A nova safra de treinadores brasileiros vem decepcionando em 2018, basta lembrarmos que Jair Ventura, Roger Machado e Zé Ricardo, que começaram o ano em alta, não justificaram todas as expectativas criadas em relação ao desempenho deles. Logo, podemos afirmar que apenas Fábio Carille vingou, visto que o ex-técnico do Corinthians transferiu-se ao mundo árabe depois de conquistar o bicampeonato paulista no primeiro semestre deste ano.
No entanto, é nítido que todos estes jovens comandantes não tiveram o tempo necessário para desenvolver os seus trabalhos, somente Carille teve, porém por seu próprio mérito, já que ele jamais deixou uma sequência de maus resultados o balançar no cargo. Mas Roger Machado não teve a mesma sorte, apesar de seu ótimo aproveitamento à frente do Palmeiras (68,1% de aproveitamento), o treinador gaúcho não resistiu a pressão da torcida e caiu depois de 44 jogos dirigindo o Verdão (27 vitórias, 9 empates e oito derrotas).
Desta maneira fica evidente que a diretoria alviverde não demitiu Roger Machado por conta de seu desempenho, mas sim, pelo péssimo futebol jogado pela equipe em campo. Contudo, virou uma obrigação ver o Palmeiras dar espetáculo nas partidas, tudo devido ao altíssimo investimento feito pelo clube para montar um verdadeiro esquadrão, e como isso não ocorreu, sobrou mais uma vez para o treinador. Aliás, os palmeirenses esperavam que Roger utilizasse o período de pausa do Mundial da Rússia para organizar o time, porém quem assistiu aos jogos pós-Copa do Palestra, percebeu que isso definitivamente não aconteceu.
Na minha opinião, o grande responsável pelo insucesso recente do Palmeiras é o diretor de futebol Alexandre Mattos. A propósito, acho que Mattos é um dirigente extremamente supervalorizado por boa parte da mídia, e se analisarmos com ponderação, o trabalho dele é pífio desde o ano passado. O maior erro do diretor bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro em 2013 e 2014, foi apostar em treinadores sem bagagem para comandar o Verdão, afinal, tanto Eduardo Baptista quanto Roger Machado não tinham a experiência necessária para dirigir um elenco composto por diversas estrelas como Felipe Melo, Dudu, Edu Dracena, Lucas Lima, Fernando Prass, etc.
Para se ter uma ideia, ao longo destes três anos e meio em que Alexandre Mattos coordena a diretoria de futebol do Palmeiras, a equipe já teve o montante de seis treinadores comandando o time, me refiro a Oswaldo de Oliveira, Marcelo Oliveira, Cuca, Eduardo Baptista, Cuca, e Roger Machado. Com isso, a média de cada técnico à frente do conjunto alviverde desde a chegada de Alexandre Mattos, é de somente 40 dias no cargo. Todavia, as constantes trocas não são fenômenos da era Mattos, uma vez que o último treinador que dirigiu o Palestra durante uma temporada inteira, foi Gilson Kleina, em 2013.
No dia seguinte após a demissão de Roger Machado, o Palmeiras já definiu quem será o seu próximo treinador, trata-se de Luiz Felipe Scolari, ídolo dos palmeirenses. Esta será a terceira passagem de Felipão pelo clube, lembrando que ele é o segundo técnico com mais jogos no comando do Campeão do Século ao longo da história, atrás apenas de Oswaldo Brandão. O pentacampeão de 69 anos, já trabalhou no Palmeiras de 1997 a 2000 e de 2010 a 2012, períodos em que ergueu as taças da Copa Libertadores (1999), duas da Copa do Brasil (1998 e 2012), além dos troféus das extintas Copa Mercosul (1998) e do torneio Rio-São Paulo (2000). Por esta razão, Scolari é venerado até hoje pelos torcedores alviverdes.
Embora Luiz Felipe Scolari tenha conquistado diversos títulos no futebol chinês, entre eles o tricampeonato nacional pelo Guangzhou Evergrande, Felipão ficou marcado negativamente depois da humilhante goleada sofrida pelo Brasil por 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, em pleno estádio do Mineirão. Vale ressaltar que o último grande trabalho realizado pelo gaúcho de Passo Fundo no Brasil, foi justamente pelo Palmeiras no final dos anos 90 e início da década de 2000, época em que ele foi chamado para dirigir a seleção brasileira na Copa de 2002, aonde Felipão consagrou-se pentacampeão mundial.
Diante deste cenário, notamos que Alexandre Mattos contratou Felipão mais para gerir o indigesto grupo palmeirense do que para montar um time tático e que jogue um futebol no mínimo convincente. A chegada de Scolari ao Parque Antártica prova que somente um treinador com as costas largas pode ser capaz de lidar com um grupo tão complicado, formado por diversas lideranças, e repleto de estrelismo como é o do Palestra. Acredito, que seria mais fácil Mattos assumir este papel de “psicólogo” pois foi ele quem trouxe todos estes astros ao clube, ou então, que contratasse um profissional do ramo (coaching) para resolver este enorme empecilho. Por essas e outras, creio que o Palmeiras continuará remando contra a maré, sem a perspectiva de um futuro de sucesso, apesar de todo o dinheiro investido na equipe.