Inglês, naturalizado português

A evolução do Wolverhampton nas últimos anos deve-se ao excelente trabalho realizado pelo treinador Nuno Espírito Santo, que transformou a equipe de West Midlands em uma verdadeira filial portuguesa na Terra da Rainha.

Fundado em 1877, o Wolverhampton é uma das equipes mais tradicionais da Inglaterra, tendo no currículo três canecos do campeonato nacional e quatro da FA Cup. Mas infelizmente, graves problemas financeiros assolaram os Wolves nas últimas décadas, levando-os a viver uma duríssima realidade. Todavia, a maré mudou pelos lados do Molineux Stadium em 2016, quando o milionário Guo Guangchang comprou o clube e adquiriu 20% da agência do empresário Jorge Mendes, e melhoraram ainda mais assim que Nuno Espírito Santo assumiu o comando do time no ano seguinte.

Sob a gestão de Guo Guangchang, o Wolverhampton literalmente trocou o idioma inglês pelo português, visto que diversos jogadores lusitanos passaram a ser contratados pelos Wolves. Em 2016, Helder Costa, João Teixeira e Ivan Cavaleiro chegaram ao Molineux Stadium. Um ano depois, foram as vezes de Rúben Neves, Roderick Miranda e do treinador Nuno Espírito Santos desembarcarem em West Midlands, ao passo que nas últimas duas temporadas, Rui Patrício, Rúben Vinagre, João Moutinho, Diogo Jota, Bruno Jordão, Pedro Neto e Daniel Podence juntarem-se aos seus conterrâneos.

Para se ter uma ideia, a diretoria do Wolverhampton despejou o montante de 135 milhões de euros (R$ 847,8 milhões, na cotação atual) apenas em negociações envolvendo atletas portugueses, todos é claro, agenciados por Jorge Mendes. Assim, os Wolves só evoluíram, tanto é, que eles regressaram à Premier League já na primeira temporada de Nuno Espírito Santo à frente da equipe, e detalhe, através de uma incrível campanha que foi coroada com o título da Championship League 2017/18.

E não para por aí, pois ao contrário do que muitos imaginavam, os pupilos de Nuno Espírito Santo foram sétimo colocados logo em seu primeiro ano de retorno na Premier League, o que lhes garantiu a inédita vaga na Europa League. Aliás, é importante salientar que na última temporada, o Wolverhampton repetiu o mesmo feito ao ficar novamente na sétima posição do campeonato, ou seja, duas ótimas campanhas do time que é dono do décimo elenco mais valioso da Inglaterra.

E diante de todo o sucesso alcançado pelo Wolves neste período recente, a diretoria segue apostando nos portugueses, uma prova disso é o novato Fábio Silva, de 18 anos de idade, que foi contratado junto ao Porto por 40 milhões de euros (R$ 250,4 milhões). Vale ressaltar, que o atacante defendeu as cores dos Dragões apenas 531 minutos, nos quais marcou três gols e concedeu duas assistências, tornando-se o jogador mais jovem a balançar as redes com a camisa azul e branca ao longo da história. Além dele, o brasileiro Marçal, ex-Lyon, também chegou ao Molineux Stadium nesta janela.

Com isso, subiram para NOVE o número de portugueses no elenco do Wolverhampton. Em termos de comparação, o Porto, atual campeão nacional, conta com doze jogadores lusos em seu plantel. A propósito, os Wolves já contrataram nove ex-atletas portistas, sendo que três deles – Diogo Jota, Rúben Neves, e agora Fábio Silva – vieram diretamente da equipe. A excelente relação de Nuno Espírito Santo com a diretoria de seu ex-clube, facilita na hora das negociações, e no final das contas, o treinador acabou se tornando o principal “cliente” dos Dragões.

Para finalizar, o Wolverhampton ainda busca reforçar a lateral-direita por conta da saída de Matt Doherty ao Tottenham. E como não poderia deixar de ser, outro atleta do Porto encabeça a lista de preferidos de Nuno Espírito Santo, trata-se de Tomás Esteves. No entanto, a grande prioridade dos Wolves no momento, é estender o vínculo contratual do treinador português até 2023, lembrando que o atual se encerrará ao término da próxima temporada. A estreia da “filial lusa” na Premier League será daqui a quatro dias (14), contra o indigesto Sheffield United no Bramall Lane.

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