Termina a passagem relâmpago de Erik ten Hag por Leverkusen

Passados dois meses, ou míseros três jogos, e a passagem de Erik ten Hag pela Alemanha chegou ao fim, tendo em vista que o Bayer Leverkusen confirmou oficialmente a demissão do treinador holandês na manhã desta segunda-feira (01).

É inegável que o desafio de Erik ten Hag era enorme ao assumir o Bayer Leverkusen, a começar pela ingrata missão de substituir de Xabi Alonso, campeão da tríplice coroa alemã, marcada pela inédita conquista da Bundesliga na temporada retrasada. Além disso, os Werkself sofreram um verdadeiro desmanche neste meio de ano, a julgar pelas transferências de Florian Wirtz, Jeremie Frimpong, Granit Xhaka, Jonathan Tah, além de Lukas Hradecky e Amine Adli.

Por outro lado, mais de 170 milhões de euros foram desembolsados nas contratações de Malik Tillman, Jarell Quansah, Ernest Poku, Loïc Badé, Eliesse Ben Seghir, Ibrahim Maza, Lucas Vázquez e Mark Flekken. Deste modo, Erik ten Hag desembarcou em solo alemão precisando liderar a reconstrução do Bayer Leverkusen em meio a recente imagem do futebol envolvente e ofensivo praticado sob o comando do antecessor Xabi Alonso, somada as saídas de importantes peças do elenco.

Vale ressaltar ainda, que a desconfiança por parte da opinião pública era outro obstáculo a ser superado por Erik ten Hag no Bayer Leverkusen em função do trabalho bastante aquém das expectativas realizado pelo treinador de 55 anos de idade à frente do Manchester United, simbolizado pela 8ª colocação na Premier League em sua segunda temporada no Old Trafford, isto é, a pior campanha dos Red Devils na competição, superada em seguida pelo mais recente 15º lugar com Ruben Amorim à beira do gramado.

Todavia, por pior que fosse o cenário nem o mais pessimista dos torcedores do Bayer Leverkusen imaginava que a trajetória de Erik ten Hag pelo clube terminaria após o encerramento da 2ª rodada da Bundesliga, em que os Werkself empataram em 3 a 3 com o Werder Bremen depois de estarem vencendo por 3 a 1 até os 31 minutos da etapa final com um jogador a mais em campo, lembrando que na estreia do campeonato eles haviam sido derrotados pelo Hoffenheim por 2 a 1, de virada, em plena BayArena.

No entanto, é importante salientar que os problemas envolvendo Erik ten Hag e o Bayer Leverkusen tiveram início antes mesmo da bola rolar na Bundesliga, mais espeficamente na pré-temporada quando o diretor-esportivo Simon Rolfes notou uma certa falsidade do sucessor de Xabi Alonso, primeiro ao pedir a antecipação do jogo amistoso contra o time sub-21 do Flamengo, no Rio de Janeiro, e depois da derrota ele responsabilizar a mudança na data da partida pelo revés.

Em seguida, veio o consentimento interno entre treinador e direção no que diz respeito a ida de Granit Xhaka ao Sunderland, algo que não foi visto publicamente com Erik ten Hag questionando o Bayer Leverkusen por conta da transferência do então capitão do time. Soma-se a isso, o fato do péssimo trato do ex-treinador do Manchester United junto aos jogadores, a ponto de inexistir qualquer tipo de diálogo até mesmo nas vésperas das partidas, isto é, um comportamento diferente ao que o grupo estava acostumado com Xabi Alonso.

Assim, antes mesmo do primeiro jogo da temporada que terminou com a goleada por 4 a 0 sobre o modesto Sonnenhof Grossaspach, da quarta divisão alemã, pela DFB Pokal, o Bayer Leverkusen já estava decidido a demitir Erik ten Hag por perceber que não haveriam condições de alcançar os objetivos estabelecidos com ele no cargo. Entretanto, a ideia foi esperar a chegada da Data FIFA para confirmar o rompimento do seu contrato — válido até 2027 — apenas 62 dias depois da assinatura, querendo ou não, uma confissão do erro em contratá-lo.

Em todo o caso, ao menos o Bayer Leverkusen acertou ao corrigir rapidamente a rota sem que a situação do clube se agravasse, pois embora os Werkself tenham finalizado a 2ª rodada da Bundesliga contabilizando 1 ponto na 12ª posição da tabela, ainda existe tempo suficiente para um novo treinador chegar e mudar o rumo da temporada, tanto é que eles nem estrearam na Champions League.

Isto posto, a intenção do Bayer Leverkusen é anunciar o nome de um novo treinador o quanto antes para que ele tenha o máximo de dias possíveis pra preparar o time até o jogo frente o Eintracht Frankfurt na BayArena, no próximo dia 13. Em contrapartida, o clube promete prudência a fim de não repetir o equívoco cometido após a saída de Xabi Alonso, já que naquela oportunidade a principal opção era Cesc Fàbregas, mas com a negativa do Como, as conversas dos alemães se intensificaram junto a Erik ten Hag pela pressão de escolher logo um técnico.

A propósito, de acordo com o jornal Bild, a lista de potenciais treinadores do Bayer Leverkusen inclui Xavi Hernández, além dos ex-comandantes do Borussia Dortmund, Marco Rose e Edin Terzic. Seja como for, independente da escolha será necessária muita paciência para que um novo trabalho seja desenvolvido em Leverkusen, visto que a química da equipe, renovada mediante a tantas chegadas e saídas, só é adquirida com o decorrer dos jogos. Quer dizer, existe um longo processo até lá.

Portanto, longe de querer defender o trabalho de Erik ten Hag, é fato que uma posição no G-4 da Bundesliga, aliada a uma vaga nos playoffs de repescagem da Champions League, já estaria de bom tamanho ao Bayer Leverkusen nesta primeira temporada pós-Xabi Alonso. Contudo, tanto o CEO Fernando Carro, quanto o diretor Simon Rolfes, acreditam que o caminho dos títulos ainda é o ideal ao clube, ou seja, uma tarefa impossível para qualquer treinador.

Pois é, se as dificuldades que o Bayer Leverkusen enfrentaria já eram reconhecidas antes do início da temporada, na prática elas somente se converteram à realidade.

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