Ainda é cedo, sim, são apenas três meses de Gian Piero Gasperini na capital italiana, mas apesar do pouquissímo tempo de trabalho já é possível notar tanto a evolução, como o quão promissor o futuro da Roma se apresenta sob o comando do ex-treinador da Atalanta.
E pensar que o crescimento da Roma ocorre depois da incrível arrancada da equipe no segundo turno da edição anterior da Serie A, composta por uma única derrota em 19 jogos (14V-3E). Aliás, revés sofrido justamente para a Atalanta, de Gian Piero Gasperini, que inclusive eliminou as chances dos Giallorossi terminarem a temporada no G-4. De qualquer maneira, uma campanha digna de aplausos e, é claro, inimaginável antes da vinda de Claudio Ranieri, quando o time amargava a 12ª colocação do campeonato, somando 13 pontos em 12 rodadas.
Portanto, fica evidente que uma melhora do que estava muito bom era menos improvável do que um passo adiante, especialmente considerando que Gian Piero Gasperini promoveu enormes mudanças na Roma, a exemplo do esquema tático do time que deixou de atuar com uma linha de quatro defensores para jogar com três zagueiros, bem como a troca do sistema de marcação que passou a ser individual, e não por zona como ocorria até a temporada passada.

Em todo o caso, ao menos neste inicialmente o impacto mais positivo aos romanistas foi a aceitação da aborgadem de Gian Piero Gasperini por parte do elenco, tendo em vista que o funcionamento dessa engrenagem depende da total entrega de todas as peças na fase ofensiva e nos momentos em que o time está sem a bola, algo visível através das atuações da dupla de volantes formada por Manu Koné e Bryan Cristante, combinando força na marcação e qualidade no apoio ao ataque, além da capacidade do atacante Evan Ferguson em fechar espaços e recompor a defesa, por vezes, jogando como um meio-campista.
Obviamente, a Roma não é nenhum suprassumo do mundo da bola, tanto é que balançou as redes somente duas vezes nos dois jogos disputados até aqui, o que é compreensível pelo pouco tempo de trabalho. Por outro lado, em míseros 180 minutos em campo já é possível reconhecer a identidade de Gian Piero Gasperini, que tanto se destacou nas nove temporadas pela Atalanta, a ponta de torná-la uma das equipes mais admiráveis do futebol europeu, haja vista a vitória por 3 a 0 sobre o, na época imbatível, Bayer Leverkusen, na decisão do ano passado.
Ademais, é natural que haja desconfiança toda vez que um treinador muda de clube e traz consigo o “manual de jogo” debaixo do braço, vide o caso de Ruben Amorim no Manchester United. Pois é, e com Gian Piero Gasperini não foi diferente, porém o fato dos atletas terem assimiliado e acreditado na ideologia do experiente treinador de 67 anos de idade vem tornando essa fase de transição vivida em Trigoria mais tranquila. Não à toa, a Roma se mantém com cem por cento de aproveitamento na Serie A, em razão dos triunfos pelo placar mínimo sobre Bologna e Pisa, respectivamente.
À vista disso, podemos dizer que apenas a cidade, as camisas e os jogadores mudaram, pois a histórica Atalanta da última década continua vivíssima no futebol praticado pela Roma, com três homens na zaga, alas desempenhando funções de verdadeiros pontas, meio-campistas adiantados marcando intensamente, e o trio ofensivo composto por Matias Soulé, Stephan El Shaarawy e Evan Ferguson se movimentando o tempo todo, e pressionando a saída de bola do adversário, isto é, repetindo o que Josip Ilic, Papu Gómez e Duván Zapata faziam em Bergamo.

No entanto, é importante salientar que essa nova cara da Roma também se deve a movimentação do clube no mercado de transferências, basta ver a contratação de Wesley, que encaixou muito rapidamente no esquema de Gian Piero Gasperini, dando até a impressão de que já joga há anos na equipe italiana. Isso explica porque um dos dois gols marcados pelos Giallorossi na temporada teve o ex-lateral do Flamengo como autor — o da vitória frente o Bologna, na rodada inicial.
De qualquer maneira, o último dia da janela, que prometia ser intenso pelos lados de Trigoria, foi pra lá de monótono já que Jadon Sancho acabou se transferindo ao Aston Villa, enquanto a segunda opção indicada por Gian Piero Gasperini, Tyrique George, ficou no Chelsea em meio a frustrada negociação com o Fulham. Além disso, com a alta pedida do Bologna para negociar Benjamín Domínguez, a transação envolvendo Tommaso Baldanzi ao Hellas Verona foi cancelada pela Roma.
Vale ressaltar ainda, que a troca envolvendo Santiago Giménez e Artem Dovbyk também não se concretizou em virtude do interesse do atacante mexicano em permanecer no Milan seis meses depois de chegar do Feyernoord. Consequentemente, o único reforço apresentado pela Roma no fechamento da janela foi o lateral-esquerdo Konstantinos Tsimikas, contratado via empréstimo de um ano junto ao Liverpool.
✍️ Kostas Tsimikas è un nuovo calciatore giallorosso! 🐺
— AS Roma (@OfficialASRoma) August 31, 2025
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Ainda assim, as demais aquisições de Neil El Aynaoui, Jan Ziolkowski, Leon Bailey, Evan Ferguson e Daniele Ghilardi agradaram a cúpula diretiva romanista, cujo entendimento é o de que o plantel foi rejuvenescido e hoje se apresenta mais qualificado do que aquele que ficou de fora da Champions League por um ponto na última temporada, lembrando que a Roma foi o oitavo clube que mais investiu na janela de transferências do futebol italiano ao gastar 63,6 milhões de euros no período.
Em contrapartida, quem não ficou satisfeito com o mercado da Roma foi o técnico Gian Piero Gasperini, e esse é o perigo pois, ao contrário de Claudio Ranieri, ele é dono de uma forte personalidade e conhecido por sempre cobrar jogadores, membros da comissão técnica e diretores de maneira bastante efusiva. Deste modo, a não vinda de um segundo atacante veloz e driblador como era o caso de Jadon Sancho, apontado por Gasp como uma prioridade, atrasará o processo de reformulação do time, de acordo com as suas próprias palavras.
Soma-se a isso, o fato da perda para o Benfica na concorrência pela contratação de Richard Ríos, que acirrou demasiadamente os ânimos em Trigoria, basta ver os diversos rumores dando conta de que a relação entre Gian Piero Gasperini e o diretor de futebol, Frederic Massara, se tornou tensa, sobrando também para o ex-técnico e atual conselheiro esportivo, Claudio Ranieri.
Em outras palavras, a trajetória de Gian Piero Gasperini mal começou na Roma, e a sensação é a de que ela já dura longos anos mediante ao futebol competitivo apresentado em campo, a batalha pelo scudetto, e os conflitos internos.