Três empates e duas derrotas em cinco jogos, que equivalem a três de 15 possíveis pontos conquistados. O pífio desempenho do Aston Villa nesse início de temporada retrata de forma evidente porque o clube de Birmingham está situado na zona da degola da Premier League.
A propósito, um cenário que poderia ser um pouco melhor com os Villans encerrando a 5ª rodada na 14ª posição da tabela caso eles tivessem sustentando a vantagem mínima de 1 a 0 no último jogo contra o recém-promovido Sunderland, algo que não aconteceu após o empate em 1 a 1 no Stadium of Light, mesmo com os pupilos de Unai Emery atuando com jogador a mais desde os 33 minutos da etapa inicial, em razão da expulsão de Reinildo.
Contudo, se por um lado o Aston Villa tem potencial de sobra para evitar um improvável rebaixamento, por outro a briga por vagas em torneios internacionais se mostra bem distante da realidade, o que é fruto, primeiramente, da fraca movimentação do Villa no mercado de transferências neste meio de ano devido a limitações do Fair Play Financeiro. Isso explica porque apenas 30,5 milhões de euros foram gastos na janela em que tanto Jadon Sancho quanto Harvey Elliott chegaram via empréstimo, e que Victor Lindelof veio a custo zero.

Como resultado, basicamente o Aston Villa vem disputando a atual temporada com a equipe que ficou no sexto lugar da edição anterior da Premier League. Ao mesmo tempo, a fundamental reformulação do elenco mais velho da Premier League junto com o Newcastle, ambos assinalando uma elevada média de 28,5 anos de idade, mais uma vez não foi iniciada pelos lados de Birmingham.
Para se ter uma ideia, a linha de quatro homens formada por Matty Cash, Ezri Konsa, Tyrone Mings e Lucas Digne, no empate com o Sunderland, foi exatamente a mesma utilizada pelo antecessor de Unai Emery, Steven Gerrard, na partida frente o Manchester United no Villa Park em janeiro de 2022. De resto, somente Morgan Rogers e Evann Guessand foram contratados pelo Aston Villa desde a vinda do técnico espanhol há quase três anos.
Deste modo, todas as sensações da necessidade do Aston Villa evoluir na pré-temporada realmente se confirmaram após as cinco primeiras rodadas da Premier League, onde se nota que Unai Emery precisa adicionar novos padrões à sua abordagem tática a fim de torná-la menos previsível para compensar o desequilíbrio do plantel, também porque os seus principais concorrentes se fortaleceram na última janela de transferências.
Aliás, é importante destacar que o futebol praticado nos dias de hoje mudou, visto que aquele modelo de jogo baseado na posse de bola controlada, que inclusive tem Unai Emery como adepto, deu lugar a outro mais direto e de transição. Não à toa, os times se tornaram mais físicos, intensos e dinâmicos, características que acabam favorecendo jogadores mais jovens. Em outras palavras, outros dados que sinalizam a urgência por mudanças no Aston Villa.
Vale ressaltar o sucesso alcançado por Unai Emery no Aston Villa através de um trabalho pra lá de autoral que resultou no retorno dos Villans à Champions League após quatro décadas, deu a ele o aval para gerir contratações. Então, como o treinador de 53 anos sempre priorizou o fato de ter uma equipe pronta e capaz de vencer títulos no momento, da mesma forma que ocorreu em suas passagens por Sevilla e Villarreal, o projeto a longo prazo foi deixado em segundo plano no clube inglês, ainda que o departamento de futebol tenha lhe indicado mais de 60 jovens atletas nessa temporada.

Por sinal, a grande parceria entre Unai Emery e o diretor de futebol Monchi, que reinou no Sevilla, voltou ser reeditada no Aston Villa, o que significa que a política de contratações da dupla continua sendo a de trazer jogadores para o aqui e agora. Em contrapartida, a queda de rendimento dos Villans nessa temporada, traduzida também na forma de resultados, aponta que essa filosofia precisar ser ajustada se o clube realmente pretende dar início a transição para que um novo ciclo seja construído.
Em todo o caso, enquanto essa renovação não acontece cabe a Unai Emery encontrar alternativas para uma possível reviravolta na temporada, pois embora o mesmo, o Aston Villa não lembra nem de longe aquele fantástico time que caiu diante do Paris Saint-Germain nas quartas-de-final da Champions League em abril — por 5 a 4, no placar agregado —, a ponto de ser considerado o rival mais difícil do PSG na caminhada rumo ao inédito título europeu.
Ainda assim, de acordo com o supercomputador da Opta Analyst, o Aston Villa desponta como principal favorito ao título da Europa League, certamente, uma projeção fundamentada na boa campanha dos ingleses na temporada passada da Champions League, somada ao glorioso histórico de Unai Emery no torneio, já que dentro de campo o que vemos é um Villa que não consegue vencer nem mesmo os oponentes dos blocos intermediário e inferior da Premier League, a julgar pelos empates com Newcastle, Everton e Sunderland, além das derrotas para Brentford e Crystal Palace. Quer dizer, nenhum clube do Big Six.
Aston Villa are the favourites! 🏆
— Match of the Day (@BBCMOTD) September 11, 2025
Who will win the Europa League trophy in 2026?
The Opta supercomputer has spoken! But do you agree? 🤔 pic.twitter.com/VgSQbMfoAx
Por falar nisso, uma sequência negativa que se estende para sete compromissos se levarmos em consideração a derrota por 2 a 0 para o Manchester United na rodada final da última temporada da Premier League, que anulou qualquer possibilidade do Aston Villa se classificar à Champions League, bem como a recente eliminação ante o Brentford, nos pênaltis, pela 3ª Fase da Copa da Liga.
Logo, o Aston Villa terá de recuperar os pontos perdidos na Premier League justamente nos jogos contra os adversários mais fortes do campeonato, o que deixa a missão de Unai Emery ainda mais complicada em meio a escassa progressão tática do Villa, da nítida impressão de que os atletas já se encontram exaustos na temporada que mal começou, e a de que há um clima de estagnação e desânimo no ambiente interno que, claramente, não é como antes.
Isto posto, que a estreia diante do Bologna na Europa League, competição que tem Unai Emery como o treinador mais vezes campeão com quatro títulos, sirva como inspiração para que o Aston Villa retome não apenas o caminho das vitórias, como a identidade perdida.