De Paris para a eternidade: PSG conquista o bicampeonato da Champions League

Depois da inédita conquista da Champions League na temporada passada, o Paris Saint-Germain voltou a fazer história. A equipe francesa conquistou a edição 2025-26 da principal competição de clubes do futebol europeu e se tornou bicampeã consecutiva do torneio. Um feito reservado a pouquíssimos gigantes do mundo da bola. Ao erguer novamente a taça mais cobiçada do continente, o PSG não apenas consolidou sua posição entre as grandes potências da Europa, como também escreveu um dos capítulos mais importantes de sua trajetória desde a fundação do clube.

A conquista coloca o Paris Saint-Germain em um seleto grupo de equipes que conseguiram vencer a Champions League em temporadas consecutivas. Clubes históricos como Real Madrid, Liverpool, Inter de Milão, Bayern de Munique, Milan, Benfica e Ajax já haviam alcançado esse feito ao longo da história. Na era moderna da Champions League, entretanto, apenas os madridistas haviam conseguido repetir a dose recentemente, conquistando três títulos seguidos entre 2016 e 2018.

Muito desse sucesso passa pelo trabalho extraordinário realizado por Luis Enrique. Em sua terceira temporada no comando do clube francês, o treinador espanhol transformou completamente a identidade do Paris Saint-Germain. Desde sua chegada ao Parque dos Príncipes, a prioridade deixou de ser a busca por superestrelas e passou a ser a construção de uma equipe sólida, equilibrada e comprometida coletivamente. Uma mudança que encontrou resistência inicial, mas que hoje rende frutos históricos.

O processo de reconstrução não foi simples. Logo nos primeiros meses de trabalho, Luis Enrique viu nomes como Neymar, Lionel Messi e Sergio Ramos deixarem o clube. Pouco tempo depois, o maior símbolo do projeto esportivo parisiense nos últimos anos, Kylian Mbappé, também se despediu. A saída do atacante francês para o Real Madrid foi vista por muitos como um duro golpe para as ambições do PSG, especialmente porque o jogador buscava justamente aumentar suas chances de conquistar a Champions League.

O destino, porém, reservou uma enorme ironia para essa história. Desde que Kylian Mbappé trocou Paris por Madrid, quem passou a dominar o cenário europeu foi justo o PSG. Enquanto o atacante francês seguia sua busca pela taça continental vestindo branco, o clube que ele deixou para trás conquistava duas Champions League consecutivas. Primeiro com a histórica goleada por 5 a 0 sobre a Inter de Milão na temporada passada. Agora, repetindo a façanha e confirmando que seu sucesso está muito além de qualquer individualidade.

Curiosamente, a caminhada do PSG nesta temporada apresentou algumas semelhanças com a campanha vitoriosa anterior. Os franceses não conseguiram terminar a fase de liga entre os oito melhores colocados da competição e precisaram disputar os play-offs. Desta vez, o adversário foi o Monaco. No ano passado, o desafio havia sido o Brest. Em ambos os casos, os parisienses superaram o obstáculo doméstico e iniciaram uma trajetória de crescimento que culminaria novamente na decisão.

Nas fases seguintes, o Paris Saint-Germain voltou a demonstrar sua força diante de adversários da Premier League. A equipe eliminou o Chelsea nas oitavas-de-final e passou pelo Liverpool nas quartas. Assim como havia acontecido na campanha anterior, os ingleses voltaram a cruzar o caminho do PSG e mais uma vez o os comandados de Luis Enrique demonstraram um grau competitivo capaz de rivalizar com qualquer potência do continente.

A semifinal contra o Bayern de Munique foi considerada por muitos especialistas como a verdadeira final antecipada da competição. Frente a frente estavam duas equipes que apresentaram o futebol mais consistente da Europa ao longo da temporada. Os bávaros contavam com um poderoso setor ofensivo formado por Harry Kane, Luis Díaz e Michael Olise, mas encontrou pela frente um time extremamente organizado e preparado para diferentes cenários de jogo.

Foi exatamente essa versatilidade que fez a diferença. O Paris Saint-Germain não depende exclusivamente da posse de bola ou do jogo ofensivo. Quando necessário, a equipe sabe sofrer, defender e competir em alto nível. A classificação diante do Bayern em plena Allianz Arena através do empate em 1 a 1 demonstrou isso com clareza. Mesmo enfrentando uma das atmosferas mais difíceis do futebol europeu, os atuais tetracampeões franceses mantiveram o controle emocional e mostraram maturidade para garantir sua vaga na decisão.

Na final disputada em Budapeste, o adversário foi o Arsenal. Ao contrário do que muitos imaginavam, a partida foi extremamente equilibrada. Mikel Arteta surpreendeu ao armar uma equipe bastante conservadora, utilizando quatro zagueiros de origem em sua linha defensiva, com Cristhian Mosquera atuou improvisado pela direita e Piero Hincapié pela esquerda. A estratégia era clara: fechar os espaços e tentar sobreviver ao poder ofensivo parisiense.

O plano inglês ganhou força quando Kai Havertz abriu o placar logo aos 5 minutos de partida. A partir daquele momento, o Arsenal recuou ainda mais suas linhas e passou a defender a vantagem com todos os jogadores atrás da linha da bola. O problema é que poucos times no futebol europeu conseguem resistir durante tanto tempo à pressão exercida pelo melhor ataque da Champions League com impressionantes 48 gols marcados, incluindo os Gunners, donos da defesa menos vazada do torneio com somente 7 tentos sofridos.

A insistência parisiense acabou sendo recompensada na segunda etapa. Khvicha Kvaratskhelia, novamente brilhando em uma partida decisiva, foi o principal responsável pela reação. O georgiano infernizou a defesa inglesa durante toda a partida e sofreu o pênalti que recolocou o PSG no jogo. Ousmane Dembélé converteu a cobrança e levou a decisão para a prorrogação. O empate parecia até injusto diante dos números apresentados em campo, com ampla superioridade francesa em posse de bola (75% – 25%), finalizações (21 – 7) e volume ofensivo (trocas de passes: 889 – 285).

Nas penalidades, a competência e uma dose inevitável de sorte acabaram sorrindo para o lado parisiense. O erro de Gabriel Magalhães na última cobrança confirmou o bicampeonato europeu e colocou definitivamente esta geração na história do clube. Luis Enrique provou que era possível construir um PSG vencedor sem depender de um elenco formado apenas por superastros. O investimento continuou elevado, mas passou a ser direcionado para a construção de um coletivo forte e competitivo. Com mais um ano de contrato pela frente, o treinador espanhol já começa a olhar para o próximo desafio: a busca por um tricampeonato europeu consecutivo que pode transformar esta equipe em uma das maiores dinastias da Champions League.

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