O sonho do bi mundial voltou a ser realidade à Inglaterra

Embora apresentado em janeiro deste ano, é possível afirmar que o jogo de estreia do técnico Thomas Tuchel pela Inglaterra deu-se na terça-feira (09), com a goleada por 5 a 0 sobre a Sérvia, em Belgrado.

A propósito, um placar que traduz de forma clara a ampla superioridade por parte da Inglaterra, a julgar pelo montante de 24 finalizações, sendo 16 delas dentro da grande área adversária, além das sete oportunidades criadas, bem como os 70% de posse de bola dos Three Lions em pleno Estádio Rajko Mitic, conhecido pela hostil atmosfera criada pelos torcedores sérvios.

E vale ressaltar que este verdadeiro massacre do English Team teve início através do tento de Harry Kane, aos 33 minutos da etapa inicial, um gol que ameniza as duras críticas recebidas pelo camisa 9, questionado pela torcida inglesa desde a Euro 2024 por não repetir na seleção as boas atuações defendendo as cores do Bayern de Munique, ainda que ele tenha sido fundamental na caminhada da Inglaterra rumo à decisão do torneio continental no ano passado.

Posteriormente, Noni Madueke, Ezri Konsa, Marc Ghéhi e Marcus Rashford, de pênalti, completaram a acachapante goleada dos ingleses no primeiro grande teste realizado pela Inglaterra sob o comando de Thomas Tuchel, já que dentre as cinco partidas disputadas até então, somente o amistoso frente Senegal, que inclusive terminou com a derrota dos ingleses por 3 a 1 em Nottingham, lhe ofereceu um enfrentamento de maior nível técnico.

Consequentemente, as protocolares vitórias ante Albânia (2×0), Letônia (3×0) e duas vezes sobre Andorra (1×0, e 2×0), fizeram aumentar a desconfiança da opinião pública em relação ao trabalho de Thomas Tuchel, também alimentada mediante a rejeição dos ingleses no que diz respeito a treinadores estrangeiros, tanto é que o ex-técnico do Bayern de Munique é apenas o terceiro a dirigir a Inglaterra ao longo da história, depois de Sven-Göran Eriksson e Fabio Capello.

Contudo, a maior reclamação de Thomas Tuchel antes da partida em Belgrado foi a abordagem pra lá de defensiva de Andorra, por exemplo, armada no 5-4-1 com todos os jogadores posicionados atrás da linha da bola formando um bloco compacto, a fim de reduzir os espaços. Ainda que isso seja absolutamente natural em se tratando de um duelo com tamanha disparidade técnica entre os oponentes, no futebol de seleções esse aspecto acaba impactando bastante em virtude do pouco entrosamento dos jogadores.

Deste modo, por mais que vencendo e jogando de forma dominante, a Inglaterra necessitava de uma atuação eletrizante para espantar as incertezas que a assolava a nove meses da Copa do Mundo de 2026, somente para convencer a torcida de que o caminho trilhado pelo English Team era o certo com Thomas Tuchel à beira do campo, e nada melhor do que uma goleada na capital sérvia, sem as presenças dos lesionados Jude Bellingham Cole Palmer e Bukayo Saka, para responder a todo esse descrédito.

É bem verdade que a Inglaterra se apresentava da maneira habitual até Harry Kane abrir a contagem, isto é, controlando as ações mas num ritmo lento, sem intensidade. No entanto, uma condição que mudou completamente depois do primeiro gol, quando o que vimos foi a melhor apresentação da seleção inglesa na era Thomas Tuchel, recompensada pelos cinco gols contra o adversário mais forte do grupo das Eliminatórias, e pela criticada defesa não sendo vazada e ainda tendo a dupla de zaga, Ezri Konsa e Marc Ghéhi, balançando as redes.

Obviamente, Thomas Tuchel compreendia mais do que ninguém a necessidade de provar que a Inglaterra estava progredindo e tinha um plano de jogo, algo que Gareth Southgate só conseguiu mostrar no início da passagem pela seleção, ainda que ele jamais tenha decepcionado em termos de resultados. Soma-se a isso, o fato de que os Three Lions são reconhecidos pelo plantel recheado de jogadores acima da média, mas que dentro de campo não correspondem pela falta de um próprio DNA. Não à toa, o noticiário esportivo já amanheceu apontando-os entre os principais favoritos ao título mundial após o triunfo sobre a Sérvia.

Na realidade, o ponto de destaque da Inglaterra foi entrada de Elliot Anderson na equipe. Atuando como um volante progressivo, o jovem jogador de 22 anos de idade deu maior dinâmica ao meio-campo, em especial ao permitir com que Declan Rice apoiasse o ataque com maior frequência, e também ao desempenhar um papel essencial na saída de bola, reduzindo o número de passes sem rumo entre os defensores e o goleiro Jordan Pickford.

Logo, apesar da exagerada euforia dos ingleses é razoável imaginar que a ótima geração da Inglaterra brigará diretamente pelo bicampeonato mundial em 2026, a exemplo das excelentes atuações de Elliot Anderson, Morgan Rogers e Noni Madueke ao substituírem os estrelados Jude Bellingham, Cole Palmer e Bukayo Saka, detalhe este que demonstra a profundidade do elenco inglês, embora alguns passos atrás de Espanha, Portugal, Argentina e França.

Aliás, já é viável cravar o English Team na batalha pelo bi mundial porque o passaporte rumo à Copa de 2026 foi praticamente carimbado, visto que os comandados de Thomas Tuchel se isolaram ainda mais na liderança do grupo K das Eliminatórias ao encerrarem a 5ª rodada contabilizando 15 pontos, o equivalente a cem por cento de aproveitamento, lembrando que nos últimos três compromissos do qualificatório eles visitarão a Albânia, e receberão Letônia e Sérvia.

Portanto, sonhar com uma nova volta olímpica após seis longas décadas está longe de resultar num pesadelo à Inglaterra depois da “real estreia” de Thomas Tuchel!

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