Um ano depois da pior temporada da história do Málaga, os torcedores malaguistas sofrem a terrível dor do rebaixamento do clube à terceira divisão do futebol espanhol, isto é, para a primeira categoria amadora do país.
Mas por mais dolorosa que seja essa situação, a realidade é que o Málaga segue apenas colhendo os frutos da péssima gestão do seu proprietário Abdullah Al Thani e, especialmente, do gestor judicial José María Muñoz, o administrador externo do clube e principal responsável pelo departamento de futebol, que nada fez após a pífia 18ª colocação dos boquerones na edição anterior da LaLiga 2.
Seja por conta da arrogância, falta de autocrítica, ou da incapacidade de analisar questões mais elementares relacionadas ao futebol, José María Muñoz preferiu remar na mesma direção da última temporada e, consequentemente, instituiu a maior crise da história do clube da Costa do Sol desde sua fundação há 75 anos.
A toda Málaga, perdón. pic.twitter.com/Lp4p3R2u0y
— Málaga CF (@MalagaCF) May 20, 2023
Por sinal, o principal erro cometido por José María Muñoz foi ter mantido Pablo Guede à frente do Málaga mesmo em meio ao quase rebaixamento no ano passado. Pois é, e foram necessárias cinco derrotas e uma vitória nas seis primeiras partidas da temporada, para que, enfim, o dirigente compreendesse que o técnico argentino não estava à altura do cargo.
Peço desculpa porque sou o principal no comando do futebol. O planejamento foi um desastre e os jogadores não corresponderam ao que esperávamos. Não nos cercamos bem na área esportiva, ou seja, tudo que envolve o time principal. Houve outras circunstâncias que não nos favoreceram, sim, mas fomos rebaixados por méritos próprios”.
José María Muñoz, administrador judicial do Málaga
Posteriormente, a escolha por Pepe Mel também se mostrou equivocada, a julgar que o ex-treinador do Las Palmas permaneceu míseros 20 jogos no clube andaluz, dando lugar ao atual comandante da equipe, Sergio Pellicer, o que significa que o Málaga repetiu as mesmas falhas da temporada anterior ao realizar três trocas de técnicos, porém com uma única diferença: naquela oportunidade, José Alberto López, Natxo González e Pablo Guede, passaram por La Rosaleda.
Não à toa, as campanhas do Málaga nas últimas duas temporadas – a anterior com o time escapando da degola, e a atual com o rebaixamento confirmado com duas rodadas de antecedência -, são praticamente iguais, confira:
| Temporada | Posição | V | E | D | GM | GS | Saldo | Pts | Aprov. |
| 2021/22 | 18ª | 11 | 12 | 19 | 36 | 57 | -21 | 45 | 35,7 |
| 2022/23 | 19ª | 10 | 13 | 18 | 36 | 43 | -7 | 43 | 35% |
De qualquer maneira, o que mais surpreende é que há exatos dez anos, o Málaga, na época dirigido por Manuel Pellegrini e composto por renomados atletas como Willy Caballero, Diego Lugano, Martín Demichelis, Jérémy Toulalan, Joaquín, Isco, Júlio Baptista, Javier Saviola e Roque Santa Cruz, caía diante do Borussia Dortmund nas quartas-de-final da Champions League, após um empate sem gols no La Rosaleda, e uma derrota por 3 a 2 no Signal Iduna Park.

Dez anos após disputar as quartas-de-final da Champions League, o Málaga amarga o rebaixamento à terceira divisão, retornando ao futebol não profissional da Espanha pela primeira vez desde 1998.
Obviamente, assistir os boquerones em ação pela Champions League gerou enorme euforia em toda a comunidade malaguenha, na mesma proporção que a famosíssima obra Guarnica, do cidadão mais ilustre de Málaga, Pablo Picasso, causou no final da década de 1930.
Mas ao contrário dos eternizados quadros de Pablo Picasso, o Málaga foi decaindo após sua única participação na Champions League ao longo da história, haja vista as 11ª, 9ª, 8ª e 11ª colocações obtidas até o rebaixamento como lanterna da LaLiga na temporada 2017-18.
E apesar do quase retorno à elite do futebol espanhol no ano seguinte, os andaluzes amargaram péssimas campanhas nas últimas quatro edições da LaLiga 2, incluindo esta atual, com a queda à terceira divisão.
Deste modo, uma série de mudanças são esperadas no Málaga após o término da temporada, incluindo inicialmente a saída de José María Muñoz na tentativa de acalmar os ânimos dos malaguistas.
Logo, ao que tudo indica, o gerente geral do clube, Kike Pérez, deverá assumir o controle do futebol, tendo como obrigação desenvolver um projeto capaz de trazer o Málaga novamente à categoria profissional da Espanha, algo que o tradicional Deportivo La Coruña, por exemplo, não conseguiu nos últimas duas temporadas.
Portanto, cabe a torcida do Málaga se agarrar na única coisa que ninguém jamais será capaz de tirá-la: a fé, um sentimento relativo ao malaguismo!