Péssimas administrações levam qualquer entidade ao fundo do poço, ainda que no início tudo pareça mil maravilhas, uma hora a conta chega, e quando isso acontece, geralmente já é tarde demais para lamentar. É exatamente isso que afundou o Milan, visto que tanto o ex-mandatário do clube, Silvio Berlusconi, quanto o investidor chinês, Li Yonghong, deixaram o conjunto milanista literalmente aos cacos. Diante deste cenário, os rossoneros tentam encontrar razões para acreditar em um futuro próspero ao time sete vezes campeão europeu.
Quando Li Yonghong comprou o Milan, muitos projetavam que o Diavolo voltaria a ser forte, e consequentemente, iria brigar pelo scudetto do Calcio, assim como ocorria com frequência na década de 90, época em que os rossoneros eram uma verdadeira potência do futebol europeu. Entretanto, tudo não passou de um mero sonho, já que o investidor chinês perdeu a concessão do clube pelo fato de não ter pago dívidas. Com isso, o fundo norte-americano Elliot Management Corporation, o mesmo que emprestava dinheiro à Li Yonghong, herdou o time de Milão.
A primeira atitude do novo grupo foi injetar o montante de 32 milhões de euros para cobrir o empréstimo não pago pelo empresário chinês. A segunda, foi depositar mais 18 milhões de euros para organizar as finanças do clube, enquanto o terceiro passo, será criar estabilidade através de uma gestão sólida e equilibrada, obviamente com a intenção de colocar a equipe no caminho dos títulos. Já os investimentos em contratações de reforços prometem ser bastante modestos, tanto é, que até agora apenas o goleiro Pepe Reina e o lateral-esquerdo Ivan Strinic chegaram ao San Siro, ambos trazidos à custo zero.
Vale ressaltar, que a mudança no Milan não foi apenas por parte de seu proprietário, dado que um novo presidente foi eleito na semana passada, trata-se do italiano Paolo Scaroni. Através de uma assembleia realizada somente entre acionistas do clube, ficou decidido por unanimidade que Scaroni será o sucessor de Marco Fassone na presidência. O ex-executivo das estatais italianas de energia Eni e Enel, atualmente com 71 anos de idade, cumprirá mandato até junho de 2020.
Outra novidade no Rubro-Negro de Milão, foi o anuncio de Leonardo como diretor esportivo do clube. O ex-lateral da seleção brasileira tetracampeã mundial em 1994, defendeu as cores do Milan entre 1997 e 2002, período em que conquistou um scudetto do Calcio e outro da Copa da Itália. Além disso, Leonardo trabalhou como dirigente do Milan desde que pendurou as chuteiras até 2009, ano em que foi treinador do time, substituindo Carlo Ancelotti. Aliás, experiência o brasileiro tem de sobra, basta lembrarmos que ele foi diretor do PSG de 2011 até 2013.
Embora o Milan tenha terminado o Calcio na sexta posição da tabela, ele estava proibido de participar de competições internacionais nos próximos dois anos, devido aos gastos excessivos na última janela de verão europeia, em outras palavras, por violação do fair play financeiro. Todavia, o departamento jurídico rossonero entrou com uma ação no TAS (Tribunal de Arbitragem Esportivo) solicitando o cancelamento desta proibição. E para a alegria de todos os torcedores milanistas espalhados pelo mundo, o tribunal deu causa ganha ao time, que em virtude disso, disputará a Europa League nesta temporada.
Por mais que Gennaro Gattuso tenha feito um bom trabalho à frente da equipe na temporada anterior, classificando-a inclusive à Europa League, é notório que falta bagagem ao novato técnico de 40 anos. Deste modo, o nome de Antonio Conte, demitido recentemente pelo Chelsea, surgiu com bastante força nos últimos dias, logo, não seria nenhuma surpresa vermos o técnico campeão inglês no ano passado assumindo o comando do time italiano. Totalmente remodelado com um novo dono, presidente, diretor e quem sabe treinador, o Milan segue tentando voltar a ser aquele poderosíssimo esquadrão que aterrorizava os adversários mundo afora.