A temporada 2018/19 mal começou na Terra da Rainha, e o Manchester United já vive uma fase turbulenta, que só será superada através de vitórias convincentes, ou seja, uma tarefa bastante indigesta para a equipe comandada por José Mourinho, acostumada a jogar um futebol extremamente conservador e pragmático.
Depois de realizar uma pré-temporada abaixo das expectativas nos Estados Unidos, o Manchester United estreou na Premier League vencendo o Leicester por 2 a 1 em seus domínios. Entretanto, o triunfo sobre os Foxes não agradou em nada torcedores presentes no Old Trafford, pois os pupilos de José Mourinho pouco produziram durante a partida, tanto é, que os Red Devils finalizaram apenas seis vezes ao gol de Kasper Schmeichel, ao passo que os visitantes concederam treze arremates à baliza dos mandantes. Além disso, no fator posse de bola, o Manchester United foi inferior ao Leicester, registrando 46% de posse contra 54% do adversário.
No entanto, a justificativa do treinador português para a pífia apresentação de seu time na estreia da liga, foi que ele foi obrigado a escalar uma formação completamente alternativa, uma vez que diversos atletas ainda não estavam à sua disposição por conta de suas condições físicas inadequadas. Mourinho também afirmou que os jogadores não tinham o entrosamento ideal por se tratar do primeiro jogo da temporada regular. Como os Red Devils fizeram a lição de casa somando os três pontos, todos estes argumentos foram relevados tanto pela imprensa quanto pelos torcedores.
Mas logo no jogo seguinte, isto é, na segunda rodada da Premier League, o péssimo rendimento do Manchester United veio à tona novamente, e desta vez, com uma drástica derrota para o modesto Brighton, por 3 a 2, no Falmer Stadium. Aliás, o desastre poderia ter sido muito pior, visto que os atuais vice-campeões ingleses saíram perdendo por 3 a 1 no primeiro tempo da partida, porém o tento de Paul Pogba aos 50 minutos da etapa final, minimizou o revés do conjunto de Old Trafford.

Embora o Manchester United tenha finalizado mais vezes ao gol do Brighton, e tenha tido mais posse de bola, uma chuva de críticas caiu sobre o treinador José Mourinho após a partida no Falmer Stadium, principalmente pelo horroroso desempenho do sistema defensivo da equipe, que já sofreu quatro gols em dois jogos disputados até aqui. Para se ter uma ideia, os Red Devils não sofriam três gols nos primeiros quarenta e cinco minutos de um jogo desde outubro de 2015, quando eles perderam do Arsenal por 3 a 0 em Londres.
Vale ressaltar, que a defesa costuma ser o ponto forte dos times comandados por José Mourinho, não à toa, o treinador português ganhou o rótulo de ‘retranqueiro’ por boa parte da mídia, dado que suas equipes têm como hábito ‘estacionar o ônibus’ na parte defensiva do campo, impedindo com que os adversários transpassem essa verdadeira barreira. Na edição anterior da Premier League, o Manchester United foi vazado somente 28 vezes em 38 partidas disputadas, encerrando a sua participação com a segunda melhor defesa da competição, atrás apenas do Manchester City, líder neste quesito com 27 tentos sofridos.

Diante do cenário atual, a relação do The Special One com o vice-presidente do clube, Ed Woodmard, que já não era boa, literalmente sucumbiu. Ainda no período da pré-temporada, José Mourinho cobrava publicamente a diretoria por não trazer nenhum reforço de peso para a defesa, lembrando que o responsável pelas contratações do Manchester United é exatamente Ed Woodmard. Confira abaixo as palavras do treinador após a goleada sofrida para o Liverpool no período de preparação nos Estados Unidos:
"Forneci uma lista para o clube com cinco jogadores que me interessavam meses atrás e não recebi nenhum até agora. Eu gostaria de ter mais dois atletas, mas não acho que eles serão contratados. Seria ótimo se contratassem pelo menos um."
Na lista de reforços de José Mourinho figuravam os nomes dos zagueiros Toby Alderweireld, Harry Maguire e Jérôme Boateng, isto é, zagueiros experientes e com renome internacional. Todavia, Ed Woodmard não contratou nenhum deles, os únicos reforços que chegaram ao Old Trafford nessa janela de transferências, foram o volante Fred (R$ 240 milhões), o lateral-esquerdo Diogo Dalot (R$ 94,5 milhões) e o goleiro Lee Grant (R$ 7,3 milhões).
Apesar da diretoria não ter atendido os pedidos de José Mourinho, o treinador não tem do que reclamar pois nas últimas duas temporadas, foram gastos o montante de R$ 313 milhões nas compras de Eric Bailly junto ao Villarreal (R$ 163,5 milhões) e Victor Lindeloff junto ao Benfica (R$ 150 milhões), respectivamente. Vale ressaltar, que no ano passado, o volante Nemanja Matic, campeão inglês pelo Chelsea, também foi contratado pelos Red Devils (R$ 192 milhões), portanto, o clube investiu altas cifras para fortalecer o setor defensivo da equipe.
A pergunta que fica agora é a seguinte: conseguirá José Mourinho permanecer no banco de reservas do Old Trafford até o final da temporada? Como citei anteriormente, a permanência do treinador no Manchester United dependerá não apenas de vitórias, mas também de boas atuações de sua equipe. Na minha opinião, o comandante português já começou a Premier League balançando no cargo justamente devido ao deplorável futebol apresentado pelo time desde o ano passado. Creio que este tenha sido o motivo pelo qual a diretoria não tenha contratado os reforços indicados por Mourinho, pois ela está seriamente propícia a uma troca no comando técnico muito antes do que todos nós imaginamos. Aguardemos!