O vermelho voltou a brilhar mais forte em terras lusitanas

A vitória pelo placar mínimo sobre o Fenerbahce no estádio da Luz, rendeu a 15ª qualificação do Benfica à temporada regular da Champions League nas últimas 16 edições do torneio continental.

A propósito, um merecido triunfo comemorado por mais de 64 mil benfiquistas que lotaram o estádio da Luz, dada a enorme tensão em torno do Benfica mesmo depois do empate sem gols no jogo de ida em Istambul, no qual os pupilos de Bruno Lage precisaram atuar com um jogador a menos durante 35 minutos devido a expulsão de Florentino, lembrando que no estágio pré-eliminatório anterior eles já haviam superado o Nice, com duas contundentes vitórias por 2 a 0.

No entanto, a realidade é que o resultado ficou de bom tamanho ao Fenerbahce, tendo em vista os dois gols anulados dos Encarnados, sendo o segundo deles — feito por Leandro Barreiro — bastante discutível, além das duas grandes oportunidades desperdiçadas ainda no primeiro tempo, marcado tanto pelo tento de Kerem Akturkoglu quanto pelo amplo domínio por parte do Benfica que, na etapa final, até diminuiu a alta intensidade, porém sem perder o controle do jogo em nenhum momento, tanto é que o goleiro Anatoliy Trubin não realizou nenhuma defesa ao longo dos noventa minutos.

Consequentemente, o Benfica não apenas avançou à fase de liga da Champions League, como também receberá o montante de 18,6 milhões de euros pagos pela UEFA para os 36 participantes da competição, algo que pode resultar na chegada de mais reforços na Luz mediante ao aumento do limite orçamentário do clube português nesses últimos dias da janela de transferências.

Apesar das saídas de importantes peças como Ángel Di María, Álvaro Carreras e Orkun Kokçu, o Benfica se fortaleceu com as vindas de Amar Dedic, Richard Ríos, Enzo Barrenechea e Franjo Ivanovic. Não à toa, os Encarnados permanecem invictos até aqui na temporada colecionando seis vitórias e um empate em sete partidas disputadas, período em que eles balançaram as redes dez vezes e ainda não foram vazados.

A propósito, é importante destacar que um destes jogos, mais especificamente o primeiro da temporada 2025-26, terminou com a conquista da décima Supertaça de Portugal benfiquista em virtude da vitória por 1 a 0 sobre o rival Sporting no estádio Algarve, que inclusive encerrou o longo jejum de um ano e sete meses, ou sete clássicos do Benfica sem vencer os atuais bicampeões portugueses.

Seja como for, a evolução do Benfica deve-se, principalmente, a solidez defensiva da equipe que já quebrou o recorde do próprio clube ao não sofrer gols nos sete primeiros compromissos de uma nova temporada, o que é oriundo do crescimento de Antônio Silva, que retomou a ótima fase atuando ao lado de Nicolás Otamendi, além da chegada de Richard Ríos, pois embora questionado por alguns torcedores benfiquistas por não contribuir tanto na fase ofensiva, sem a bola ele vem atendendo as expectativas através da forte proteção à defesa.

Ao mesmo tempo, o também recém-contratado Enzo Barrenechea foi outro que se encaixou perfeitamente no sistema de jogo de Bruno Lage, já que ao contrário de Richard Ríos o meio-campista argentino desempenha um papel ainda mais produtivo ao ajudar na marcação e na criação, chegando constantemente ao ataque, por vezes atuando como meia. No duelo contra o Fenerbahce, foi possível vê-lo jogando junto de Leandro Barreiro em diversas ocasiões.

Ademais, vale ressaltar que o impacto causado pela contratação de Amar Dedic, ao menos inicialmente não poderia ter sido melhor, a julgar pelos atributos defensivos do lateral bósnio, somados a sua qualidade no apoio ao ataque, eventualmente fazendo a diagonal e construindo o jogo por dentro. Aliás, isso explica porque a força do lado direito do Benfica se intensificou com a dobra entre Fredrick Aursnes e o ex-jogador do RB Salzburg.

Em contrapartida, o setor ofensivo ainda destoa em comparação ao defensivo, vide o menor número de gols marcados pelo Benfica no recorte dos sete primeiros jogos desde a temporada 2010-11. Contudo, essa média certamente subirá assim que os Encarnados ganharem maior entrosamento, e acima de tudo depois que o treinador Bruno Lage definir se utilizará uma formação com Vangelis Pavlidis atuando sozinho como referência no ataque, ou então compondo uma dupla com Franjo Ivanovic, sem a presença de pontas.

Em todo o caso, o fato do Benfica ter reforçado a sólida base da última temporada, cujos pilares são o goleiro Anatoliy Trubin, os defensores Antônio Silva e Nicolás Otamendi, o meia Fredrick Aursnes, e o atacante Vangelis Pavlidis, além de ter mantido Bruno Lage no cargo em meio a gigante pressão por uma troca às vésperas das eleições presidenciais do clube no próximo mês de outubro, já começou a gerar os primeiros bons frutos pelos lados da Luz, a exemplo do título da Supertaça de Portugal, e da conquista da vaga na fase de liga da Champions League.

Como resultado, Bruno Lage conseguiu amenizar a pressão que o assolava para dar sequência ao trabalho que teve início em setembro do ano passado, quando ele desembarcou na Luz para suceder Roger Schmidt depois do trágico fim de ciclo do treinador alemão, e ainda assim conduziu o Benfica a intensa batalha travada diante do Sporting na Liga Portugal, perdida somente na última rodada do campeonato.

Portanto, é inegável que o vermelho voltou a brilhar mais forte em terras lusitanas nesta temporada.

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