Bayern conquista a DFB-Pokal e fecha a temporada com a tríplice alemã

A temporada 2025-26 do futebol alemão terminou da maneira mais tradicional possível: com o Estádio Olímpico de Berlim tomado por torcedores para a grande decisão da DFB-Pokal. E desta vez, quem voltou a levantar a taça foi o Bayern de Munique, que celebrou mais uma tríplice nacional ao conquistar também a Bundesliga e a Supercopa da Alemanha.

Embora seja o maior campeão da Copa da Alemanha, o Bayern não vencia a competição desde 2020, quando aquela histórica equipe comandada por Hansi Flick conquistou a sêxtupla coroa. Desde então, o Gigante da Baviera até seguiram dominando o cenário nacional através da Bundesliga, mas convivia com um jejum incomum dentro da DFB-Pokal. Por isso, existia uma enorme expectativa dos torcedores bávaros para essa decisão em Berlim. A viagem até a capital alemã acabou se transformando numa verdadeira invasão vermelha, algo absolutamente tradicional dentro da cultura do futebol alemão.

Diferentemente de muitos campeonatos nacionais espalhados pela Europa, a Copa da Alemanha carrega uma atmosfera extremamente popular, festiva e simbólica, principalmente por ser disputada em jogo único na capital do país. E os torcedores do Bayern estavam sedentos por esse reencontro com Berlim. Afinal, fazia seis anos que o clube não dava uma volta olímpica naquela competição. O cenário acabou ficando ainda mais especial pelo contexto do ano construído pelo time de Vincent Kompany. Os bávaros encerram a temporada 2025-26 conquistando Bundesliga, DFB-Pokal e também a Supercopa da Alemanha, consolidando um ciclo extremamente dominante dentro do futebol nacional. Mais do que os títulos, impressiona a maneira como eles os venceram, isto é, jogando de maneira ofensiva, agressiva e intensa. Absolutamente obcecados por atacar durante os noventa minutos.

Os números da equipe bávara ajudam a explicar perfeitamente a dimensão histórica dessa temporada. O Bayern de Munique encerra a atual temporada com incríveis 184 gols marcados em 55 jogos por todas as competições, registrando uma média impressionante de 3,35 tentos por partida. Para se ter uma ideia, somente o trio de ataque composto por Luis Díaz, Michael Olise e Harry Kane balançou as redes o montante de 108 vezes.

Logo, trata-se realmente de um registro absurdo mesmo para os padrões modernos do futebol europeu. Muita gente imediatamente vai recordar daquele histórico Barcelona de Pep Guardiola na temporada 2011-12, que terminou o ano com 182 gols marcados contando com Lionel Messi, Alexis Sánchez e Pedro no setor ofensivo. Contudo, existe um detalhe importante nessa comparação. A equipe espanhola disputou sete partidas a mais naquela oportunidade. Ou seja, proporcionalmente, a média ofensiva do Bayern, de Vincent Kompany, acaba sendo ainda superior. Isso mostra o enrome poderio ofensiva alcançado do Gigante da Baviera.

E muito desse sucesso coletivo passa diretamente pelo trabalho desenvolvido por Vincent Kompany. Havia muitas dúvidas quando o treinador belga desembarcou na Baviera, especialmente pelo fato de ainda ser um técnico relativamente jovem e sem uma longa trajetória em clubes gigantes da Europa. Todavia, o ex-técnico do Burnley rapidamente mostrou personalidade para implementar suas ideias dentro de um ambiente extremamente exigente. Os atuais bicampeões alemães passaram a jogar com pressão alta constante, intensidade física absurda, recuperação rápida da posse de bola e uma agressividade ofensiva que lembra os grandes times europeus das últimas décadas. Assim, Kompany transformou o Bayern novamente numa máquina de fazer gols e conseguiu algo que parecia improvável há poucos anos: devolver brilho estético ao futebol apresentado pelo clube bávaro.

Naturalmente, quando se fala desse Bayern de Munique, é impossível não destacar Michael Olise, Luis Díaz e Harry Kane. Na minha opinião, trata-se atualmente do trio de ataque mais letal do futebol mundial, independentemente do fato dos alemães não terem chegado à final da Champions League. Os números simplesmente falam por si só. Michael Olise encerra a temporada alcançando incríveis 27 assistências, consolidando-se como um dos jogadores mais criativos da Europa. Luis Díaz, com sua velocidade e capacidade de atacar espaços curtos, tornou-se uma arma praticamente imparável nas transições ofensivas. E Harry Kane vive talvez a melhor temporada individual de toda sua carreira. É um ataque absolutamente complementar, equilibrado e que consegue destruir adversários de maneiras completamente diferentes.

E a finalíssima da DFB-Pokal acabou resumindo claramente aquilo que foi o Bayern de Munique no decorrer da temporada. Apesar do placar de 3 a 0, o jogo esteve longe de ser simples durante o primeiro tempo. A equipe liderada por Sebastian Hoeness entrou bastante organizada defensivamente, utilizando uma linha de cinco homens atrás e dificultando bastante os espaços internos dos bávaros. Durante boa parte da etapa inicial, o Stuttgart conseguiu travar a circulação ofensiva dos pupilos de Vincent Kompany e ainda ameaçou em alguns contra-ataques. Foi um primeiro tempo equilibrado, intenso e competitivo.

Entretanto, como aconteceu tantas vezes ao longo da temporada, o Bayern cresceu muito após o intervalo. A equipe passou a controlar completamente o ritmo da partida, aumentou a pressão ofensiva e sufocou o Stuttgart dentro do próprio campo. E foi justamente nesse contexto que Harry Kane voltou a decidir uma grande partida. O atacante inglês marcou os três gols da vitória bávara, incluindo um de pênalti já nos minutos finais da decisão.

Pois é, mais um hat-trick numa final importante da carreira do camisa nove inglês. Com isso, Harry Kane encerra a temporada com números absolutamente absurdos: 61 gols e sete assistências em 51 partidas disputadas. Uma média superior a um gol por jogo, algo impressionante mesmo para os maiores atacantes da história recente do futebol europeu. E o mais curioso é que ele está muito longe de ser apenas um centroavante finalizador. O ex-jogador do Tottenham participa da construção ofensiva do Bayern de maneira ativa. Em muitos momentos, ele deixa a área, recua para o meio-campo e atua como um típico camisa dez na articulação ofensiva do time.

Aliás, essa capacidade de Harry Kane recuar e participar do setor criativo muda completamente o funcionamento ofensivo do Bayern de Munique. O segundo tempo da final deixou isso muito claro. Quando Kane começou a circular mais fora da área e participar diretamente da construção das jogadas, o Stuttgart simplesmente perdeu suas referências defensivas. Os zagueiros já não sabiam se acompanhavam o inglês ou permaneciam posicionados na linha de defesa. Isso abriu espaços fundamentais para infiltrações de Michael Olise, Jamal Musiala e Luis Díaz. É impressionante como uma simples mudança de posicionamento consegue alterar completamente a dinâmica do ataque de um time. Por isso, na minha opinião, o atacante de 32 anos de idade foi o melhor jogador da temporada europeia. Não apenas pelos números absurdos, mas também pela total influência coletiva que exerce em campo.

Outro jogador que merece enorme destaque é Dayot Upamecano. Talvez poucas pessoas imaginassem que o zagueiro francês pudesse atingir esse nível depois de tantas temporadas marcadas por falhas individuais graves. Durante muito tempo, Upamecano carregou a fama de defensor inseguro nos momentos decisivos. Contudo, Vincent Kompany conseguiu recuperar a confiança do camisa 2. Obviamente, a chegada de Jonathan Tah também foi fundamental nesse processo.

Por fim, não outra peça importantíssima dentro da engrenagem montada por Vincent Kompany é Konrad Laimer. O austríaco talvez não receba o mesmo destaque midiático do trio ofensivo, mas sua importância tática dentro da equipe é gigantesca. Trata-se de um jogador extremamente polivalente, capaz de atuar como lateral-direito, lateral-esquerdo, volante ou até mesmo como meio-campista mais avançado dependendo da necessidade do jogo. Essa versatilidade dá ao Bayern inúmeras possibilidades táticas ao longo das partidas. Além disso, Laimer oferece intensidade física praticamente inesgotável, algo fundamental dentro do modelo de pressão alta implementado por Kompany.

Com a conquista da DFB-Pokal, o Bayern de Munique encerra oficialmente uma das temporadas mais ofensivas e impactantes de sua história recente. E mesmo assim, a tendência é que o clube siga ativo no mercado de transferências do meio do ano. A diretoria bávara entende que ainda existem pontos importantes para serem corrigidos dentro do elenco, principalmente no setor defensivo e nas laterais. A expectativa é pela chegada de pelo menos mais um zagueiro, além de reforços tanto para a lateral-direita quanto para a lateral-esquerda. O Bayern também monitora o mercado ofensivo em busca de mais profundidade para o elenco. Afinal, manter um nível competitivo tão alto exige reposição constante e aumento da concorrência interna dentro do grupo.

E um dos nomes mais comentados pela imprensa alemã nas últimas semanas é justamente Anthony Gordon. O ponta do Newcastle United aparece como principal alvo ofensivo do Bayern para a próxima temporada. Rumores indicam que as negociações avançaram consideravelmente e que o jogador inglês pode reforçar a equipe já após a disputa da Copa do Mundo. A contratação faria bastante sentido dentro do modelo implementado por Vincent Kompany. Gordon oferece velocidade, intensidade, capacidade de pressão sem bola e agressividade nos duelos individuais, características valorizadas pelo treinador belga. Caso a contratação realmente aconteça, o ataque do Gigante da Baviera tende a ficar ainda mais forte, aumentando o nível de profundidade do plantel.

O mais impressionante nesse Bayern de Munique talvez seja justamente a sensação de que esse ciclo ainda está apenas começando. Vincent Kompany encontrou uma base sólida para o futuro. Harry Kane vive o auge técnico da carreira, Michael Olise transformou-se num dos principais criadores do futebol europeu e Luis Díaz encaixou perfeitamente dentro da dinâmica ofensiva da equipe. Além disso, jogadores como Joshua Kimmich, Konrad Laimer, Jamal Musiala e Jonathan Tah ajudam a formar uma espinha dorsal extremamente competitiva. O Bayern se despede da temporada dando a volta olímpica em Berlim, faturando mais uma dobradinha e consolidando mais uma vez sua hegemonia no certame do futebol alemão. E olhando para o horizonte, fica a sensação de que essa máquina criada por Kompany pode alcançar voos ainda maiores nos próximos anos.

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