Entre dúvidas e resultados, o Milan reencontra seu caminho com Allegri

A vitória do Milan por 3 a 0 sobre o Bologna, fora de casa, não foi apenas mais um resultado positivo na temporada. Ela serviu para manter intacta a distância de cinco pontos em relação à Internazionale, líder da Serie A, após o encerramento da 23ª rodada. O dado, por si só, já chama atenção, mas o contexto amplia o peso desse momento. O Milan segue vice-líder e, mais do que isso, profundamente inserido na corrida pelo Scudetto.

Esse cenário ganha contornos ainda mais surpreendentes quando lembramos que esta é a primeira temporada de Massimiliano Allegri em seu retorno ao clube. Um retorno carregado de dúvidas, desconfiança e até resistência por parte da torcida e da crítica. Não pela falta de currículo, mas pela identidade de jogo que sempre acompanhou o treinador. Allegri nunca foi sinônimo de encantamento.

O futebol praticado por suas equipes costuma ser descrito como reativo, conservador e excessivamente pragmático. Um estilo que contrasta com a ideia romântica de protagonismo e domínio que muitos associam ao Milan histórico. Para parte do público, Allegri vive mais do peso do nome do que da bola apresentada em campo. Ainda assim, ignorar seus resultados seria negar a realidade.

Porque, goste-se ou não, Allegri é um treinador vencedor. Foi assim na Juventus, onde acumulou títulos e hegemonia doméstica, e também no próprio Milan, quando conquistou o Scudetto em 2011 antes de sua saída. Ele retorna agora em um contexto completamente diferente, encontrando um clube ferido, em reconstrução e fora da Champions League após a decepcionante oitava colocação na temporada anterior da Serie A.

Contudo, a ausência nas competições europeias, vista inicialmente como um fracasso esportivo, acabou se transformando em uma vantagem competitiva clara. O Milan tem um calendário mais limpo, menos desgastante e com maior espaço para recuperação física e preparação tática. Quer dizer, uma condição que contrasta com a rotina pesada de adversários diretos como Inter, Juventus e Roma.

Vale ressaltar que esse fator já se mostrou decisivo recentemente na própria Serie A. O Napoli da temporada passada é o exemplo mais evidente de como focar apenas no cenário doméstico pode potencializar rendimento e regularidade. O Milan, agora, parece trilhar um caminho semelhante. Não por coincidência, no momento os Rossoneri superam os atuais campeões italianos na corrida pelo título.

De qualquer maneira, o que torna essa campanha ainda mais relevante é o fato de o Milan estar à frente de clubes com orçamentos significativamente maiores, como a Juventus. Em teoria, o elenco milanista não figurava entre os favoritos antes do início da temporada. Na prática, porém, o time se mostrou competitivo, organizado e extremamente eficiente dentro da proposta estabelecida.

Os números ajudam a sustentar essa narrativa. Em casa, o Milan conquistou 24 pontos em 11 jogos, um desempenho sólido que o mantêm com a quarta melhor performance entre os mandantes na Serie A, mas é longe de San Siro que os dados realmente impressionam. Fora de seus domínios, são 26 pontos somados, com uma invencibilidade que já dura 12 partidas como visitante, isto é, um desempenho somente inferior em relação ao da Internazionale.

Sete triunfos e cinco empates na estrada não são estatísticas comuns, especialmente em um campeonato historicamente equilibrado como o italiano. Esse rendimento revela não apenas consistência, mas maturidade competitiva. O Milan sabe sofrer, controlar momentos adversos e castigar o erro do rival. Não à toa, os comandados de Massimiliano Allegri se tornaram a terceira equipe do clube a alcançar 50 pontos depois de 23 rodadas na era dos três pontos por vitória.

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Dentro desse contexto, a presença de Luka Modrić como principal referência em campo ganha enorme relevância. Mais do que qualidade técnica, ele oferece liderança, leitura de jogo e controle emocional em partidas decisivas. No auge dos 40 anos de idade, o meio-campista croata é o tipo de jogador que traduz em campo a mentalidade pragmática que Massimiliano Allegri busca implementar.

O projeto também segue em movimento fora das quatro linhas. Depois de romper a barreira dos 160 milhões de euros em contratações no início da temporada, o Milan trouxe Niclas Fullkrug, via empréstimo nessa janela de janeiro, a fim de fortalecer um ataque que ainda carece de alternativas. Trata-se de peça pensada não apenas para volume ofensivo, mas para eficiência em momentos-chave, após as frustrantes negociações envolvendo as vindas de Joshua Zirkzee e Jean-Philippe Mateta, reprovado nos exames médicos.

Tudo isso contribui para uma sensação clara: o Milan já provou que está, de fato, na briga pelo Scudetto. Aquilo que parecia improvável antes da temporada começa a ganhar contornos concretos. O time não apenas acompanha a Inter, como pressiona, ronda e se mantém vivo na disputa tanto por intermédio da solidez defensiva quanto através de um poderio ofensivo que chama a atenção em se tratando do Allegrismo.

Resta agora observar os próximos capítulos dessa história. A corrida direta contra a Internazionale promete ser intensa, estratégica e emocionalmente desgastante até o fim. Se o Milan conseguirá ou não superar sua grande rival, só o tempo dirá — mas a promessa de uma disputa aberta pelo Scudetto está feita.

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