sinal, o treinador italiano, então campeão da Championship League à frente do Leicester, já chegou ao Stamford Bridge tendo a ingrata missão de esvaziar o vestiário composto por quase cinquenta atletas. Não à toa, faltavam armários para alguns deles, conforme citado pelo ex-capitão Thiago Silva.
Logo, a realidade é que o sucessor de Mauricio Pochettino teve que, ao pé da letra, arrumar a enorme bagunça que se encontrava o Chelsea, sobretudo em função das diversas contratações de jovens promessas feitas pela diretoria. Como resultado, os comandados de Enzo Maresca oscilaram bastante ao longo da temporada passada, ao iniciá-la muito bem, caindo de rendimento em 2025, mas retomando o caminho das vitórias na reta final. Aliás, uma reação preponderante e crucial para a conquista da vaga no G-4 da Premier League.
De qualquer maneira, uma condição natural em se tratando de um jovem plantel, cuja média de idade era de 22,5 anos, a mais baixa da Premier League. Inclusive, Cole Palmer serve perfeitamente como parâmetro para exemplificar isso, tendo em vista que o meia inglês encerrou o primeiro semestre da temporada registrando uma incrível taxa de 0,8 participação em gols por partida, e na segunda metade concedeu míseras cinco assistências, e balançou as redes em três oportunidades.

Cole Palmer despertou novamente na temporada na decisão da Conference League diante do Betis, a julgar pelas duas assistências dadas na goleada por 4 a 1.
Seja como for, o Chelsea ainda teria pela frente a última página da atípica temporada 2024-25 para escrever nos Estados Unidos, no caso a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes, encarada inicialmente pelos Blues como um verdadeiro fardo, vide as constantes reclamações do técnico Enzo Maresca no que diz respeito ao calor, as longas pausas por conta de raios, além do excessivo número de jogos no calendário.
De qualquer maneira, após uma campanha pra lá de morna na fase de grupos, que incluiu a acachapante derrota por 3 a 1 frente o Flamengo, é correto afirmar que o Chelsea “estreou” no Mundial na prorrogação do confronto contra o Benfica nas oitavas-de-final, ao marcar três gols no tempo extra. Em seguida, os Blues não tomaram conhecimento dos brasileiros Palmeiras e Fluminense no caminho rumo à decisão em New Jersey.
Contudo, como o oponente na final era ninguém menos que o Paris Saint-Germain, apontado como principal favorito ao título em meio aos 16 gols marcados e apenas um sofrido nos seis jogos disputados pela competição até então, além da recente conquista da Champions League. A propósito, o famoso supercomputador da Opta Analyst sinalizava os franceses com 64% de chances de serem campeões, mediante 36% por parte dos ingleses.
No entanto, o grande erro do supercomputador foi, certamente, desconsiderar o histórico do Chelsea como zebra em grandes decisões, haja vista os triunfos sobre o Bayern de Munique em plena Allianz Arena na conquista do primeiro título europeu em 2012, e sobre o Manchester City no bicampeonato da Champions League nove anos mais tarde, no estádio do Dragão.
Opta make PSG clear favourites to lift the Club World Cup 🌎🏆🔢 pic.twitter.com/UcLFbywjiC
— LiveScore (@livescore) July 11, 2025
E junto deste retrospecto, também havia o dilema do ex-treinador do Botafogo, Renato Paiva: “o cemitério do futebol está cheio de favoritos”. À vista disso, o morto da vez foi o Paris Saint-Germain, literalmente enterrado pelo Chelsea em somente 45 minutos, tanto é que os londrinos saíram ao intervalo vencendo a decisão por 3 a 0, com dois gols de Cole Palmer e outro de João Pedro.
Sim, o feitiço virou contra o feiticeiro pois o PSG, que tem por característica resolver as partidas logo no primeiro tempo, deu adeus as chances de título logo na etapa inicial. E o antídoto usado pelo Chelsea para liquidá-lo de forma tão rápida foi, primeiramente, tomar o bem mais dos parisienses, a bola. Para se ter uma ideia, os Blues acabaram o primeiro tempo registrando 70% de posse, dominando as ações do jogo através de curtas trocas de passes ou bolas longas nas costas dos laterais Achraf Hakimi e Nuno Mendes.
Sabendo da forte marcação alta, dos incessantes avanços de Achraf Hakimi e Nuno Mendes, além das sequentes mudanças de posições dos jogadores do PSG, Enzo Maresca anulou as jogadas pelos lados do campo com as dobras de Malo Gusto e Reece James pela direita, e Marc Cucurella e Pedro Neto pela esquerda. É importante destacar que o Chelsea atraiu os campeões europeus em diversas ocasiões ao recuar a bola para o goleiro Robert Sánchez, a fim de quebrar a primeira linha adversária, seja com lançamentos em profundidade, seja por intermédio de rápidas trocas de passes.
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— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 13, 2025
Final do 1º tempo de 🏴 Chelsea 3-0 PSG 🇫🇷! 🔥🔥
⚽️⚽️ Cole Palmer
⚽️ João Pedro
O que estão achando do jogo? 🤔🤔
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Por esta razão, os papéis defensivos e ofensivos de Reece James e Pedro Neto foram fundamentais para o êxito do Chelsea que, para superar Paris Saint-Germain, precisaria: correr mais em campo; inibir taticamente o jogo do oponente; e atacar de forma acertada. No final das contas, tudo aquilo que os Blues fizeram de modo magistral e, de quebra, provaram que existe uma fórmula, uma receita ou um remédio, capaz de deter o poderoso PSG.
Seria injusto não citar João Pedro como um dos principais responsáveis pela inédita conquista do Chelsea, afinal a equipe mudou radicalmente a partir da chegada do atacante brasileiro na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras. Muitos criticam a FIFA por permitir com que os clubes inscrevessem atletas no meio da competição, e a contratação do ex-jogador do Brighton provou que isso fez mesmo a diferença.
Se essa regra é certa ou não — eu acho inadequada —, é outro assunto já que o Chelsea acertou em cheio ao se beneficiar do regulamento trazendo João Pedro, que passa a impressão de defender as cores do Blues há tempos, dado o encaixe tão natural. A qualidade do atacante de 23 anos de idade é conhecida desde as ótimas passagens por Watford e Brighton. Todavia, resta saber se ele conseguirá manter uma regularidade em virtude do histórico de lesões.
Além de João Pedro, Cole Palmer expôs mais uma vez que quando atua bem o Chelsea também joga. Foi assim no decorrer de toda a temporada, e com o camisa 10 brilhando na fase final da Copa do Mundo de Clubes, a caminhada dos ingleses até o título ficou menos tortuosa. Soma-se a isso, o fortíssimo meio-campo formado por Moisés Caicedo e Enzo Fernández, o polivalente Reece James, o incansável Marc Cucurella — pra mim, um dos melhores laterais-esquerdo do mundo —, e o infernal ponta Pedro Neto, que ainda terá Estevão como companheiro no extremo oposto.
Em todo o caso, é primordial que o Chelsea utilize essa janela de transferências — na qual já foram gastos 243 milhões de euros — para reforçar o setor defensivo, que ainda precisa de um zagueiro além do recém-contratado, Mamadou Sarr, e de um goleiro confiável, uma vez que Robert Sánchez demonstrou não ter potencial para vestir a camisa do clube, lembrando que o Barcelona está sedento para negociar o ótimo Marc-André ter Stegen.
Para todos os efeitos, é óbvio que a Copa do Mundo de Clubes não serve como referência para determinar o sucesso do Chelsea na próxima temporada, mas que a conquista do Mundial, acima de tudo atropelando o PSG, reacendeu as esperanças pelos lados do Stamford Bridge, isso é fato!
2 Comentários
Bom texto exceto omitir sucesso mundial clubes importância do título 1o campeão mundial Fifa.
Final memorável troféu obra arte grande final vista mundo inteiro.
Esta copa definitivamente vai fazer sombra copa seleções .
Paixão clubistica mais forte .
Obrigado pelo comentário, Pedro.