Quatro jogos, uma vitória, um empate, duas derrotas e quatro pontos assinalados. O desempenho do Manchester United até o desfecho da 4ª rodada da Premier League representa nada menos que o pior início de campeonato dos Red Devils desde a temporada 1992-93.
Pois é, se os torcedores imaginavam que o Manchester United havia alcançado o fundo do poço depois da 15ª colocação da edição anterior da Premier League, o atual começo de temporada do clube evidencia que aquele frustrante filme vem se repetindo novamente no Old Trafford, acima de tudo se levarmos em consideração a precoce e lamentável queda no primeiro estágio da Copa da Liga Inglesa diante do modesto Grimsby Town, da quarta divisão inglesa.
E isso tudo mediante a mais uma janela pra lá de valiosa do Manchester United, a exemplo dos 250 milhões de euros investidos neste meio de ano, dos quais 225 milhões foram desembolsados na contratação do novo trio de ataque do time formado por Matheus Cunha, Bryan Mbeumo e Benjamin Sesko, que juntos até o momento acumulam míseros dois gols e nenhuma assistência concedida após cinco compromissos.

No entanto, o mais recente fiasco do Manchester United veio no clássico contra o Manchester City, no qual os comandados de Ruben Amorim, embora atuando no Etihad Stadium, esperavam aproveitar a má fase vivida pelo rival que, além de ter saído de campo derrotado em duas das três rodadas iniciais da Premier League pela primeira vez em 21 anos, também não derrotava os Red Devils pela competição desde o triunfo por 3 a 1 em março de 2024.
Deste modo, o Manchester United começou a partida bem, pressionando intensamente a saída de bola do Manchester City com as linhas altas, e forçando bastante a marcação sobre os meio-campistas Rodri e Bernardo Silva. Todavia, os espaços deixados pelo frágil sistema defensivo do time, somados as falhas de Luke Shaw, mais uma vez improvisado como zagueiro pela esquerda, resultaram na derrota por 3 a 0 no Etihad Stadium. Aliás, a 16ª sofrida por Ruben Amorim em 31 jogos pela Premier League (8V-7E).
Contudo, a verdade é que a lógica acabou prevalecendo no Etihad Stadium, visto que Manchester é muito mais azul do que vermelha desde a aposentadoria de Alex Ferguson em 2013, um azulado que passou a brilhar ainda mais após a chegada de Pep Guardiola ao City há nove anos. Inclusive, os Citizens são os segundos oponentes que mais venceram o United ao longo da era Premier League (1992), estando somente atrás do Arsenal, lembrando que o retrospecto frente o ex-treinador de Barcelona e Bayern de Munique inclui 13 derrotas, 4 empates e nove vitórias, em 26 enfrentamentos.
Defeat in the derby. pic.twitter.com/Ift5I9oyyi
— Manchester United (@ManUtd) September 14, 2025
À vista disso, a tensão em torno de Ruben Amorim aumentou demasiadamente pelos lados do Old Trafford. A propósito, ainda que o maior problema do Manchester United não seja o treinador, é fato que ele faz parte dele, e defendê-lo tem sido uma tarefa cada vez mais difícil, a exemplo do sistema de jogo utilizado pelo técnico português, que mantém a equipe vulnerável e, como resultado, sofrendo muitos gols apesar da linha de três zagueiros na defesa. Não à toa, os Red Devils foram vazados em todas as partidas realizadas até aqui na temporada.
Ademais, a insistência de Ruben Amorim em escalar Bruno Fernandes para atuar como segundo volante, posicionado atrás dos meias Amad Diallo e Bryan Mbeumo, também é injustificável, sobretudo porque ele diminui a capacidade de criação da equipe ao mesmo tempo que reduz o poder de marcação no meio-campo. Apesar disso tudo, o jovem treinador de 39 anos de idade afirmou que não mudará o esquema tático do Manchester United.
Seja como for, pior do que a derrota que poderia ter se convertido numa goleada por 5 a 0 se Erling Haaland e Tijjani Reijnders não tivessem desperdiçado clamorosas oportunidades, foi ver os jogadores do Manchester United não mostrando nenhum tipo de revolta ou indignação com o revés, tanto é que não houve nem sequer um cartão amarelo recebido, nada. Por isso, a sensação deixada foi a de que o clube realmente aceita sua mediocridade.

É inegável que o sucesso do Sporting nos últimos anos foi oriundo do autoral trabalho desenvolvido por Ruben Amorim. Com isso, é natural que ele sustente a ideia de que a abordagem que rendeu bons frutos em Alvalade seja a ideal ao Manchester United. Em contrapartida, tudo tem limite uma vez que as pífias atuações dos Red Devils, traduzidas também em forma de resultados, já provaram a necessidade de mudanças táticas na equipe, a julgar que o perfil dos jogadores do clube inglês é diferente em comparação ao do português.
Diante deste cenário, ao ficar “abraçado” com sua filosofia de jogo, Ruben Amorim vem se enfraquecendo a cada partida, o que vale até a aspectos físicos pois a impressão é a de que ele envelheceu uns dez anos em apenas dez meses no Manchester United, algo que também sinaliza o erro cometido ao ter deixado o Sporting no meio da temporada passada, quando os Leões caminhavam a passos largos rumo ao bicampeonato português, que tornaria sua idolatria maior em Alvalade.
Logo, apesar da conquista do título inglês na temporada 1992-93, isto é, a última que o Manchester United encerrou a 4ª rodada da Premier League contabilizando quatro pontos, a tendência mesmo é que nada mude, a não ser para pior, com Ruben Amorim apostando no que não está dando certo. Portanto, a triste cena das cadeiras do setor visitante do Etihad Stadium vazias ainda aos 25 minutos do segundo tempo do Manchester Derby, depois dos torcedores do United saírem sem vaias ou protestos, certamente, continuarão se repetindo.
Em resumo, as cadeiras vazias, a impactante derrota no clássico, a crise junto ao próprio treinador e o conformismo com resultados negativos, viraram a realidade do clube mais vezes campeão inglês.