A temporada 2024-25 teve um desfecho tão desastroso à Inter de Milão, que era até difícil imaginar como os Nerazzurri superariam os traumas causados pelas sequentes quedas na semifinal da Coppa Italia diante do rival Milan, na última rodada da Serie A, e na decisão da Champions League por intermédio da goleada por 5 a 0 frente o PSG, ainda abastecidas pela inesperada saída do técnico Simone Inzaghi.
No entanto, passadas as 11 rodadas da Serie A neste início de novembro, já é possível afirmar com total convicção que a Inter de Milão está absolutamente recuperada do drama vivido na última temporada, a julgar que os comandados de Cristian Chivu lideram tanto a Serie A — ao lado da Roma ambos com 24 pontos —, quanto a Champions League — com 100% de aproveitamento juntamente com Bayern de Munique e Arsenal —, após as 4 rodadas iniciais do torneio continental.
Vale ressaltar que a tabela da Champions League foi pra lá de favorável aos italianos até a 4ª rodada, tendo em vista que eles enfrentaram apenas adversários que, neste momento, estão situados fora da zona de classificação aos playoffs de repescagem, ou seja, posicionados entre os 25º e 36º lugares, como são os casos de Ajax (2×0), Slavia Praga (3×0), Union St. Gilloise (4×0) e Kairat (2×1).
De qualquer maneira, fica evidente que a Inter de Milão cumpriu as expectativas ao vencê-los, o que lhe garantiu acumular uma gordura considerável para encarar os próximos dificílimos embates contra Atlético de Madrid (f), Liverpool (c), Arsenal (c) e Borussia Dortmund (f) até o final da fase de liga, lembrando que 16 pontos foram suficientes para os oito melhores clubes avançarem diretamente às oitavas-de-final na primeira edição da Champions League nesse formato.
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— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) November 5, 2025
Ao mesmo tempo, a caminhada da Inter de Milão na Serie A não é diferente. Após um começo ruim com duas derrotas em três jogos, os Nerazzurri venceram sete das oito partidas disputadas até a atual pausa referente a Data Fifa, sofrendo somente o revés ante o Napoli neste período cuja mais recente vítima foi a Lazio, derrotada por 2 a 0 no San Siro. Não à toa, eles lideram a Serie A com os mesmos 24 pontos da Roma, ambos com campanhas idênticas (8V-0E-3D), porém superam o clube da capital no saldo de gols.
A propósito, o detalhe que mais chama a atenção nessa renovada Inter de Milão, é que sob o comando de Cristian Chivu a equipe passou a jogar de forma mais intensa, agressiva e vertical, características herdadas pelo treinador romeno junto ao futebol americano, esporte do qual ele é um grande fã. Como resultado, as sessões de treinamentos passaram a ser mais longas em comparação às atividades do antecessor Simone Inzaghi, além de priorizarem a parte física.
A falta de experiência de Cristian Chivu, que havia realizado um único trabalho durante a curta trajetória de 13 jogos à frente do Parma, era um dos pontos que mais preocupava os torcedores interistas. Entretanto, o jovem treinador de 45 anos de idade mostrou enorme maturidade ao manter na Inter de Milão o mesmo esquema tático usado por Simone Inzaghi, que embora tenha fracassado na temporada passada foi crucial para conduzí-la a conquista do Scudetto na retrasada.
Logo, a realidade é que Cristian Chivu aproveitou todo o legado deixado por Simone Inzaghi, e aos poucos foi fazendo alguns ajustes a fim de adequar a Inter de Milão de acordo com suas ideias. Soma-se a isso, o fato da confiança depositada pelo ex-treinador do Parma junto ao elenco, a exemplo do goleiro Yann Sommer, que mesmo em meio as duras críticas recebidas depois da derrota para a Juventus por 4 a 3, foi apoiado e mantido entre os titulares. Ademais, a vice-artilharia de Hakan Çalhanoglu nos faz até esquecer que o turco chegou a entrar em rota de colisão ao buscar uma transferência ao Galatasaray antes da temporada.

Consequentemente, o estilo mais ofensivo de Cristian Chivu já coloca a Inter de Milão como dona do melhor ataque da Serie A com 26 gols, o que equivale a uma média de 2,3 marcados por partida. Inclusive, um índice que sobe ainda mais se levarmos em consideração os 15 jogos válidos por todas as competições na temporada, em que o time balançou as redes o montante de 27 vezes, tendo Lautaro Martínez como principal artilheiro com oito tentos assinalados.
Para se ter uma ideia, além de ter o ataque mais goleador da Serie A, a Inter de Milão é também a equipe que mais criou grandes chances de gol no campeonato (47), a líder em escanteios (80), e a detentora do maior número de toques na área dos adversários (379). Não à toa, os Nerazzurri marcaram em TODAS as partidas até aqui na temporada, contabilizando seis gols a mais em relação ao mesmo ciclo da anterior.
Aliás, um dos maiores méritos de Cristian Chivu foi ampliar o leque de artilheiros da Inter de Milão, pois se Mehdi Taremi, Marko Arnautovic e Joaquín Correa não haviam feito mais que 12 gols em toda a temporada 2024-25, na atual, Lautaro Martínez, Marcus Thuram, Ange-Yoan Bonny e Pio Esposito já registram o total de 19, com seis deles marcados pela dupla de recém-chegados ao clube. Em outras palavras, a ThuLa ganhou a forte concorrência da Pio-Bonny.
Por fim, a evolução de Alessandro Bastoni é surpreendente nessa temporada, sobretudo no que diz respeito a construção das jogadas, o que explica porque o zagueiro italiano que se transforma num verdadeiro lateral pela esquerda durantes as fases ofensivas da Inter de Milão ao triangular com Federico Dimarco no setor, já coleciona 4 assistências, sendo três pela Serie A. Quer dizer, um recorde nas cinco principais ligas europeias, em se tratando de um defensor.
Seja como for, a calejada torcida interista sabe melhor do que ninguém de que nada adianta o sucesso de novembro numa temporada. Em contrapartida, é inegável que a Inter de Milão começou a navegar de forma completamente independente. Com Cristian Chivu no leme, o navio agora segue um rumo diferente, onde os vestígios do passado recente se apagam na mesma proporção que a busca por outros mares e novos ventos se intensificam.