Holanda confirma favoritismo, mas defesa ainda preocupa na Copa de 2026

A Holanda confirmou o favoritismo que carregava desde o sorteio da Copa do Mundo de 2026 e encerrou a fase inicial na liderança do Grupo F. Com sete pontos conquistados em três partidas, a Laranja Mecânica fez a sua parte e garantiu a classificação para a fase de 16 avos-de-final. Mais do que os resultados, os comandados de Ronald Koeman deixaram claro que possuem qualidade suficiente para sonhar com uma campanha longa no Mundial. No entanto, também evidenciaram problemas que podem custar caro diante de adversários mais fortes. O equilíbrio entre virtudes e fragilidades passa a ser o principal desafio holandês daqui para frente.

Os números ajudam a explicar exatamente o momento vivido pela seleção neerlandesa. Até o instante em que este artigo é escrito, a Holanda ostenta o melhor ataque da Copa do Mundo ao lado da Alemanha, ambos com dez tentos marcados em apenas três jogos. Trata-se de um desempenho ofensivo impressionante, resultado de um futebol agressivo, intenso e muito vertical. Entretanto, o outro lado da estatística também chama atenção. A Laranja Mecânica sofreu quatro gols e foi vazada em todas as partidas disputadas, algo que acende um sinal de alerta para a sequência do torneio.

Nem mesmo a já eliminada Tunísia passou em branco diante da defesa holandesa. Mesmo cumprindo apenas tabela na última rodada, os tunisianos conseguiram encontrar espaços e balançar as redes da Laranja Mecânica. O fato evidencia que os problemas defensivos da Holanda não dependem necessariamente da qualidade do adversário. Em diferentes contextos de jogo, a seleção europeia continua oferecendo oportunidades aos rivais, principalmente quando perde a posse da bola e precisa reorganizar rapidamente seu sistema defensivo.

Curiosamente, esse crescimento ofensivo da Holanda começou justamente depois do empate por 2 a 2 diante do Japão, na estreia da Copa do Mundo. Naquela ocasião, Ronald Koeman apostou em Donyell Malen atuando como falso camisa 9 e utilizou Denzel Dumfries desempenhando uma função mais interiorizada na construção das jogadas. A ideia, porém, não produziu o rendimento esperado. Os holandeses tiveram dificuldades para ocupar a área adversária e perderam profundidade em diversos momentos da partida.

Foi então que Ronald Koeman mostrou capacidade de leitura e promoveu mudanças importantes para o segundo compromisso do Mundial. A principal delas foi a entrada de Brian Brobbey como referência ofensiva. A alteração transformou completamente a dinâmica da seleção neerlandesa. Contra a Suécia, a Holanda encontrou espaços desde os primeiros minutos e construiu uma vitória extremamente convincente, aproveitando o cenário favorável criado pelo gol logo no início do jogo.

Com a vantagem construída rapidamente, os holandeses encontraram muito mais espaço para acelerar suas transições ofensivas. Em menos de vinte minutos, Brian Brobbey já havia marcado duas vezes e praticamente definido o confronto. O atacante do Sunderland mostrou exatamente as características que Ronald Koeman buscava para sua equipe. Forte fisicamente, excelente no jogo de pivô e eficiente dentro da área, Brobbey passou a oferecer uma referência constante para os companheiros de ataque.

A boa fase vivida pelo centroavante holandês não chega a ser uma surpresa. Sua temporada pelo Sunderland já indicava que ele poderia exercer esse papel com eficiência em uma competição de alto nível. Com Brian Brobbey fixando os zagueiros adversários, Donyell Malen voltou a atuar em sua posição de origem pelo lado direito, enquanto Cody Gakpo permaneceu aberto pela esquerda. O resultado foi uma distribuição muito mais equilibrada das funções ofensivas da Holanda.

A presença de Donyell Malen aberto pela direita também modificou completamente a participação de Denzel Dumfries. Em vez de atuar constantemente por dentro, o camisa 22 passou a explorar o corredor com muito mais liberdade e profundidade. Seu apoio tornou-se uma arma importante para ampliar o campo ofensivo da Holanda. A movimentação coordenada entre atacante, ponta e lateral tornou a Laranja Mecânica muito mais difícil de ser marcada, principalmente quando conseguia acelerar suas trocas de passes pelos lados do gramado.

Boa parte desse funcionamento ofensivo também passa pela enorme qualidade técnica do meio-campo. Frenkie de Jong continua sendo o cérebro da Holanda, responsável por controlar o ritmo da partida e iniciar praticamente todas as construções das jogadas. Ao seu lado, Tijjani Reijnders oferece intensidade e chegada ao ataque, enquanto Ryan Gravenberch acrescenta força física, condução e capacidade de romper linhas. Trata-se de um setor extremamente poderoso, que dá sustentação ao estilo ofensivo implantado por Ronald Koeman.

Na lateral esquerda, porém, Ronald Koeman ainda busca a melhor solução. Durante boa parte da competição, Micky van de Ven foi utilizado improvisado no setor, privilegiando uma estrutura mais sólida defensivamente. Contra a Tunísia, porém, Nathan Aké assumiu a função e demonstrou maior facilidade para apoiar o ataque. Acostumado a desempenhar essa função em diversos momentos pelo Manchester City, Aké conseguiu oferecer mais profundidade e participou melhor das construções ofensivas.

Apesar da evidente evolução no setor de ataque, o principal problema da Holanda continua sendo a fase defensiva. A Laranja Mecânica frequentemente deixa espaços entre a linha de meio-campo e a defesa, permitindo que os adversários encontrem facilidade para acelerar os contra-ataques. Além disso, a recomposição após a perda da posse de bola ainda acontece de maneira lenta, expondo excessivamente os zagueiros. Esse comportamento pode se tornar um problema enorme diante de oponentes mais organizados ofensivamente.

Outro ponto que merece atenção é o desempenho de Bart Verbruggen. Embora tenha qualidades importantes com a bola nos pés e boa capacidade de reação, o goleiro do Brighton ainda demonstra insegurança nas saídas pelo alto. Em cruzamentos e bolas paradas, algumas decisões equivocadas acabam aumentando a sensação de vulnerabilidade da defesa holandesa. Esse é um fundamento que precisará ser corrigido rapidamente caso a Holanda queira seguir avançando na competição.

Agora, a Holanda mira todas as suas atenções para o confronto diante do Marrocos, após cumprir bem a sua missão e garantir a liderança de um grupo que tinha adversários competitivos como Japão e Suécia. Para se firmar definitivamente entre as principais favoritas ao título da Copa do Mundo de 2026, a Laranja Mecânica precisará corrigir os problemas defensivos já mencionados ao longo deste artigo, especialmente nas transições e na recomposição após perder a posse de bola.

Além disso, outro ponto de interrogação continua sendo Ronald Koeman, um treinador que, na minha visão, ainda não transmite a confiança necessária para conduzir a Laranja Mecânica nos momentos mais decisivos da competição. Ainda assim, é preciso reconhecer que a evolução da Holanda tem sido evidente a cada partida disputada neste Mundial, e, se esse crescimento continuar, os holandeses certamente chegarão muito fortalecidos à reta final da Copa de 2026.

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