A temporada 2025-26 terminou de forma melancólica para os torcedores benfiquistas. Isso porque o Benfica encerrou a Liga Portugal ocupando apenas a terceira posição da tabela, atrás dos seus dois maiores rivais, Porto e Sporting.
Portanto, um desfecho frustrante para o clube que iniciou a temporada apontado como um dos favoritos ao título nacional e que, apesar de permanecer invicto ao longo da Liga Portugal, não conseguiu transformar empates em vitórias suficientes para levantar o troféu. O resultado prolonga um jejum que já dura três temporadas e aumenta a pressão sobre uma instituição acostumada a dominar o futebol português ao longo da sua história.
O fato de terminar um campeonato invicto normalmente seria motivo de orgulho para qualquer equipe. No entanto, no caso do Benfica, a sensação predominante foi de fracasso. Isso porque os Encarnados desperdiçaram pontos preciosos diante de adversários tecnicamente inferiores, algo que acabou custando muito caro na disputa pelo título. Empates contra equipes como Rio Ave, Tondela e Casa Pia impediram que o Benfica acompanhasse o ritmo dos rivais diretos, evidenciando que o problema esteve muito mais nas próprias limitações dos comandados de José Mourinho do que na força dos adversários.
A campanha acabou sendo uma síntese perfeita da segunda passagem de José Mourinho pela Luz. O Benfica mostrou-se competitivo nos grandes jogos, mas excessivamente irregular nos confrontos em que tinha a obrigação de vencer. O dado que mais ilustra essa realidade é o fato de a equipe não ter perdido nenhum clássico pela Liga Portugal. Contra Porto e Sporting, os Encarnados foram capazes de competir em igualdade de condições. Porém, ao longo de uma temporada inteira, campeonatos não são vencidos apenas nos confrontos diretos, mas principalmente diante dos oponentes da metade inferior da tabela.
E tudo o Dragão levou… 😪🐉
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Por essa razão, a saída de José Mourinho não surpreendeu ninguém. Embora o treinador tenha chegado cercado de expectativa e carregando consigo uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol, a sua segunda passagem pelo Benfica dificilmente deixará saudades entre os torcedores. O Special One não conseguiu conquistar títulos, não recolocou o clube no topo do futebol português e tampouco foi capaz de levar a equipe a campanhas expressivas nas copas nacionais. Para um treinador do seu tamanho, o saldo final ficou muito abaixo do esperado.
Nas competições nacionais, o desempenho do Benfica foi igualmente decepcionante. Na Taça de Portugal, os Encarnados foram eliminados pelo Porto nas quartas-de-final após derrota por 1 a 0. Já na Taça da Liga, a caminhada terminou ainda antes da decisão, com uma eliminação diante do Braga nas semifinais pelo placar de 3 a 1. Foram tropeços que impediram a equipe de compensar a frustração da Liga Portugal através de uma conquista alternativa, algo que acabou aumentando ainda mais a insatisfação pelos lados da Luz.
No cenário europeu, o Benfica teve apenas um momento verdadeiramente memorável. Na rodada derradeira da fase de liga da Champions League, a equipe derrotou o Real Madrid graças a um gol histórico do goleiro Anatoliy Trubin nos instantes finais da partida. Foi uma daquelas noites que ficam eternizadas na memória dos benfiquistas. O Estádio da Luz viveu uma atmosfera mágica e, naquele instante, parecia que a temporada poderia reservar algo especial para os portugueses.
Entretanto, a realidade tratou rapidamente de esfriar o entusiasmo benfiquista. Pouco tempo depois, o próprio Real Madrid cruzou novamente o caminho do Benfica nos playoffs da Champions League. Desta vez, os espanhóis levaram a melhor e eliminaram a equipe portuguesa. O episódio acabou simbolizando bem a distância que ainda separa os Encarnados da elite do futebol europeu. Capaz de vencer um gigante em uma noite isolada, mas ainda sem consistência suficiente para competir de igual para igual em um confronto de mata-mata.
Assim, o único troféu conquistado pelo Benfica ao longo da temporada veio ainda sob o comando de Bruno Lage. A vitória pelo placar mínimo sobre o Sporting na Supertaça de Portugal garantiu um simbólico título logo no início da campanha. Naquele momento, muitos imaginavam que aquela conquista pudesse representar o começo de uma caminhada vencedora. No entanto, o que se viu nos meses seguintes foi exatamente o contrário, com a volta olímpica no Algarve se tornando somente uma pequena lembrança positiva em meio a um ano marcado por frustrações e oportunidades desperdiçadas.
Nas 7 últimas épocas, o 🦅 Benfica só foi uma vez campeão, não conquistou qualquer Taça e terminou a Liga no 3.º lugar por 3 vezes – conquistou, ainda, 3 Supertaças e uma Taça da Liga pic.twitter.com/RZo4tlqyYG
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Vale ressaltar que quando o Real Madrid demonstrou interesse na contratação de José Mourinho, a direção benfiquista se viu diante de uma situação curiosa. Embora internamente já existissem dúvidas sobre a continuidade do treinador, a possibilidade de perdê-lo para o maior clube do mundo acabou provocando uma mudança de postura momentânea. Ainda assim, o acordo entre Mourinho e os Merengues avançou e a despedida tornou-se inevitável, encerrando uma passagem que nunca conseguiu atingir o nível de expectativa gerado no momento da sua contratação.
O primeiro nome escolhido para substituí-lo foi Ruben Amorim. A aposta fazia sentido. Afinal, Amorim transformou o Sporting ao longo de quatro anos e meio de trabalho, devolvendo protagonismo aos Leões e conquistando títulos importantes. Além disso, a sua ligação histórica com o Benfica alimentava a esperança de um regresso à casa onde construiu parte da sua carreira como jogador. No entanto, o ex-treinador do Manchester United optou por seguir outro caminho e recusou a proposta apresentada pelo presidente Rui Costa.
A negativa de Ruben Amorim representou um duro golpe para os planos da diretoria. Livre no mercado e sem clube naquele momento, ele parecia reunir todas as características desejadas para liderar um novo ciclo. Porém, a decisão de tirar um ano sabático afastou qualquer possibilidade de acordo. O Benfica voltou então ao mercado em busca de alternativas e, após sondar Jorge Jesus, encontrou uma opção que talvez seja ainda mais interessante do ponto de vista estratégico para o futuro da equipe.
Forever a genius. Forever Fulham. 🤍 pic.twitter.com/lACT1rQxG0
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Foi nesse contexto que surgiu o nome de Marco Silva. Após cinco temporadas de enorme sucesso no Fulham, o treinador português decidiu regressar ao seu país natal depois de onze anos trabalhando no exterior. Desde que assumiu o clube londrino em 2021, Marco Silva transformou completamente a realidade da equipe. Os Cottagers deixaram de ser um time marcado por constantes acessos e descensos para se consolidarem como uma presença estável na Premier League, frequentemente ocupando posições intermediárias da tabela e sem maiores preocupações com o rebaixamento.
O desafio que aguarda Marco Silva na Luz, todavia, será muito diferente daquele que encontrou em Londres. No Fulham, o objetivo principal era competir, sobreviver e aproveitar oportunidades diante de adversários mais poderosos financeiramente. No Benfica, a exigência será exatamente oposta. O treinador de 48 anos de idade terá de assumir o protagonismo, controlar os jogos, propor futebol ofensivo e lidar com uma pressão por títulos muito superior. Será uma mudança radical de contexto que permitirá observar uma nova faceta do técnico português.
Ainda assim, a chegada de Marco Silva representa uma mudança de rumo extremamente interessante na Luz. Depois de apostar na experiência e no pragmatismo de José Mourinho, o Benfica escolhe agora um treinador identificado com ideias mais modernas e com uma trajetória recente bastante consistente. Naturalmente, só o tempo dirá se a decisão foi acertada. Mas uma coisa parece evidente: após três temporadas consecutivas sem conquistar a Liga Portugal, os Encarnados precisavam de uma renovação profunda. E o novo técnico benfiquista chega justamente com a missão de devolver ao clube o protagonismo que o seu torcedor considera uma obrigação histórica.