A força do Sevilla na Europa League mais uma vez prevaleceu, a julgar que os rojiblancos regressaram de Budapeste com o SÉTIMO TÍTULO do torneio na bagagem, o que lhes rendeu uma vaga na fase de grupos da próxima edição da Champions League.
Aliás, se havia alguém que ainda duvidava da mística que envolve o Sevilla na Europa League, agora definitivamente não há mais, visto que os rojiblancos se tornaram heptacampeões do torneio em uma temporada pra lá de turbulenta, na qual tiveram três treinadores no cargo – no caso, Julen Lopetegui, Jorge Sampaoli e José Luis Mendilibar -, e travaram uma dura batalha contra o rebaixamento na maior parte da LaLiga.
Mas em meio aos obstáculos encontrados nas competições de âmbito nacional, paralelamente o Sevilla seguia avançando cada estágio da fase mata-mata da Europa League, trilhando um árduo caminho composto por PSV Eindhoven, Fenerbahce, Manchester United e Juventus, até chegar a Budapeste, vivendo uma espécie de temporada alternativa no calendário.
E apesar do favorável retrospecto de seis vitórias nas seis decisões anteriores da Europa League, o Sevilla desembarcou na capital húngara sabendo do alto risco que corria em conhecer o primeiro vice na história do torneio, já que do outro lado estava a Roma, atual campeã da Conference League e comandada por José Mourinho, também invicto em finais europeias somando cinco triunfos. Logo, um dos dois, ou o treinador português ou o clube andaluz, sairiam de campo com as marcas superadas.
Pois é, o que se viu em Budapeste foi uma batalha intensa, frenética e desgastante, com mais de 140 minutos de partida – contando prorrogação e acréscimos -, que terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar – em virtude dos tentos de Paulo Dybala e Gianluca Mancini (contra) – e sem gols na prorrogação. Nas penalidades, o Sevilla levou a melhor ao bater a Roma por 4 a 1.

Pela sétima vez, a capital da Andaluzia literalmente parou para receber os donos da Europa League.
Contudo, embora de maneira cruel, o título acabou ficando de forma merecida com o Sevilla, o time mais dominante no decorrer da decisão, tendo em conta os 67% de posse de bola dos espanhóis, além das 19 finalizações e 694 passes trocados ao longo do jogo, mediante 11 arremates e 348 trocas de passes por parte dos italianos.
Deste modo, o Sevilla faturou o heptacampeonato da Europa League, se isolando ainda mais no topo da lista dos maiores campeões da competição. Ademais, é importante salientar que quatro das sete finais disputadas pelos rojiblancos foram ganhas através de viradas, ou seja, após eles saírem em desvantagem no marcador.
Fazendo jus ao sagrado lema “nunca desista”, o Sevilla reverteu o placar pra cima do Dnipro, em 2015, e repetiu a dose nas finais diante de Liverpool, em 2016, e Inter de Milão, em 2020, lembrando que esta foi a terceira vez que os andaluzes venceram a decisão da Europa League nos pênaltis, vide os triunfos sobre Espanyol e Benfica, em 2007 e 2014, respectivamente.
| Temporada | Decisão | Local | Treinador |
| 2005/06 | Middlesbrough 0 x 4 Sevilla | Eindhoven | Juande Ramos |
| 2006/07 | Espanyol 2 (1) x (3) 2 Sevilla | Glasgow | Juande Ramos |
| 2013/14 | Sevilla 0 (4) x (2) 0 Benfica | Turim | Unai Emery |
| 2014/15 | Dnipro 2 x 3 Sevilla | Varsóvia | Unai Emery |
| 2015/16 | Liverpool 1 x 3 Sevilla | Basileia | Unai Emery |
| 2019/20 | Sevilla 3 x 2 Inter de Milão | Colônia | Julen Lopetegui |
| 2022/23 | Sevilla 1 (4) x (1) 1 Roma | Budapeste | J. L. Mendilibar |
A propósito, na tabela acima notamos que adversários de peso já sofreram com a mística sevilista na Europa League, como são os casos do Benfica, tricampeão português sob a batuta de Jorge Jesus, além do Liverpool, de Jurgen Klopp, e da Inter de Milão, de Antonio Conte.
E além da Roma, o Manchester United foi outro gigante do futebol europeu que não resistiu a magia que envolve o Sevilla e a Europa League nesta temporada, haja vista os dois gols sofridos pelos ingleses nos cinco minutos finais do jogo de ida das quartas-de-final do torneio, quando eles venciam a partida por 2 a 0 no Old Trafford. Entretanto, o golpe de misericórdia veio no jogo de volta, com os heptacampeões vencendo por 3 a 0.
Nas semifinais, os empates em 1 a 1, tanto em Turim quanto na Andaluzia, encaminhavam o duelo contra a Juventus para os pênaltis, porém aos cinco minutos da prorrogação, o argentino Érik Lamela entrou em ação ao estufar as redes de Wojciech Szczesny, levando ao êxtase os torcedores sevilistas que lotavam o estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Seria o misticismo do Sevilla na Europa League, imperando uma vez mais?
"There’s a special connection between Sevilla and the Europa League"
— UEFA Europa League (@EuropaLeague) June 2, 2023
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De qualquer modo, dos sete canecos da Europa League erguidos pelo Sevilla, este último foi o mais difícil devido aos enormes contratempos enfrentados pelos rojiblancos ao longo da temporada, o que retrata o excelente trabalho realizado pelo treinador José Luis Mendilibar, que precisou de míseros sete jogos em competições internacionais em 24 anos de carreira para dar uma volta olímpica.
À vista disso, a diretoria do Sevilla segue na expectativa de atender aos anseios das arquibancadas, e confirmar a renovação contratual do mais novo integrante da seleta lista de treinadores campeões da Europa League à frente da equipe – ao lado de Juande Ramos, Unai Emery e Julen Lopetegui -, cujo vínculo se encerrará neste meio de ano. Por sinal, este também é o desejo de alguns Mendilovers dentro do próprio vestiário do clube, como são os casos de Bono, Nemanja Gudelj, Ivan Rakitic, Suso e Jesús Navas, detentor de quatro títulos da Europa League no currículo.
Seja como for, a continuidade do treinador de 62 anos de idade seria mais do que justa, e não apenas porque em 16 jogos no cargo ele conduziu o Sevilla ao título da Europa League superando duas duríssimas eliminatórias ante Manchester United e Juventus, além de uma grande decisão contra a Roma, mas também porque os pupilos de Mendilibar conseguiram chegar na última rodada da LaLiga brigando pela sétima posição na tabela e, consequentemente, pela vaga na Conference League.
De qualquer modo, o título em Budapeste garantiu a classificação do Sevilla à Champions League, o que significa que os 32 clubes que disputarão a próxima edição da Europa League terão ao menos chances de vencê-la, a não ser que novamente os rojiblancos terminem a fase de grupos como terceiro colocados, porque a crença de que “o Sevilla foi feito para a Europa League, bem como a Europa League foi feita para o Sevilla”, segue mais viva do que nunca.