A temporada passada foi desastrosa para torcedores de diversos clubes brasileiros, principalmente aos são-paulinos, que viveram momentos infernais acompanhando seu time lutando rodada a rodada contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, além de terem sofrido com três duras eliminações nas demais competições. Não à toa, 2017 pode ser considerado o pior ano da história do São Paulo Futebol Clube. Agora, a pergunta que faço é a seguinte: será que a diretoria aprendeu a lição com a série de erros cometidos durante o último ano, ou em 2018 o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, seguirá a mesma filosofia no comando do Tricolor Paulista?
Temporada 2017:
O São Paulo iniciou a temporada 2017 cheio de expectativas, mas não por conta de grandes contratações, muito pelo contrário, isso porque o eterno ídolo da torcida, Rogério Ceni, estava de volta ao clube, porém desta vez, como treinador da equipe. Sabendo da péssima condição financeira que afligia a instituição, o Mito foi obrigado a trazer somente atletas emprestados, sem vínculos contratuais, ou então apostar em jogadores vindos das categorias de base.
Mesmo com todos estes contratempos a perspectiva dos torcedores era enorme, afinal, Rogério Ceni estava comandando o time fora de campo, enquanto dentro dele, Diego Lugano, carinhosamente apelidado de Dios (significa Deus em espanhol), dava o suporte necessário ao ex-camisa 01, ou seja, os dois líderes da equipe tricampeã mundial em 2005, estavam novamente juntos no Morumbi.
No entanto, tudo não passou de uma mera ilusão, pois o São Paulo foi eliminado do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana em um curtíssimo espaço de tempo, ao passo que no Campeonato Brasileiro, o Tricolor Paulista passou longas 14 rodadas na zona do rebaixamento.

Desmanche do time:
Muitas pessoas ainda afirmam que Rogério Ceni deveria ter iniciado sua carreira fora das quatro linhas assumindo um time de base ou de menor expressão, até aí tudo bem, entretanto, dificilmente um treinador, por mais experiente que ele seja, seria capaz de desenvolver um bom trabalho no São Paulo em 2017, visto que um grave erro foi cometido pela diretoria do clube, em especial, pelo presidente Leco.
Me refiro ao excessivo número de atletas vendidos em plena temporada, justamente quando Rogério Ceni colocava em prática sua filosofia de jogo, através de uma proposta ofensiva, extremamente intensa, com marcação alta, e pressionando bastante a saída de bola do adversário. Para se ter ideia, em um determinado momento, o novato treinador chegou no Centro de Treinamento para realizar as atividades, e descobriu naquele mesmo instante, que mais um de seus pupilos haviam sido negociados pela diretoria.
Devido ao acumulo de maus resultados, Rogério Ceni foi demitido na metade do ano, e em seu lugar chegou Dorival Júnior, lembrando que neste período, vieram os tão aguardados reforços, como Hernanes, Petros, Robert Arboleda, Marcos Guilherme, Jonatan Gómez e Aderllan, isto é, o São Paulo estava montando uma nova equipe na metade do ano, com o Brasileirão a todo vapor.

Os salvadores da pátria:
Na minha opinião, o São Paulo só não foi rebaixado para a Série B por dois motivos: o primeiro deles foi a torcida, que antes carregava consigo o rótulo de “modinha”, por lotar o estádio apenas em jogos decisivos, e provou ao País inteiro que é composta por torcedores que realmente veneram o clube, tanto é, que o Tricolor registrou a segunda maior média de público do Campeonato Brasileiro com 35.227 torcedores por jogo, ficando atrás apenas do Corinthians (40.007), campeão do torneio; o segundo motivo, acredito que tenha sido o retorno do craque Hernanes, cedido por empréstimo pelo Hebei Fortune (China). Diferentemente do que muitos previam, o meia realizou excelentes partidas, sendo uma figura imprescindível na luta do São Paulo contra o rebaixamento. Em virtude de suas boas exibições, o Profeta recebeu elogios do treinador Tite, e seu nome não está descartado na próxima convocação da seleção brasileira.
Não coloco a chegada de Dorival Júnior como fator determinante para a salvação do time no Campeonato Brasileiro, pois não consegui enxergar uma melhora significativa no estilo de jogo da equipe, acredito que o talento individual de Hernanes e o radiante impulso da torcida, foram aspectos mais preponderantes para que o tricampeão mundial terminasse a competição na 13ª posição da tabela.

Renovando as esperanças:
O São Paulo iniciará a nova temporada nesta terça-feira, no CCT da Barra Funda, quando Dorival Júnior reunirá o plantel da equipe pela primeira vez no ano. Com os pés no chão, os torcedores são-paulinos não depositam todas as suas fichas no sucesso do time, até porque o presidente Leco permanece lá, como chefão do clube, desta forma, tudo pode acontecer.
Apesar disso, já podemos considerar alguns acertos da diretoria para 2018, como por exemplo, contratar o ídolo Raí para ser o novo diretor de futebol do São Paulo, que anteriormente, tinha Vinicius Pinotti ocupando o cargo. Creio que pessoas ligadas ao futebol sejam as certas para dirigirem uma equipe, e ainda mais se esse profissional for gabaritado como é o Raí, uma figura ilustre, elogiado por todos no mundo da bola, dono de alguns empreendimentos, dentre eles, a Fundação Gol de Letra e até mesmo de um cinema na região de Pinheiros. Além disso, Raí fez alguns cursos de gestão esportiva e conhece o São Paulo como ninguém.

Ano Novo, vida Nova:
O primeiro ato do ex-capitão são-paulino foi chamar o amigo Ricardo Rocha, também ex-jogador do São Paulo, para ser o gerente de futebol, recordando que mais um assistente será chamado para compor o departamento, e os nomes em pauta são os de Zetti e Diego Lugano, que ainda está em dúvida se encerrará ou não a carreira.
Outro ponto positivo foi a manutenção de Dorival Júnior, afinal, é correto manter o treinador por um longo tempo no comando do time para que ele possa desenvolver com tranquilidade o seu trabalho.
Por último, a não venda de atletas do time titular, principalmente de suas principais peças como Lucas Pratto, Petros, Jucilei, Hernanes, Cueva e Rodrigo Caio, também será essencial para o progresso do Tricolor na atual temporada, e até aqui, ninguém foi negociado. Vale ressaltar que o goleiro Jean, ex-Bahia, foi o único reforço anunciado pela equipe paulista até o momento. Já o lateral-esquerdo Reinaldo e o volante Hudson, retornaram de empréstimo.
Só nos resta saber agora, se o presidente irá ou não interferir na gestão de Raí, assim como o mandatário fez com os ex-diretores Luiz Cunha e Vinicius Pinotti? Aguardemos!