PSG e Champions League, um casamento que não vinga

Em 2014, três anos após a compra do PSG por parte do Qatar Sports Investments, o novo mandatário do clube, Nasser Al-Khelaifi, fez a seguinte declaração: “O Paris Saint-Germain tem que ganhar a Champions League em quatro anos”.

Pois é, ainda que a família real catari não afirme publicamente, a intenção na compra do PSG foi somente uma: fortalecer o elo político entre o Catar e a União Europeia, enquanto por detrás deste primeiro plano existe o clube de futebol liderado por Nasser Al-Khelaifi.

Contudo, a realidade é que nove anos já se passaram desde o discurso de Nasser Al-Khelaifi, e o PSG continua sem erguer a orelhuda. Inclusive, mais uma vez a trajetória do PSG está prestes a acabar nas oitavas-de-final da Champions League, ou seja, a mesma fase que o clube foi eliminado em quatro das últimas seis edições do torneio continental.

Obviamente, é comum a oscilação de gigantes europeus a cada temporada da Champions League, basta acompanharmos as campanhas de Manchester City, Barcelona, Liverpool, Bayern, Manchester United e até mesmo do multi-campeão Real Madrid, nos últimos anos. Entretanto, os “tombos” do PSG parecem ser sempre mais dolorosos e marcantes, em virtude da enorme obsessão dos parisienses em vencer a competição.

Aliás, a fixação do Paris Saint-Germain pela Champions League é tanta que o treinador Christophe Galtier decidiu mandar Kylian Mbappé à campo aos 12 minutos do segundo tempo da partida de ontem (14) contra o Bayern, mesmo sabendo que além do craque francês não ter condições médicas para ideais para jogar, ele corria um enorme risco de agravar a lesão muscular que assola a sua coxa esquerda.

Deste modo, fica claro que Christophe Galtier já sente a mesma pressão que determinou as quedas dos antecessores Carlo Ancelotti, Laurent Blanc, Unai Emery, Thomas Tuchel e Mauricio Pochettino, todos retirados do cargo em decorrência de desclassificações na Champions League, apesar de terem conquistado troféus em suas respectivas passagens pelo Parque dos Príncipes.

De qualquer maneira, é inegável que a trajetória dos atuais líderes da Ligue 1 não acabou na Champions League, a julgar que eles caíram diante do Bayern pela diferença mínima. Todavia, é difícil imaginar que o pressionado time que já perdeu mais jogos este ano do que em 2022 inteiro – cinco derrotas em 2023, contra quatro em 2022 -, superará os bávaros na Allianz Arena.

Primeiramente, porque o Bayern se mostra um time mais forte e bem preparado do que o PSG, o que ficou claro não somente através do placar da partida, como também das estatísticas, afinal, os alemães registraram: maior índice de posse de bola (54% a 46%); finalizaram o dobro de vezes (18 a 9); trocaram mais passes (588 a 508); e desarmaram mais ao longo do jogo (21 a 14).

Ademais, o nível de competitividade e intensidade apresentada pelos visitantes foi nitidamente superior em comparação aos anfitriões, tanto é, que os bávaros saíram de campo contabilizando 118,3 km percorridos, ante 110,4 km dos parisienses.

Logo, são enormes as chances do velho discurso do Paris Saint-Germain fazendo referência as dificuldades encontradas pela equipe da Ligue 1 quando enfrenta adversários do grau da Champions League ser repetido daqui a três semanas, algo que até se justificou em 2016, 2018 e 2019, anos em que o PSG encerrou o campeonato marcando mais de 90 pontos e 100 gols, porém que não se encaixa na temporada aonde os comandados de Christophe Galtier já perderam de Lens, Rennes, Olympique de Marselha, Mônaco e Bayern, considerando apenas os dez jogos disputados por eles desde o Réveillon.

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