Um nada! Isso define a Alemanha a 9 meses do ínicio da Copa de 2026

A caminhada da Alemanha rumo à Copa do Mundo de 2026 não começou nada bem, a julgar pela derrota por 2 a 0 diante da Eslováquia, que aumentou para quatro o número de jogos sem vitórias dos comandados de Julian Nagelsmann.

A propósito, um retrospecto negativo que teve início a partir da queda frente a Espanha nas quartas-de-final da Euro 2024, disputada em solo alemão, seguido do empate em 3 a 3 com a Itália depois da Alemanhã sair ao intervalo vencendo o jogo por 3 a 0, e terminando com as derrotas para Portugal (2×1) e França (2×0), respectivamente, pela Final Four da Liga das Nações, também realizada no próprio país.

Deste modo, fica evidente porque a pressão em torno da Alemanha aumentou ainda mais após o revés por 2 a 0 para a Eslováquia nas estreia das Eliminatórias, que resultou na primeira derrota sofrida pelos alemães como visitantes no torneio qualificatório ao longo da história — depois de 53 compromissos até então —, sendo a quarta na competição considerando jogos dentro e fora de seus domínios.

E como não poderia deixar de ser, mais uma vez o principal problema apresentado pela Alemanha foi a falta de criatividade da equipe, o que é oriundo da ausência de Jamal Musiala — lesionado desde a Copa do Mundo de Clubes da FIFA —, além da falta de uma base sólida e consistente não construída por Julian Nagelsmann em meio a “eterna” reformulação feita pelo jovem treinador de 38 anos de idade desde setembro de 2023.

Não à toa, em momentos como o atual, sem a presença de Jamal Musiala, Florian Wirtz não é capaz de assumir o protagonismo na seleção alemã. Entretanto, foi a total apatia dos atletas que mais irritou técnico Julian Nagelsmann na derrota em Bratislava, tanto é que ele colocou cinco novos titulares contra a Irlanda do Norte — Waldemar Anton, David Raum, Robert Koch, Jamie Leweling e Pascal Groß, nos lugares de Maximilian Mittelstädt, Nnamdi Collins, Leon Goretzka, Jonathan Tah e Angelo Stiller.

Ainda assim, embora repleta de mudanças e enfrentando o selecionado que ocupa somente a 71ª posição no ranking da FIFA, a Mannschaft terminou o primeiro tempo empatando em 1 a 1 com a Irlanda do Norte, e só conseguiu abrir o marcador aos 24 minutos da etapa final, através do tento de Nadiem Amiri. Aliás, as entradas tanto do meia do Mainz 05 quanto de Maximilian Beier, foram cruciais para determinar o triunfo dos alemães por 3 a 1, confirmado posteriormente com o gol de falta de Florian Wirtz.

Consequentemente, a Alemanha somou os primeiros três pontos nas Eliminatórias, encerrando a segunda rodada na terceira posição do grupo A atrás da Eslováquia — com 100% de aproveitamento —, sendo superada pela vice-colocada Irlanda do Norte nos critérios de desempate, lembrando que apenas o líder se classifica automaticamente à Copa do Mundo de 2026. Logo, para evitar a repescagem a Mannschaft não tem mais margens para tropeços, sendo obrigada a vencer todos os demais jogos, em especial o confronto direto diante dos eslovácos, em novembro.

Seja como for, a campanha da Alemanha nas Eliminatórias não preocupa levando em conta que o jogo mais importante contra a Eslováquia na última rodada será em Leipzig, antes dos encontros frente os modestos Luxemburgo e Irlanda do Norte. Em contrapartida, é inegável que a nove meses do início da Copa de 2026, os tetracampeões mundiais se encontram distantes dos grandes concorrentes na briga pelo título mundial, como são os casos de Espanha, França, Portugal, Inglaterra e Argentina.

Todavia, pior do que isso é que os alemães não demonstram nenhum sinal de evolução, basta pegarmos como parâmetro a Espanha, que progrediu bastante desde que derrotou a Alemanha na Euro 2024, no último duelo entre as duas há cerca de 14 meses. E por mais que Julian Nagelsmann tenha herdado uma geração sem muitos talentos e abalada emocionalmente depois das eliminações na fase de grupos dos Mundiais de 2018 e 2022, a expectativa era de crescimento sob o comando do ex-técnico do Bayern de Munique.

E são as constantes mudanças táticas que continuam impedindo o avanço da Mannschaft. Não é novidade que o ideal seria Julian Nagelsmann definir um sistema de jogo e entrosar os jogadores o mais rápido possível. Por sinal, de acordo com o perfil dos atletas e do próprio treinador, o 4-2-2-2, que funcionou tão bem nos seus tempos de RB Leipzig, encaixaria perfeitamente na Alemanha. No entanto, ele prefere alternar time e esquema a cada partida. Na Eslováquia, foi a vez de utilizar o 4-2-3-1 e promover a estreia de Collins Nnamdi, enquanto em Colônia, a ideia acabou sendo jogar com três zagueiros, no 3-4-2-1.

Portanto, a aguardada evolução poderia até não ocorrer no aspecto tático, mas ao menos em termos de competitividade, tendo em vista que a seleção da Alemanha nunca jogou um futebol envolvente de encher os olhos, porém jamais deixou de lutar por vitórias em campo, algo que não vemos desde a conquista da Copa do Mundo de 2014, que abrange o fim do ciclo de Joachim Low, a curta passagem de Hansi Flick, e o atual trabalho de Julian Nagelsmann.

Diante deste cenário, a realidade é que os alemães seguem estagnados da mesma forma que antes da Euro 2024, quando uma boa fase parecia reascendê-los. À vista disso, com tanto tempo desperdiçado Julian Nagelsmann terá apenas mais oito partidas até a estreia da Copa do Mundo de 2026 para, no mínimo, corrigir o maior problema da Alemanha neste instante, ou seja: a fragilidade defensiva do time que foi vazado o montante de 12 vezes nos últimos sete jogos.

Contudo, ainda que em condições para uma reviravolta, ajustes inimagináveis ao treinador que, nos dois anos à frente da Alemanha, não construiu absolutamente nada mediante aos passos dados na direção errada. A ver!

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