Após um ano fora de ação, Maurizio Sarri aceitou o desafio de retornar à Lazio depois da primeira passagem bastante acima das expectativas pelo clube da capital, marcada pelo vice-título italiano na temporada 2022-23, isto é, a melhor campanha dos Biancocelesti na Serie A desde a conquista do scudetto há 25 anos.
Em contrapartida, a realidade é que as dificuldades encontradas por Maurizio Sarri neste reencontro com a Lazio estão sendo muito maiores do que ele imaginava, especialmente por conta da incapacidade do clube realizar transferências na última janela em decorrência da punição recebida pela Federação Italiana de Futebol (FIGC) depois de não atender três parâmetros envolvendo regras federais para admissão a operações de registro.
A propósito, uma condição que Maurizio Sarri afirmou desconhecer quando o presidente da Lazio, Claudio Lotito, o contratou neste meio de ano. Deste modo, além de não se reforçar, os Biancocelesti sofreram com a perda do ponta Loum Tchaouna, que transferiu-se ao Burnley. Consequentemente, o treinador de 66 anos de idade acabou herdando o elenco sétimo colocado nas duas últimas edições da Serie A ainda mais enfraquecido.
Vale ressaltar que a derrota para o Lecce na última rodada da edição passada da Serie A acabou com as chances da Lazio disputar competições internacionais nessa temporada, por ter sido ultrapassada pela Fiorentina. Todavia, mesmo diante deste cenário obscuro Maurizio Sarri assinou um vínculo de dois anos junto ao clube romano, com opção de renovação automática até 2028 caso a vaga na Champions League seja conquistada.
De qualquer maneira, os comandados de Maurizio Sarri não iniciaram nada bem a caminhada na Serie A, sendo derrotados por 2 a 0 frente o Como logo no jogo de estreia, goleando o Hellas Verona por 4 a 0 na partida seguinte, mas perdendo novamente, desta vez para o Sassuolo, pelo placar mínimo. Como resultado, a Lazio encerrou a 3ª rodada contabilizando míseros 3 pontos na 12ª posição da tabela.
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Contudo, com um trabalho começando absolutamente do zero e a temporada somente se iniciando, é natural que a Lazio esteja praticando um futebol distante do esperado tanto pela torcida quanto pelo próprio Maurizio Sarri, até porque o impacto causado pela drástica mudança do estilo de jogo do ex-treinador Marco Baroni em relação ao “sarrismo” também deve ser considerado.
Além disso, é importante destacar que problemas referentes as lesões etsão sendo mais um dos obstáculos enfrentados por Maurizio Sarri. Para se ter uma ideia, apenas na última partida contra o Sassuolo na Emília-Romanha, a Lazio não contou com as presenças de Samuel Gigot, Patric, Matías Vecino e Manuel Lazzari, à medida que Nicolò Rovella e Taty Castellanos precisaram sair de campo em virtude de contusões.
Soma-se a isso, o fato de que a Lazio realmente se enfraqueceu bastante em comparação ao primeiro trabalho de Maurizio Sarri no clube, época em que o treinador italiano ao menos tinha um elenco mais qualificado com jogadores mais talentosos, técnicos e criativos à disposição, a exemplo de Sergej Milinkovic-Savic, Felipe Anderson, Luis Alberto e Ciro Immobile.
Ao mesmo tempo, seja com o plantel mais limitado, seja com a série de desfalques, nada justifica a pífia atuação dos Biancocelesti no revés diante do recém-promovido Sassuolo. Por sinal, a principal questão da Lazio continua sendo os lados do campo, tendo em vista que o ponta Matteo Cancellieri não apresentou absolutamente nada depois da promissora pré-temporada realizada, enquanto a lateral-esquerda define de forma clara e evidente o atual retrato da equipe, a julgar pela ineficácia de Nuno Tavares na defesa e no ataque.
À vista disso, os questionamentos em torno do trabalho de Maurizio Sarri aumentaram demasiadamente pelos lados de Formello. Aliás, uma insatisfação que pode tomar proporções ainda maiores no caso de um novo insucesso no Derby della Capitale. Sim, a Roma será a próxima adversária da Lazio na Serie A, lembrando que os Gialorrossi sustentam uma invencibilidade de três jogos no clássico romano.

Embora numa fase não tão ruim, a Roma também chega com a confiança em baixa para encarar o primeiro Derby della Capitale da temporada em função da recente derrota por 1 a 0 para o Torino em pleno estádio Olímpico, que acabou com a euforia dos torcedores romanistas depois das vitórias sobre Bologna e Pisa, alimentadas pelo novo início de trabalho de Gian Piero Gasperini, hoje sob pressão.
Sendo assim, o Derby della Capitale apresenta dois caminhos à Lazio: o primeiro deles, na direção de uma reviravolta na temporada através, é claro, de uma vitória; por outro lado, o segundo apontando rumo a uma crise sem precedentes por intermédio de uma possível terceira derrota após 4 rodadas, ou então de um empate, que manteria os Biancocelesti estagnados na Serie A, quer dizer, afundados na parte debaixo da tabela.
Em outras palavras, a Lazio faz a Cidade Eterna reviver dois históricos períodos nos dias atuais, tendo a possibilidade de amanhecer na próxima segunda-feira (22) numa espécie de Pax Romana, estabelecida pelo imperador Otávio Augusto com o fim das guerras civis da República de Roma entre 27 a.C. e 180 d.C., ou literalmente em chamas, como quando Nero a incendiou na noite de 18 de julho de 64 d.C.
Aguardemos!