O Dragão despertou em Portugal

A trágica temporada 2024-25 realizada pelo Porto ao menos serviu para que grandes mudanças ocorressem no Dragão, dentre as principais, a demissão de Martín Anselmi e a chegada de Francesco Farioli, o terceiro treinador portista desde que André Villas-Boas assumiu a presidência do clube no ano passado.

Por sinal, embora Francesco Farioli tenha deixado o Ajax em baixa, não por conta de um trabalho ruim, mas sim em razão da histórica perda do título holandês frente o PSV Eindhoven nas rodadas finais da Eredivisie, a verdade é que a chegada do treinador italiano foi vista com bons olhos pelos torcedores portistas após a deplorável passagem do antecessor Martín Anselmi, marcada pela terceira colocação na tabela da Liga Portugal — a 11 pontos de distância do bicampeão, Sporting —, além da queda na fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes, somando 2 pontos em três partidas (2E-1D).

A propósito, é importante destacar que as equivocadas decisões tomadas por Martín Anselmi aceleraram o processo da sua demissão depois de apenas 21 jogos à frente do Porto, a exemplo da mudança no esquema tático da equipe que atuava há sete temporadas sob o comando de Sérgio Conceição com uma linha de quatro defensores para outro com três zagueiros. E isso mesmo não tendo peças que se encaixassem nesse sistema de jogo.

Consequentemente, a chegada de Francesco Farioli renovou por completo as expectativas pelos lados do Dragão, também alimentadas em função do agitadíssimo mercado do Porto, que investiu o montante de 94 milhões de euros para efetivar as contratações de Victor Froholdt, Gabri Veiga, Alberto Costa, Borja Sainz, Jan Bednarek, Dominik Prpic, Pablo Rosario, Jakub Kiwior e Luuk de Jong.

Deste modo, fica evidente que o Porto passou por uma enorme reformulação neste meio de ano e, por mais que demasiadamente cedo, já é possível afirmar que os Dragões estão no caminho certo neste novo ciclo liderado por Francesco Farioli, algo que ficou ainda mais claro depois do primeiro grande teste da temporada, ou seja, o clássico contra o atual bicampeão português Sporting, em Alvalade, pela 4ª rodada da Liga Portugal.

Pois é, ainda que os pupilos de Francesco Farioli tenham desembarcado em Lisboa para encarar o Sporting ostentando cem por cento de aproveitamento com 9 tentos assinalados e nenhum sofrido na temporada, muitos apontavam os triunfos diante de Vitória Guimarães (3×0), Gil Vicente (2×0) e Casa Pia (4×0) como meramente protocolares, considerando a inferioridade técnica dos adversários.

À vista disso, a vitória por 2 a 1 sobre o Sporting em pleno estádio José Alvalade realmente comprovou a força deste novo Porto, de Francesco Farioli, principalmente levando em conta alguns aspectos expostos nas três primeiras partidas da temporada, como: a intensidade; a competitividade; a solidez defensiva; o poderio ofensivo; e a volúpia na marcação que passou a ser individual, o que, é claro, demanda maior preparo físico por parte dos jogadores.

A propósito, é inegável que a maior evolução do Porto em comparação a última temporada deu-se justamente na condição física do time, detalhe este, fundamental para que toda a engrenagem do modelo de jogo de Francesco Farioli funcione. Inclusive, isso retrata que o elenco confia plenamente no treinador italiano, o que não se viu tanto com Martin Anselmi, quanto com Vítor Bruno.

Como resultado, a intensidade e o grau de combatitividade do Porto cresceram notoriamente, e uma dos nomes que mais simboliza isso é o reforço mais caro trazido pelo clube, Victor Froholdt, visto que o jovem meia dinamarquês de 19 anos de idade parece preencher todos os espaços do campo, seja ajudando na fase ofensiva através da construção, seja na defensiva marcando de forma incansável. Não à toa, ele já balançou as redes uma vez e concedeu duas assistências nas quatro aparições defendendo as cores dos Dragões até aqui.

Outra arma interessante do Porto são as constantes subidas dos laterais, acima de tudo pela esquerda com Alberto Costa que, ao se lançar ao ataque sempre gera perigo — vide a assistência para o gol de Luuk de Jong em Alvalade —, e permite com que o ponta William Gomes faça a diagonal caindo por dentro. Aliás, seria injusto não destacar o habilidoso ex-jogador do São Paulo, autor do belíssimo segundo gol da vitória contra o Sporting, também o segundo marcado por ele nesta temporada que promete muito.

Portanto, além de reformular o plantel, e desenvolver um novo padrão de jogo, Francesco Farioli também acabou com a antiga dependência do Porto em Rodrigo Mora, que após fortíssimos rumores envolvendo uma provável ida ao futebol saudita, acabou permanecendo no Dragão. Certamente, seria um desperdício enorme um jogador tão talentoso transferir-se à Arábia Saudita no começo da carreira.

Não à toa, Rodrigo Mora — cujo lado físico ainda é um problema devido a menor rotação — perdeu espaço no Porto, vide os míseros 107 minutos do camisa 86 em ação na atual temporada em que ele só iniciou o clássico em Alvalade entre os titulares, saindo de campo no começo do segundo tempo. Contudo, um significativo indício de que, como não poderia deixar de ser, o craque português está dentro dos planos de Francesco Farioli, e a tendência é o seu progresso.

Isto posto, a realidade é que ao despertar após uma temporada de profundo sono, o Dragão voltou a cuspir fogo e está de volta à briga pelo título da Liga Portugal, onde já figura isolado no topo da classificação com 12 de 12 possíveis pontos.

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