Em dois meses, Luciano Spalletti já fez a Juventus pensar grande novamente

Sessenta dias foram suficientes para que Luciano Spalletti fizesse a Juventus sair de um melancólico outono para um esperançoso Ano-Novo. Não à toa, as perspectivas em Turim são pra lá de positivas visando 2026, das quais se incluem até mesmo o título italiano.

Nem o mais otimista dos torcedores da Juventus acreditava que a equipe brigaria pelo Scudetto quando Luciano Spalletti desembarcou na capital do Piemonte no final de outubro para assumir o antigo posto de Igor Tudor, demitido após o revés pelo placar mínimo diante da Lazio em partida válida pela 8ª rodada da Serie A, que resultou na queda da Juve ao 8º lugar da tabela a seis pontos do então líder Napoli.

A propósito, até mesmo a chegada de Luciano Spalletti não foi capaz de motivar a maior parte da torcida que, claramente, ainda mantinha viva na memória o trabalho aquém das expectativas realizado por ele à frente da seleção italiana. Logo, a realidade é que um dos poucos otimistas em relação à reviravolta dos Bianconeri na temporada era o próprio treinador de 66 anos de idade, a julgar pelas primeiras palavras ditas pelo novo treinador da Juventus aos jogadores e depois publicamente ao afirmar: “Precisamos ter a ambição de voltar à briga pelo Scudetto“.

Aliás, é curioso o fato de que nem o vestiário acreditava em Luciano Spalletti, tendo alguns atletas desconfiando que ele era meio maluco enquanto outros achavam que tratava-se somente de um discurso motivacional. Ou seja, um pensamento que mudou completamente dois meses depois, com a Juventus, embora com um jogo a menos, situada na 5ª posição da Serie A e separada a míseros quatro pontos da primeira colocada Inter de Milão.

Mas o que nos leva a crer que a Juventus está na corrida pelo Scudetto se a distância em comparação à liderança pode chegar a sete pontos caso a Inter de Milão vença o jogo atrasado? São diversos os motivos, a começar pelo calendário da Juve em janeiro, composto por quatro jogos consecutivos contra oponentes de nível técnico inferior que lutam pela sobrevivência na Serie A. Tratam-se de Lecce (c), Sassuolo (f), Cremonese (c) e Cagliari (f), o que significa que o único enfrentamento difícil ocorrerá na última partida do mês frente o Napoli, no Allianz Stadium.

Além disso, a evolução da Juventus é um dos principais fatores que a colocam na batalha pelo Scudetto, tendo em vista que o time registra uma elevada média de 2,13 pontos conquistados por jogo sob o comando de Luciano Spalletti. Por sinal, um dos maiores índices assinalados desde o último título italiano conquistado há cinco anos, que aumentou mediante as recentes vitórias sobre Bologna, Roma e Pisa, respectivamente.

É claro que dois meses não correspondem a uma temporada inteira, porém é bastante animador para a Juventus ver Luciano Spalletti colecionando uma alta taxa de 2,13 pontos por partida, superando os antecessores Igor Tudor (1,76), Thiago Motta (1,79), Massimiliano Allegri em sua segunda passagem pelo clube (1,87), e até mesmo Andrea Pirlo (2,05), campeão tanto da Coppa Itália quanto da Supercopa da Itália em 2021. Para se ter uma ideia, o ex-técnico do Napoli contabiliza a mesma média do último campeão italiano em Turim, Maurizio Sarri.

Outro detalhe relevante foi o crescimento dos jogadores após a chegada de Luciano Spalletti, que da mesma maneira que fez nos tempos de Napoli, vem potencializando o futebol de cada uma das suas peças. O melhor exemplo para justificar isso é Teun Koopmeiners, totalmente revitalizado ao ser descolado para atuar como zagueiro pela esquerda, a ponto dos mais de 50 milhões de euros gastos para contratá-lo junto à Atalanta no ano passado valerem cada centavo investido.

Somam-se a Teun Koopmeiners: Weston McKennie, antes sem espaço com Igor Tudor e hoje realmente intocável na Juventus; Filip Kostic, deciviso ao balançar as redes nos triunfos sobre Cremonese e Fiorentina; Edon Zhegrova, que saiu do banco de reservas para mudou o rumo do jogo contra o Pisa na rodada anterior da Serie A; Jonathan David, autor de dois tentos no Allianz Stadium pela Champions League; além de Lois Openda, responsável pelo gol da recente vitória por 2 a 1 sobre a Roma.

Por fim, a mudança de mentalidade estabelecida por Luciano Spalletti, reconhecida através da autoestima e dos resultados conquistados, foi o ponto crucial para a ascensão da Juventus, isso explica porque a diretoria do clube já planeja prorrogar o atual vínculo contratual do treinador que acaba no final da temporada até 2028, ainda que exista uma cláusula que garanta a renovação automática se a vaga na Champions League for confirmada ao término da Serie A.

Ao mesmo tempo, a Juventus não descarta a possibilidade de ir ao mercado em janeiro a fim de reforçar a equipe na busca pelo Scudetto, além de satisfazer os desejos de Luciano Spalletti. Por essa razão, o nome de Federico Chiesa entrou no radar da Juve, que tem a intenção de trazê-lo via empréstimo até o meio de 2026 aproveitando o interesse do jogador do Liverpool em disputar a próxima Copa do Mundo, em meio a baixíssima minutagem do camisa 14 no clube inglês.

A possível vinda de Federico Chiesa seria essencial para Luciano Spalletti equilibrar os lados do ataque, que já conta com Francisco Conceição pela direita. Do mesmo modo, ela certamente seduziria a principal peça-chave da Juventus, Kenan Yıldız, a rejeitar futuras propostas para continuar no clube que projeta crescer. Um movimento que seria dado sem afetar o orçamento comprometido depois dos 240 milhões de euros despejados pelos Bianconeri somente nesta e na última temporada.

Seja como for, após o deprimente fim de ciclo de Massimiliano Allegri e das pífias trajetórias de Thiago Motta e Igor Tudor, enfim a Juventus voltou a pensar grande com Luciano Spalletti.

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