O bicampeonato mundial desponta no horizonte da seleção espanhola

Dois jogos, duas vitórias, NOVE gols marcados e NENHUM sofrido. Assim começou a caminhada da líder do grupo E das Eliminatórias, Espanha, rumo à Copa do Mundo de 2026.

Pois é, ainda que os mais críticos questionem o fato de que a Espanha encarou adversários de baixo técnico nas duas rodadas iniciais das Eliminatórias, é inegável que o triunfo por 3 a 0 sobre a Bulgária, e a goleada por 6 a 0 sobre a Turquia, ambas conquistadas fora de seus domínios, merecem ser exaltadas, sobretudo por conta do futebol praticado pelos pupilos de Luis de la Fuente, em especial contra os turcos, que inclusive atuaram em Konya, a fim de criar uma atmosfera absolutamente hostil aos espanhóis.

A propósito, se a maior dificuldade dos adversários que enfrentam os turcos em Istambul é o clima criado pela torcida, então o que dirá jogando num estádio menor e de maior pressão como ocorre em Konya. Ainda assim, a Espanha precisou de míseros 22 minutos para abrir uma confortável vantagem de dois gols no marcador. E após sair ao intervalo vencendo por 3 a 0, a Furia Roja replicou a contagem no segundo tempo, com direito a um hat-trick de Mikel Merino, e uma excelente atuação de Pedri, autor de dois tentos na partida.

Consequentemente, a Espanha estendeu sua longa invencibilidade para 27 partidas, tendo em vista que desde a derrota pelo placar mínimo no amistoso contra a Colômbia, em Londres, os espanhóis não perderam mais somando 17 vitórias e cinco empates neste período, considerando que a recente queda diante de Portugal na decisão da Liga das Nações da UEFA deu-se nas penalidades.

Diante deste magistral cenário, a Espanha já desponta como principal candidata ao título mundial de 2026, sendo apontada como a melhor seleção da atualidade. Por sinal, até os próprios torcedores espanhóis, tradicionalmente pessimistas, comparam essa geração de Lamine Yamal, Nico Williams e Pedri, com a histórica campeã do mundo em 2010 e bicampeã europeia em 2008 e 2012, composta pelos craques Iker Casillas, Sergio Ramos, Andrés Iniesta e Xavi Hernández.

Não à toa, o ‘El Partidazo’, um dos programas futebolísticos de maior audiência no país, transmitido pela Rádio Cope, promoveu um debate se a seleção espanhola realizou frente a Turquia sua melhor apresentação em todos os tempos, excluindo a importância da partida, uma vez que um jogo de Eliminatória não tem a mesma relevância de uma final ou um jogo decisivo de Copa do Mundo ou Eurocopa.

Logo, o que estava em discussão era somente a qualidade do jogo em si, o que faz total sentido quando analisamos que a goleada em Konya só não foi maior porque a Espanha, visivelmente, diminuiu o ritmo a partir do sexto gol, marcado ainda aos 17 minutos da etapa final. Entretanto, o futebol envolvente, intenso, de passes rápidos e constantes movimentações dos espanhóis fez com que os turcos, armados no 4-4-2, não se vissem a cor da bola.

É impressionante que sob o comando de Luis de la Fuente, a Espanha vem jogando como uma orquestra absolutamente afinada se apresenta numa ópera, com os meio-campistas chegando ao ataque de forma sincronizada, vide os três gols de Mikel Merino, os laterais apoiando a cada jogada, seja com Pedro Porro pela direita, seja com Marc Cucurella pela esquerda, enquanto o atacante da Real Sociedad, Mikel Oyarzábal, abre espaços tanto para Lamine Yamal quanto Nico Williams entrarem pela diagonal construíndo o jogo por dentro.

Vale ressaltar que Luis de la Fuente assumiu o antigo posto de Luis Enrique de forma provisória depois da eliminação da Furia Roja para Marrocos nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2022. Em contrapartida, o ex-técnico das seleções de base, até então chamado de forma irônica de ‘Luis sub-20’, quebrou todos os paradigmas ao conquistar o título da edição 2022-23 da Liga das Nações da UEFA, seguido da Euro 2024 e, o melhor, tudo isso montando uma base sólida, consistente, e pra lá de promissora à Espanha.

Deste modo, da mesma maneira que a Argentina com Lionel Scaloni, a Espanha resolveu o problema de treinador com uma solução vinda da “própria casa”, pois além de implementar um esquema tático baseado no perfil dos jogadores, Luis de la Fuente foi capaz de potencializar o futebol de cada um deles, além de formar um plantel com duas ou até três opções capazes de atuar no mesmo nível do titular. Por exemplo, nessa última convocatória ele não selecionou nomes como Fabián Ruiz, Álex Baena, Pablo Barrios, Gavi, Yéremy Pino e Samu Omorodion.

Soma-se a isso, o fato de que a Espanha se beneficia de ter à disposição uma geração talentosíssima com capacidade de brilhar à curto, médio e longo prazo, a julgar pela baixa média de idade de apenas 24,9 anos da seleção com diversos jogadores vivendo o auge físico da carreira, dos quais se destacam Unai Simón (28), Pedro Porro (25), Marc Cucurella (27), Robin Le Normand (28), Rodri (29), Martín Zubimendi (26), Mikel Merino (29), Fabián Ruiz (29), Dani Olmo (27), Ferran Torres (25) e Mikel Oyarzábal (28), todos dividindo espaços com os novatos Pau Cubarsí (18), Dean Huijsen (20), Pedri (22), Nico Williams (23) e Lamine Yamal (18).

Portanto, com potencial de sobra, padrões táticos assimilados, e um sistema que prioriza o máximo que cada jogador pode oferecer, a Espanha é a sensação do momento por, indiscutivelmente, atuar como um grande time de futebol joga, o que é o ápice para qualquer seleção, aliás, uma condição que a coloca passos à frente de fortes concorrentes como França, Portugal e Argentina, e como principal candidata ao bicampeonato mundial em 2026.

Sim, no futebol as coisas podem mudar da água pro vinho no mais curto espaço de tempo, mas se a Copa do Mundo de 2026 fosse hoje, a Espanha daria a volta olímpica. Todavia, veremos se isso se confirmará daqui a nove meses na América do Norte.

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