O trauma de Diego Simeone

Seis anos após sofrer a derrota mais amarga de sua carreira, o treinador Diego Simeone está de volta à Lisboa com o Atlético de Madrid para, quem sabe, espantar o fantasma do vice-campeonato europeu.

O dia 24 de maio de 2014 ficou eternizado como um dos momentos mais tristes – senão o mais – da história do Atlético Madrid. Isso porque foi exatamente nesta data que os colchoneros caíram diante do Real Madrid na decisão da Champions League 2013/14, realizada no estádio da Luz. Vale ressaltar que perder uma final frente o seu maior adversário já é algo sofrido, porém a forma pela qual os rojiblancos foram derrotados foi ainda pior, visto que eles ganhavam a partida até os 48 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro Sergio Ramos entrou em ação e marcou um gol de cabeça após cobrança de escanteio no último lance do jogo, levando o confronto à prorrogação.

Esgotados fisicamente por ter um elenco mais curto em relação ao Real Madrid, e também psicologicamente devido ao gol sofrido nos acréscimos da segunda etapa, o Atlético de Madrid sucumbiu na prorrogação. Não à toa, os merengues balançaram as redes de Thibaut Courtois três vezes no tempo extra, e assim, voltaram à capital espanhola com o décimo título europeu na bagagem. O sentimento de revolta, desgosto, tristeza e melancolia era perceptível através das lágrimas derramadas por jogadores, membros da comissão técnica e do próprio treinador Diego Simeone no vestiário rojiblanco minutos depois da partida.

É importante salientar que o Atlético de Madrid realizou uma campanha surpreendente na edição 2013/14 da Champions League, sobretudo porque a equipe espanhola tinha recursos financeiros escassos na época. Para se ter uma ideia, os colchoneros encerraram a fase de grupos do torneio invictos, somando 5 vitórias e um empate em seis jogos disputados. Assim, eles avançaram às oitavas de final ocupando a liderança isolada de sua chave com 16 pontos ganhos, isto é, DEZ a mais que o vice-colocado, Zenit.

Posteriormente, o Atleti não teve dificuldades para superar o Milan (5 a 1 no placar agregado) nas oitavas de final. Todavia, os rojiblancos travaram uma batalha épica contra o Barcelona nas quartas de final, lembrando que eles empataram o jogo de ida em 1 a 1 no Camp Nou, e garantiram a sua classificação por conta de um triunfo pelo placar mínimo no Vicente Calderón. Nas semifinais, o Atlético de Madrid bateu o poderoso Chelsea, de José Mourinho, por 3 a 1 em pleno Stamford Bridge, e carimbou a sua vaga na final continental após 40 anos.

O trauma causado pelo vice-título em Lisboa foi tão grande pelos lados do Atlético de Madrid, que até hoje o treinador Diego Simeone não se sente confortável em comentar momentos daquele fatídico jogo. Além de Cholo, o atacante Diego Costa, que ainda integra o elenco colchonero, também esteve presente naquela decisão e continua engasgado após todos estes anos. Na ocasião, o hispano-brasileiro fez um tratamento na coxa a base de placenta de égua para estar em campo, mas no final das contas todo o esforço foi em vão, já que ele atuou somente os primeiros 9 minutos da final. Confira abaixo, as palavras de Diego Costa sobre todo o drama vivido:

Foi um dos momentos mais tristes da minha carreira. Logo no aquecimento antes de começar a partida, eu já percebi uma cãibra. Não acreditei. Tentei me segurar, mas não consegui continuar no jogo e depois de 10 minutos tive que sair de campo. Teria preferido não jogar e abrir espaço para outro companheiro, até porque eu já tinha feito tudo ao longo da temporada”, disse o atacante Diego Costa.

Contudo, fica evidente que o futebol é realmente o esporte do imponderável, afinal, quem seria capaz de imaginar que o Atlético de Madrid teria a chance de erguer a orelhuda no mesmo palco em que o time madrilenho sofreu uma das derrotas mais dolorosas de sua história? Pois é, passados longos seis anos do trágico revés diante de seu eterno rival, os comandados de Diego Simeone terão a grande oportunidade de retornar ao estádio da Luz para conquistar o inédito título da Champions League e, de quebra, apagar de uma vez por todas as más lembranças da decisão de 2014 que ainda os atormentam. Aguardemos!

Deixar um comentário

Menu