Eram diversos os desafios que Antonio Conte tinha pela frente quando desembarcou na capital da Campânia para assumir o comando técnico do Napoli, afinal ele acabava de herdar a equipe que havia encerrado a Serie A na 10ª posição da tabela, protagonizando nada menos que a pior defesa de título da história de um clube na Itália.
Todavia, isso não é nenhuma novidade para Antonio Conte, muito pelo contrário, visto que contratempos fazem parte da trajetória do treinador italiano, a começar pela passagem na Juventus, quando ele chegou a Turim após dois sétimos lugares consecutivos dos Bianconeri na Serie A, além dos trabalhos na Premier League, primeiramente no Chelsea, depois de uma “temporada Mourinho”, seguido do conturbado Tottenham em novembro de 2021, mediante a enorme pressão pela falta de títulos.
No entanto, com excessão ao Tottenham, Antonio Conte jamais deixou de entregar o que dele se esperava nestes trabalhos, a exemplo das seis ligas ganhas por ele nas últimas nove temporadas, incluindo a conquista do quinto scudetto na carreira, desta vez à frente do Napoli, que já lidera isoladamente a atual edição da Serie A com 12 pontos depois do encerramento da 4ª rodada, sendo o único clube com cem por cento de aproveitamento até o momento no campeonato.
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— Lega Serie A (@SerieA) September 22, 2025
A propósito, um desempenho que não se estende por toda a temporada em virtude do revés por 2 a 0 do Napoli frente o Manchester City no Etihad Stadium, pela rodada inicial da fase de liga da Champions League. Por sinal, um resultado que condiz ao retrospecto de Antonio Conte no certame europeu, levando em conta que no primeiro ano de trabalho todos os clubes dirigidos por ele, excluindo a Inter de Milão, não disputaram o torneio continental.
Ainda assim, por mais que a melhor campanha de Antonio Conte na Champions League tenha sido a disputa das quartas-de-final em 2013 no comando da Juventus, é importante destacar que naquela oportunidade os italianos caíram diante do poderoso Bayern de Munique, campeão da tríplice coroa, ao passo que em outras temporadas as dificuldades também foram enormes, haja vista a eliminação do Chelsea para o Barcelona, com o trio de ataque Lionel Messi, Luis Suárez e Ousmane Dembélé, cinco anos depois.
Seja como for, a magistral disparada dos Azzurri neste início de temporada nos apresenta uma versão 3.0 de Antonio Conte, isso porque o ex-treinador da seleção italiana implementou um novo modelo de jogo no Napoli devido a chegada de Kevin De Bruyne. Na temporada passada, o sistema utilizado foi o 4-3-3 — o mesmo da gloriosa passagem de Luciano Spalletti —, cujo meio-campo era composto por Stanislav Lobotka, Andre-Frank Anguissa e Scott McTominay. Em outras palavras, foi a mescla da intensidade do eslovaco, da força e potência do camaronês, além da criatividade e gols por parte do escocês.
Scott McTominay:
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– Vendido pelo Manchester United por € 30,5 milhões
– Erik ten Hag era contra a venda
– United vende visando o Fair Play Financeiro
– McTominay conquista o Campeonato Italiano
– Eleito o melhor jogador da competição
– 18º melhor jogador do mundo pic.twitter.com/jjfAUorM82
Em contrapartida, contratação de Kevin De Bruyne a custo zero, conforme pedido do próprio Antonio Conte, o obrigou a mudar a formação tática do Napoli, lembrando que ele poderia muito bem ter tomado a mesma decisão de Carlo Ancelotti no Parma em 1997 ao rejeitar a vinda de Roberto Baggio, justificando que o craque italiano não se encaixava no 4-4-2, assimilado nos tempos em que foi comandado por Arrigo Sacchi.
Portanto, teoricamente Antonio Conte deveria sacar um dos meio-campistas campeões italianos na temporada anterior para permitir a entrada de Kevin De Bruyne no time e não mudar o que estava funcionando, uma situação bastante similar a vivida por ele em 2011, época em que a Juventus adquiriu Andrea Pirlo de graça junto ao Milan. Entretanto, na ocasião Conte abriu mão do 4-2-4, que lhe rendeu enorme sucesso tanto no Bari quanto no Siena, para introduzir o 3-5-2, esquema que levou a Juve aos primeiros três dos nove scudettos consecutivos conquistados pelo clube.
Na última temporada a história também se repetiu, uma vez que Antonio Conte iniciou a caminhada rumo ao scudetto armando o Napoli no 3-4-2-1 — sua composição predileta —, mas antes mesmo da metade do percurso mudou para o 4-3-3 a fim de aproveitar o máximo dos pontos fortes de Khvicha Kvaratskhelia. Pois é, e após a inusitada venda do georgiano ao PSG, Conte fez de Scott McTominay a sua principal peça em campo, vide os 13 gols e 4 assistências do camisa 8 em seu ano de estreia no clube da Campânia.
Consequentemente, embora estejamos no começo da temporada já é possível notar o Napoli atuando no 4-1-4-1, com Stanislav Lobotka posicionado a frente da defesa, e atrás da linha de quatro homens no meio-campo formada por Matteo Politano, Andre-Frank Anguissa, Kevin De Bruyne e Scott McTominay, porém com o belga tendo total liberdade, por vezes jogando como meia centralizado ou aberto pela esquerda, bem como atacante e até volante ajudando na marcação.

Diante do exposto, fica evidente porque o Napoli é apontado como principal candidato à conquista da Serie A com 29,6% de chances de título, mediante 20,2% da Inter de Milão, e 13% da Juventus, ainda que os pupilos de Antonio Conte tenham a Champions League para competir pararelamente, algo que não aconteceu na triunfal temporada do quarto scudetto napolitano.
Aliás, isso explica porque o Napoli investiu a bagatela de 115 milhões de euros neste meio de ano para atender aos pedidos de Antonio Conte, tanto é que dois atacantes foram contratados para a reserva de Romelu Lukaku, no caso, Rasmus Hojlund para servir como opção nas partidas em que os adversários propõe jogo e acabam deixando espaços em campo, além de Lorenzo Lucca, uma alternativa para os momentos em que os Azzurri estão em desvantagem ou tendo dificuldades contra oponentes que atuam em bloco baixo com a defesa compacta, já que o centroavante de 2,01 metros é fortíssimo no jogo aéreo e também fazendo a função de pivô.
Logo, com o “camaleônico” Antonio Conte em constante evolução e tendo um elenco ainda mais qualificado e com maior número de peças à disposição, é impossível não imaginarmos uma temporada promissora ao Napoli não apenas na Serie A, como também na Champions League.