Começou a caminhada do renovado Real Madrid, de Xabi Alonso, na Champions League

As quatro vitórias conquistadas nas quatro primeiras rodadas da LaLiga não representavam nada antes da estreia do Real Madrid na Champions League, este sim considerado o verdadeiro ínicio do novo ciclo madridista sob o comando de Xabi Alonso.

Por sinal, o retrospecto negativo de três partidas seguidas sem vitórias na Champions League devido ao revés diante do Atlético de Madrid no jogo de volta das oitavas-de-final, além das derrotas frente o Arsenal nas quartas-de-final da edição passada do torneio continental, aumentavam ainda mais a pressão sobre o Real Madrid antes da bola rolar contra o Olympique de Marselha no Santiago Bernabéu.

Vale ressaltar que Xabi Alonso desembarcou na capital espanhola neste meio de ano tendo a dificílima missão de começar uma nova era no Real Madrid após as gloriosas passagens de Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti pelo clube, lembrando que o treinador espanhol fez parte da primeira dessas históricas gerações campeã europeia na temporada 2013-14, atuando no meio-campo ao lado de Toni Kroos e Luka Modric.

No entanto, embora a maior parte da segunda geração ainda esteja em ação defendendo as cores do Real Madrid, agora sob a liderança de Xabi Alonso, o diferente modelo de jogo do ex-treinador do Bayer Leverkusen acabou fazendo com que um trabalho do zero fosse iniciado no clube madrilenho, tendo em vista que ele é adepto a um futebol ofensivo, de alta rotação e marcação pressão na saída de bola do adversário, ao contrário dos antecessores Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti, que preferiam atuar em bloco médio, a fim de atrair o adversário e progredir ao ataque através de rápidas trocas de passes, num estilo mais posicional.

Ademais, a formação com três zagueiros foi utilizada por Xabi Alonso naquele memorável 2024 da inédita tríplice coroa alemã do Bayer Leverkusen, o que deixou a sensação de que ele usaria o mesmo esquema no Real Madrid. Todavia, a realidade é que os Merengues seguem jogando com quatro homens na defesa, mas já apresentando a filosofia do jovem treinador de 43 anos de idade, a começar pelo posicionamento dos dez jogadores de linha quase o tempo todo no campo oposto, pressionando o adversário para recuperar a bola o mais próximo possível do seu próprio gol na fase defensiva.

Já ofensivamente, o volante Aurélien Tchouaméni fica centralizado entre os zagueiros Éder Militão e Dean Huijsen dando proteção caso o time perca a bola, compondo assim uma linha de três defensores na linha do meio-campo, enquanto todas as demais peças se lançam ao ataque, com os laterais Álvaro Carreras avançando de maneira aguda pela esquerda, ao passo Trent Alexander-Arnold fazendo a diagonal na maioria das vezes, e construindo o jogo por dentro, deixando o lado direito para Franco Mastantuono explorar juntamente com Federico Valverde.

Por essa razão a funcionalidade do sistema de jogo de Xabi Alonso depende totalmente da constante movimentação por parte dos atletas, algo que Kylian Mbappé assimilou muito bem, pois embora escalado para jogar como referência no ataque o craque francês atua de modo bastante móvel caindo tanto pela direita quanto pela esquerda, não somente abrindo espaços ou puxando a marcação dos oponentes, como também servindo como opção para tabelas e infiltrações. Não à toa, o novo camisa 10 madridista já balançou as redes 6 vezes em cinco jogos disputados até aqui na temporada.

Além disso, no jogo ante o Olympique de Marselha, Rodrygo começou entre os titulares do Real Madrid por cumprir funções defensivas com maior efetividade em comparação a Vinicius Júnior. Na visão de Xabi Alonso, ambos jogam exatamente na mesma posição como pontas-esquerdas, o que significa que, ao neste momento, o ex-jogador do Santos começará as partidas contra adversários de maior nível técnico, onde o grau de dificuldade costuma ser maior.

Contudo, é óbvio que o Real Madrid ainda está distante do que Xabi Alonso idealiza, até por conta do pouco tempo de trabalho. Como resultado, o time que começa as partidas literalmente voando, acaba caindo bastante de produção no segundo tempo dos jogos, vide o exemplo da estreia na Champions League em que os espanhóis foram ao intervalo registrando o total de 18 finalizações, 4 grandes chances de gol criadas, além de um elevado índice de 2.39 gols esperados.

Por outro lado, no segundo tempo foram 10 arremates, uma grande oportunidade gerada e uma taxa de 1.35 gol esperado, ou seja, uma queda oriunda da perda de intensidade do Real Madrid nas etapas finais das partidas, que inclusive se tornou uma tônica nessa temporada. Portanto, Xabi Alonso precisa buscar esse equilíbrio que deve vir mediante o entrosamento e a evolução física dos jogadores, por mais que a expulsão de Dani Carvajal tenha afetado o rendimento dos Merengues na rodada inicial da Champions League.

Por sinal, outro problema que precisa ser corrigido por Xabi Alonso diz respeito à parte disciplinar dos jogadores, isso porque o encontro com o Olympique de Marselha foi o segundo seguido em que o Real Madrid teve jogadores expulsos, a julgar que Dean Huijsen recebeu o cartão vermelho na partida anterior frente a Real Sociedad em San Sebastián, que também terminou com o triunfo dos madridistas por 2 a 1.

Seja como for, apesar da grande mudança na parte tática e estrutural do jogo, o Real Madrid lidera a LaLiga com 100% de aproveitamento, e conseguiu uma importantíssima vitória na estreia da Champions League, de virada, após atuar mais de 25 minutos com um jogador a menos em campo. Quer dizer, um resultado que deve ser exaltado na temporada seguinte a péssima campanha dos espanhóis na fase de liga da competição, na qual somar pontos é fundamental para avançar diretamente às oitavas-de-final, sobretudo atuando em seus domínios.

Isto posto, o botão de start foi, finalmente, apertado por Xabi Alonso no Real Madrid!

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