Embora válido pela 5ª rodada da Ligue 1, o primeiro encontro entre Olympique de Marselha e PSG na temporada 2025-26, marcado pela edição de número 108 do Le Classique, mais parecia uma decisão de campeonato aos marselheses no pulsante Vélodrome.
Além da natural rivalidade que transcende até mesmo aspectos esportivos, diversos eram os elementos que tornavam o Le Classique ainda mais especial, a começar pelo duradouro jejum de quase 14 anos sem vitórias do Olympique de Marselha contra o PSG pela Ligue 1, lembrando que no decorrer deste período, mais especificamente na temporada 2022-23, os parisienses caíram diante dos Les Phocéen por 2 a 1, porém nas oitavas-de-final da Coupe de France.
Por sinal, Didier Deschamps estava à beira do gramado do Vélodrome no último triunfo do Olympique de Marselha no Le Classique pela Ligue 1, em 27 de novembro de 2011 (3 a 0), época em que os marselheses ocupavam somente a 10ª posição do campeonato, à medida que o Paris Saint-Germain liderava a tabela. Ou seja, uma condição bastante similar a essa do mais recente clássico em que o invicto PSG também estava situado no primeiro lugar, e os comandados de Roberto De Zerbi iniciaram a 5ª rodada na 7ª colocação.

Ademais, é importante destacar que a larga distância de 19 pontos que separaram o campeão Paris Saint-Germain em relação ao vice Olympique de Marselha, na temporada passada da Ligue 1, também acabou servindo para alimentar o apetite dos marselheses pela vitória, bem como o fato de Roberto De Zerbi ter perdido os dois Le Classique disputados em seu ano de estreia no comando dos Les Phocéen, compondo assim uma extensa série negativa de cinco derrotas consecutivas.
Diante deste cenário, fica evidente porque Roberto De Zerbi nem precisou se esforçar muito para criar uma atmosfera pra lá de hostil no Vélodrome, enquanto o PSG parecia estar se importando mais com a famosa premiação da Bola de Ouro da revista France Football, que ocorria no naquele mesmo instante na capital francesa, e tinha os parisienses com diversos atletas formando a seleção de 2025, Luis Enrique sendo eleito o vencedor entre os treinadores, além de Ousmane Dembélé ganhando o troféu de melhor jogador do ano.
Deste modo, a bola mal começou a rolar e, embalado pelo ritmo contagiante da torcida, o Olympique de Marselha abriu o placar logo aos 5 minutos com Nayef Aguerd, de cabeça, contando a falha do goleiro Lucas Chevalier. Em desvantagem no marcador, restou ao PSG intensificar a busca pelo gol de empate atacando e controlando a posse de bola como tanto gosta Luis Enrique. Entretanto, as ausências de João Neves e, principalmente, Ousmane Dembélé, Bradley Barcola e Desiree Doué, reduziram o poderio ofensivo dos atuais tetracampeões franceses.
Soma-se a isso o fato de que Geronimo Rulli estava em noite inspirada, tanto é que o goleiro argentino realizou cinco defesas na partida, contra apenas uma de Lucas Chevalier. Ainda assim, cada equipe teve duas grandes chances de balançar as redes no decorrer dos noventa minutos, mas com o Olympique de Marselha — cuja estratégia foi pressionar a marcação e atuar explorando os contra-ataques — assinalando um índice de gols esperados superior em comparação ao PSG, conforme destacado nas estatísticas abaixo:
🇫🇷 | Marseille didn't care!
— Sofascore Football (@SofascoreINT) September 22, 2025
• xG: 1.14 – 0.63
• Shots (on target): 9 (2) – 12 (5)
• Big chances: 3 – 2
• Touches in opp. box: 20 – 13
• Possession: 32% – 68%
While PSG's focus is at least somewhat on the #BallonDor ceremony in Paris, Marseille took advantage and won their… pic.twitter.com/AZl019l7YW
Contudo, o ponto de destaque do Olympique de Marselha foi a solidez defensiva da equipe que não sofreu nenhum gol, algo realmente raro em se tratando de Roberto De Zerbi. Na realidade, o principal ajuste feito pelo treinador italiano foi equilibrar um bloco posicionado baixo o suficiente para privar o Paris Saint-Germain de atacar em profundidade mesmo com defesa alinhada de uma maneira na qual seu time pudesse jogar um pouco mais adiantado, porém sem ceder espaços.
Aliás, a consistência defensiva do Olympique de Marselha — vazado seis vezes em seis partidas disputadas até aqui na temporada — é oriunda das ótimas atuações de Emerson Palmieri. Apesar de não ser o reforço mais chamativo contratado pelo clube na última janela de transferências, ele se tornou rapidamente uma referência dos Les Phocéen em campo e fora das quatro linhas, dada a liderança exercida pelo lateral-esquerdo brasileiro que acumula passagens por Santos Roma, Chelsea e West Ham.
Consequentemente, a vitória do Olympique de Marselha pelo placar mínimo no Le Classique não apenas quebrou a “Maldição do Vélodrome”, como também colocou fim na invencibilidade do Paris Saint-Germain na Ligue 1. Ao mesmo tempo, os marselheses, agora ocupando o sexto posto do campeonato com 9 pontos, diminuíram para apenas três a diferença em relação ao novo líder Monaco.
L'@AS_Monaco en profite pour récupérer le trône de leader 🥇 pic.twitter.com/du8E2XMpzX
— Ligue 1 McDonald's (@Ligue1) September 22, 2025
Seja como for, finalmente o Olympique de Marselha fez uma partida que correspondeu às suas ambições, fazendo com que a esperança da torcida renascesse. Não à toa, na manhã da última terça-feira (23), depois da enorme festa que invadiu a madrugada na Boulevard Michelet, diversos marselheses ainda demonstravam a satisfação com a vitória no Le Classique vestindo a camisa do clube em todos os cantos da cidade da Costa do Mediterrâneo, que literalmente “respira o clube”.
Por outro lado, é inegável que o Olympique de Marselha precisa evoluir alguns estágios para chegar ao ponto de competir diretamente com o PSG na corrida pelo título francês, a julgar que somente Monaco (2017) e Lille (2021) conseguiram superá-lo nas últimas treze temporadas, dada a enorme qualidade dos campeões europeus — sobretudo sob o comando de Luis Enrique —, que mesmo com o setor ofensivo totalmente desfalcado no Le Classique, tiveram plenas condições de regressar à capital com uma vitória ou ao menos um empate na bagagem.
Em todo o caso, o restante da temporada nos mostrará, verdadeiramente, se o fim da “Maldição do Vélodrome” impactará em algo maior ao Olympique de Marselha do que a importante vitória sobre o PSG, como por exemplo, a primeira volta olímpica pela Ligue 1 desde 2010. Portanto, aguardemos as cenas dos próximos capítulos!