Entre amor e ódio, a relação de Mourinho junto aos seus jogadores continua a mesma na Roma. Enquanto isso, a equipe da capital italiana segue despencando na tabela da Serie A.
Quando Tammy Abraham abriu o placar do duelo entre Sassuolo e Roma no Mapei Stadium, aos 35 minutos do segundo tempo, todos imaginavam que os giallorossis retornariam à capital italiana com os três pontos na bagagem. Todavia, Andrea Pinamonti entrou em ação cinco minutos depois, dando números finais ao jogo válido pela 14ª rodada da Serie A 2022/23. E a partir daquele instante, teve início a ruptura envolvendo José Mourinho e Rick Karsdorp.
A revolta de José Mourinho foi motivada pela comum falha de marcação do lateral-direito holandês no lance do gol marcado pelo Sassuolo, lembrando que Rick Karsdorp entrou na partida aos 20 minutos da etapa final, justamente para substituir o titular Zeki Çelik. Vale ressaltar, que Karsdorp foi um dos principais nomes da Roma na última temporada, haja vista o montante de 51 jogos disputados por ele naquela oportunidade.

Rick Karsdorp foi o terceiro jogador mais vezes escalado por José Mourinho na temporada passada ao lado de Roger Ibañez, ambos com 51 jogos, ficando somente atrás de Rui Patrício (54) e Tammy Abraham (53).
De qualquer maneira, essa não é a primeira vez que José Mourinho entra em rota de colisão com algum de seus comandados, haja vista os atritos do treinador português junto aos atacantes Samuel Eto’o e Mario Balotelli, em sua passagem pela Internazionale, ou com Metsut Ozil, Paul Pogba e Eric Dier, em Real Madrid, Manchester United e Tottenham, respectivamente.
Não obstante, José Mourinho também é capaz de estabecer vínculos de extrema fidelidade no vestiário, a julgar pelas fortíssimas ligações criadas com Ricardo Carvalho, ainda nos tempos de Porto, John Terry e Frank Lampard, no Chelsea, além de Javier Zanetti e Zlatan Ibrahimovic, na Internazionale, o que demonstra que relações simbióticas marcam a carreira do Special One.

“Não importava o que Mourinho mandava fazer, eu fazia”. A frase de Didier Drogba retrata a enorme influência que José Mourinho estabeleceu em sua primeira passagem pelo Chelsea entre 2004 a 2007.
Ademais, é importante salientar que este não é o primeiro conflito envolvendo José Mourinho e jogadores na Roma, afinal, o técnico de 59 anos de idade crucificou o comportamento de Bryan Reynolds, Amadou Diawara, Gonzalo Villar e Borja Mayoral, após a vexatória derrota por 6 a 2 frente o Bodo/Glimt, na edição anterior da Conference League. Decerto, não é coincidência que nenhum deles faça parte do elenco romanista nesta temporada.
Por esta razão, é bastante provável que a partida contra o Sassuolo tenha sido a última de Rick Karsdorp vestindo a camisa da Roma, até porque o turco Zeki Çelik assumiu o posto de titular da lateral-direita do time. Pois é, e como a conquista da Conference League na temporada passada fez aumentar ainda mais a idolatria de José Mourinho no clube da capital, a torcida segue ao lado do treinador nesta queda de braço, apesar da queda de rendimento dos giallorossis.
Aliás, a Roma, que no último domingo perdeu o clássico diante da Lazio pelo placar mínimo, e empatou com o Sassuolo em 1 a 1 no meio de semana, despencou para a sétima posição da Serie A, somando 26 pontos em 14 jogos. Logo, não surpreende o fato de mais uma vez José Mourinho arrumar pretextos a fim de desviar as atenções do que realmente acontece dentro das quatro linhas. Ou seja, é Mourinho sendo Mourinho!