Se o Tottenham iniciou a temporada tendo 4 frentes para brigar por títulos, o clube do norte de Londres começa 2026 com apenas duas oportunidades, sendo as mais difíceis dentre elas: a Premier League e a Champions League.
Deste modo, fica claro e evidente que tanto a renúncia do ex-mandatário Daniel Levy, quanto a saída do ex-treinador Ange Postecoglou, não resultaram em absolutamente nada ao Tottenham, eliminado da FA Cup logo na partida de estreia frente o Aston Villa ao ser derrotado por 2 a 1 em pleno Tottenham Stadium, por sinal, uma duríssima queda que colocou fim a série de classificações ininterruptas à quarta fase do torneio desde a temporada 2013/2014 — quando eles caíram diante do vizinho e eterno rival, Arsenal.
A propósito, este precoce adeus logo no primeiro compromisso da FA Cup tem um peso simbólico muito maior do que uma mera desclassificação, a começar porque o Tottenham não era eliminado pelo Aston Villa na copa atuando em seus domínios desde o triunfo pelo placar mínimo na temporada 1991-92, isto é, há exatos 34 anos. Na ocasião, ambos inclusive tiveram que disputar o jogo extra — o chamado de replay — depois do empate sem gols no Villa Park.
No entanto, pior do que isso aos torcedores do Tottenham é que essa mais recente vitória do Aston Villa expôs que, esportivamente, o clube de Birmingham superou os Spurs desde que retornou à Premier League em 2019 — após vencer o Derby County na decisão dos playoffs da Championship League, na mesma época em que os londrinos se preparavam para disputar a inédita final da Champions League —, a exemplo da atual terceira colocação do Villa na Premier League, mediante ao 14º lugar dos Spurs, lembrando que os dois estão separados a 16 pontos na tabela.
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Aliás, até mesmo clubes acostumados a figurar na parte intermediária da tabela, conhecida como a classe média da Premier League, se encontram a frente do Tottenham no momento, vide os casos de Brentford, Fulham, Sunderland, Brighton & Hove Albion, Everton e Crystal Palace, considerando ainda que TODOS eles encerraram a edição anterior do campeonato em posições melhores do que os Spurs, e muitos recentemente avançaram à próxima fase da FA Cup.
Pois é, e embora essa realidade possa não se sustentar a longo prazo, é inegável que o Tottenham vem caindo temporada a temporada, seja com técnicos experientes, multi-campeões e renomados como José Mourinho e Antonio Conte à beira do campo, seja com nomes promissores como Ange Postecoglou ou o atual treinador Thomas Frank, cujo futuro é cada vez mais incerto no norte de Londres.
Obviamente, uma incerteza motivada pela escassez de resultados e pelo pífio futebol praticado em campo, que tende a piorar ainda mais depois que Richarlisson lesionou a coxa no primeiro tempo do jogo contra o Aston Villa e, consequentemente, se uniu a Dejan Kulusevski, Rodrigo Betancur, Lucas Bergvall e Mohammed Kudus no departamento médico. Assim, o Tottenham precisou recorrer ao mercado na janela de inverno para trazer o jovem lateral-direito Souza, ex-Santos, além do volante Conor Gallagher, contratado junto ao Atlético de Madrid pelo montante de 40 milhões de euros.
Em outras palavras, um valor realmente inflacionado em função do interesse do Aston Villa, o que significa que para contratá-lo o Tottenham precisou superar essa forte concorrência e, como resultado, atingir a marca de 250 milhões de euros investidos na segunda temporada mais cara da história do clube. Logo, para aliviar a folha de pagamento é provável que o atacante Mathys Tel seja emprestado ao Paris FC em meio a insatisfação pela falta de oportunidades.
We are delighted to announce the signing of Conor Gallagher from Atletico Madrid, subject to international clearance ✍️
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Seja como for, a única saída confirmada pelo Tottenham nesta janela de janeiro foi a do diretor-esportivo Fabio Paratici, que acertou sua ida à Fiorentina após uma segunda passagem também frustrante pelo clube inglês, encerrada especialmente por conta do vínculo com Daniel Levy e pelo atrito criado junto ao CEO Vinai Venkatesham devido a contratação do técnico Thomas Frank para suceder Ange Postecoglou, e acentuada pela não demissão do ex-treinador do Brentford mediante as más atuações e a pífia temporada dos Spurs.
À vista disso, Fabio Paratici acabou se despedindo do Tottenham antes do outro diretor Johan Lange e do próprio técnico Thomas Frank, deixando como legado as boas contratações de Cristian Romero, Micky van de Ven, Rodrigo Bentancur, James Maddison e Dejan Kulusevski, mas sem cumprir as elevadas expectativas geradas no Natal, quando a torcida imaginava que ele desceria de trenó no Tottenham Stadium como um verdadeiro Papai Noel trazendo como presentes um meio-campista capaz de conduzir a bola ao ataque, e um artilheiro com faro de gol.
Em todo o caso, a queda de Fabio Paratici não anula em nada a possibilidade da demissão de Thomas Frank, a julgar pelo enorme desânimo e falta de perspectiva que assola o Tottenham dentro e fora das quatro linhas, simbolizado por duas míseras vitórias conquistadas nas últimas 12 rodadas da Premier League, o que demonstra que o treinador dinamarquês não vem conseguindo nem de longe repetir o bom trabalho realizado à frente do Brentford, onde se destacou pela versatilidade tática e pelo desenvolvimento de jovens jogadores.

Vale ressaltar que uma das principais características do Brentford, de Thomas Frank, era a qualidade nos lançamentos para os homens de frente atacarem os espaços, isto é, um atributo que inexiste nos Spurs, que preferem priorizar o controle através da posse em vez de lançar bolas longas nas costas da defesa adversária. Ou seja, uma significativa mudança no estilo de jogo, talvez, impulsionada pelos dotes do elenco do Tottenham.
Outra crítica relacionada ao trabalho de Thomas Frank é a insistência do treinador ao manter João Palhinha e Rodrigo Betancur atuando juntos no meio-campo, tendo em vista que tratam-se de dois volantes de perfil defensivo. Isso explica porque a dupla costuma trocar inúmeros passes por mais de 30 segundos com os zagueiros Cristian Romero e Micky van de Ven sem chegar a lugar algum. Por este motivo, o Tottenham fica totalmente dependente da individualidade de Mohammed Kudus e Xavi Simons — que até agora não deslanchou.
E sem criatividade, o Tottenham é dono da 17ª pior campanha como mandante na Premier League somando apenas 9 dentre os 30 pontos disputados em dez partidas no Tottenham Stadium, ao mesmo tempo que obtém o segundo melhor desempenho jogando fora de seus domínios no campeonato, registrando 5 vitórias, 3 empates e três derrotas em 11 compromissos como visitante.
Portanto, com Xabi Alonso e Enzo Maresca disponíveis “na pista”, e outros treinadores como Unai Emery, Oliver Glasner, Andoni Iraola, Marco Silva e Cesc Fàbregas desenvolvendo trabalhos bastante acima das expectativas em seus respectivos clubes, a tendência é que Thomas Frank não termine a temporada no, sempre em reconstrução, Tottenham. A ver!