Nada dura para sempre

Foi gigante a contribuição de Diego Simeone para a evolução do Atlético de Madrid, mas os recentes fracassos e o péssimo futebol jogado pelo time espanhol, comprovam que o ciclo entre ambos já chegou ao fim.

A precoce e melancólica queda dos colchoneros na fase de grupos da Champions League, é mais um retrato que Diego Simeone não consegue extrair mais nada do Atlético de Madrid. Desde dezembro de 2011 à frente da equipe, o treinador argentino só sobrevive no cargo em virtude de sua enorme idolatria no clube, pois é inegável que qualquer outro treinador já teria sido demitido com o time apresentando um futebol tão abaixo das expectativas.

Aliás, a forçada continuidade de Diego Simeone à frente do Atlético de Madrid, vem somente colaborando para que a sua história seja manchada no clube que mudou de patamar na última década em função do excelente trabalho desenvolvido pelo técnico de 52 anos de idade, afinal, o estilo de jogo de Simeone, popularmente conhecido como cholismo, e baseado na incansável entrega dos atletas em campo, já não surta nenhum tipo de efeito na equipe.

Por sinal, algumas frases ditas por Diego Simeone exemplificam perfeitamente a essência do cholismo, tais como: “O esforço não é negociado, não tolero passividade”; “Nem sempre os mocinhos vencem, os lutadores sim”; “Se coração e mente estão unidos, não há impossível”. Ou seja, citações que não condizem em nada com este atual Atlético de Madrid.

Os títulos da Europa League, Supercopa da UEFA, e da LaLiga por parte do Atleti nos últimos cinco anos, pressupõe que o cholismo ainda funciona pelo menos em termos de resultados, a julgar que qualquer clube espanhol estaria satisfeito com este histórico. Todavia, esta tese não se justifica de acordo com o futebol praticado pelos colchoneros desde a temporada passada.

Por esta razão, o ideal seria Diego Simeone ter deixado o Atlético de Madrid ao término da temporada 2019/20, isto é, após a conquista da LaLiga, aonde já era perceptível o declínio do cholismo através da perda da motivação dos jogadores, além da fragilidade defensiva do time. Assim, Simeone não somente deixaria a sua imagem de ídolo e vencedor intacta, como também abriria a possibilidade para que tanto ele quanto o clube, dessem início a um novo ciclo.

Mas como isso não aconteceu, o Atleti segue acumulando prejuízos esportivos e financeiros, vide a eliminação na Champions League sem nem ao menos disputar a Europa League, o que tirou-lhe a chance de embolsar os R$ 49,6 milhões concedidos aos times que chegam nas oitavas-de-final, ou mais R$ 55 milhões aos que avançam às quartas, embora a soma destes valores não seja suficiente para pagar o salário de R$ 234 milhões por temporada de Diego Simeone. 

Consequentemente, a paixão da torcida junto ao treinador argentino vem esfriando na mesma proporção que o até outrora eficaz, 4-4-2, sucumbiu. Não à toa, o tradicional canto “Ole! Ah! Ah! Cholo Simeone!”, perde cada vez mais força no estádio Metropolitano. Portanto, fica claro que a trajetória de Simeone no Atlético de Madrid terminou há tempos, porém o vínculo afetuoso que une clube e treinador, impossibilita-os compreender que nada dura para sempre.

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