A involução da Seleção Brasileira

Na madrugada desta quarta-feira, a Seleção Brasileira, do técnico Tite, foi derrotada pelo Peru, por 1 a 0, em Los Angeles. Com isso, o Brasil sofreu a sua primeira derrota desde a fatídica eliminação diante da Bélgica, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018.

Para os resultadistas (torcedores que se baseiam apenas nos resultados dos jogos), a Seleção Brasileira continua às mil maravilhas, afinal, a derrota de ontem frente o Peru, foi a primeira sofrida pelo Brasil desde o revés no Mundial Rússia, no ano passado. Mas quem assiste as partidas do selecionado pentacampeão do mundo, tendo o mínimo de atenção, já percebeu há tempos que ele vem encontrando enormes dificuldades neste período pós Copa, ainda mais quando os adversários atuam na defensiva. Isso explica porque os comandados de Tite sofreram um bocado nos confrontos contra as modestas seleções de Camarões (1 x 0), Panamá (1 x 1), Venezuela (0 x 0) e Paraguai (0 x 0), por exemplo.

Além da invencibilidade no período pós Copa do Mundo, ou seja, podendo usar os resultados como muleta, a Copa América acabou sendo outro fator que favoreceu o treinador Tite, visto que o Brasil sagrou-se campeão da competição realizada no próprio País este ano, após 12 anos sem erguer o caneco continental. No entanto, embora a Seleção Brasileira tenha conquistado o título sul-americano, dentro de campo a equipe de Tite deixou bastante à desejar, tanto é, que os pentacampeões mundiais saíram de campo vaiados em alguns jogos (Bolívia, Venezuela e Paraguai). Vale ressaltar ainda, que em Copas América, o Brasil se depara apenas contra seleções de seu continente, logo, o nível técnico dos oponentes não é tão alto como é o da Eurocopa, ou até mesmo da Liga das Nações da UEFA.

Desde 2016 à frente da Seleção Brasileira, Tite acumula o montante de 34 vitórias, 7 empates e apenas duas derrotas no comando do Brasil, obtendo 84,5% de aproveitamento. Números que escondem o futebol ruim apresentado pelo Brasil dentro de campo.
Desde 2016 à frente da Seleção Brasileira, Tite acumula o montante de 34 vitórias, 7 empates e apenas duas derrotas no comando do Brasil, obtendo assim, 84,5% de aproveitamento.

Não podemos negar que o início de Tite na Seleção Brasileira foi excelente, uma vez que o ex-técnico do Corinthians assumiu o comando do Brasil quando ele ocupava a sexta posição nas Eliminatórias da Copa de 2018, isto é, estava fora da zona de classificação ao Mundial da Rússia, tudo reflexo do desastroso trabalho do antecessor, Dunga. Entretanto, assim que Tite começou a sua trajetória à frente da Seleção Brasileira, não foram somente os resultados que se tornaram positivos, muito pelo contrário, o futebol apresentado pelo time mudou da água para o vinho, já que dentro das quatro linhas, víamos uma equipe compacta, organizada tanto ofensiva quanto defensivamente, competitiva, e que quase não cometia erros.

Não à toa, o Brasil encerrou a sua participação nas Eliminatórias da Copa de 2018 na liderança isolada da tabela, dez pontos à frente do vice-colocado, Uruguai, e sendo dono da melhor defesa e do melhor ataque da competição. Aliás, o selecionado verde e amarelo conseguiu a façanha de garantir a sua vaga ao Mundial da Rússia com quatro rodadas de antecedência. Como não poderia deixar de ser, Tite transformou-se em uma espécie de “Salvador da Pátria” para os torcedores brasileiros, mas volto a afirmar, tudo em virtude do excelente futebol apresentado pela Seleção Brasileira naquela oportunidade.

A segunda colocação no ranking de seleções da FIFA, é outro detalhe que esconde o péssimo futebol jogado pelo Brasil na atualidade.
A segunda colocação no ranking de seleções da FIFA, é outro detalhe que esconde debaixo do tapete o péssimo futebol jogado pelo Brasil na atualidade.

Contudo, o desempenho da Seleção Brasileira começou a despencar durante a Copa do Mundo de 2018, uma prova disso é que o Brasil caiu diante de seu primeiro grande adversário no Mundial, a Bélgica, nas quartas de final. A propósito, na fase de grupos da Copa, o time brasileiro já havia passado por um verdadeiro perrengue para superar Sérvia e Costa Rica, e também para arrancar um empate frente à Suíça. Deste modo, a eliminação do Brasil não foi bem digerida pelos torcedores tupiniquins, sobretudo por conta da teimosia de Tite em manter Gabriel Jesus na equipe titular, além da excessiva proteção ao jogador Neymar, mesmo mediante as suas ridículas simulações nos gramados russos.

Como citei anteriormente, o título da Copa América serviu como uma espécie de combustível extra para Tite manter-se no comando da Seleção Brasileira, porém a maior parte da torcida continua com a pulga atrás da orelha em relação ao treinador gaúcho, obviamente, em decorrência do pífio futebol jogado pelo Brasil. A tão esperada renovação, prometida por Tite após a Copa do Mundo, não aconteceu, lembrando que o técnico poderia ter usado a Copa América para realizá-la, montando ali um novo time composto por nomes como os de Vinícius Júnior, Lucas Paquetá, Éder Militão, Renan Lodi, David Neres e Fabinho, já projetando a Copa do Mundo de 2022. Todavia, ele preferiu convocar os veteranos Thiago Silva, Miranda, Daniel Alves, Filipe Luís e Fernandinho, além de ter mantido Gabriel Jesus, o atacante que não marca gols, entre os titulares durante todo o torneio.

Apesar do excelente aproveitamento de Tite na Seleção Brasileira (84,5% de aproveitamento), é nítido que o futebol jogado pelo Brasil continua involuindo. O empate diante da Colômbia (2 x 2) e a derrota frente o Peru (1 x 0), nos últimos dois amistosos realizados pelos pentacampeões mundiais, evidenciam isso, e não devido aos resultados, mas sim, pelo o que foi apresentado pelo time. Uma equipe sem repertório, conservadora, adepta de um único estilo de jogo e incapaz de mudar a forma de jogar, não pode deixar de ser criticada. O pior de tudo, é que depois da inclusão da Liga das Nações da UEFA, o calendário das seleções europeias ficou ainda mais apertado, sendo assim, são remotas as chances da Seleção Brasileira de disputar amistosos contra selecionados do Velho Continente. Consequentemente, o nível do Brasil só tende a cair, fazendo com que o sonho do hexa fique cada vez mais distante da realidade!

 

 

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