A troca de treinador não funcionou ao Bayern nesta reta final de temporada

Embora ainda seja muito cedo para avaliar o trabalho de Thomas Tuchel na Baviera, já é possível afirmar que “o tiro do Bayern de Munique saiu pela culatra” ao contratá-lo nesta decisiva reta final de temporada.

Apesar do Bayern ter reassumido a liderança da Bundesliga em função da goleada sobre o Borussia Dortmund por 4 a 2 no clássico que marcou estreia de Thomas Tuchel no clube, a recente queda dos bávaros diante o Freiburg nas quartas-de-final da Copa da Alemanha em plena Allianz Arena (2 a 1), e a derrota por 3 a 0 frente o Manchester City no jogo de ida das quartas-de-final da Champions League, realmente não estavam no roteiro dos decacampeões alemães.

Pois é, e mesmo que existam chances do Bayern reverter a desvantagem de três gols em relação ao Manchester City no jogo de volta, em Munique, é inegável que elas são pra lá de mínimas, sobretudo porque do outro lado está um dos melhores – senão o melhor – time da Europa na atualidade.

E ainda que seja é impossível prever como o Bayern estaria se não tivesse trocado de treinador, é importante destacar que sob a direção de Julian Nagelsmann o Gigante da Baviera chegou às quartas-de-final da Champions League registrando 100% de aproveitamento, somando 8 vitórias em oito jogos disputados, e sendo vazado apenas duas vezes até aquele momento.

Logo, os bávaros sofreram mais gols no primeiro jogo sob o comando de Thomas Tuchel na Champions League do que em todas as oito partidas anteriores com Julian Nagelsmann no cargo, lembrando que eles enfrentaram fortíssimos adversários no decorrer do torneio, como são os casos de Barcelona e Inter de Milão na fase de grupos da competição, além do PSG nas oitavas-de-final.

Por outro lado, é necessário compreender que Thomas Tuchel não é nenhum salvador da pátria, por mais que ele tenha vencido o título da Champions League pelo Chelsea em circunstâncias parecidas com as atuais em 2021.

Deste modo, é errado destinar toda a responsabilidade das derrotas do Bayern nas copas, única e exclusivamente ao técnico Thomas Tuchel, e elencamos alguns pontos que justificam esta tese:

Yann Sommer, o substituto de Neuer

Contratado pelo Bayern no início do ano para substituir Manuel Neuer, que quebrou a perna devido a um acidente de esqui depois do Mundial do Catar, Yann Sommer jamais passou a confiança necessária no gol, embora ele ainda seja melhor do que o terceiro goleiro, Sven Ulreich.
E apesar das ótimas intervenções no Etihad Stadium, o ex-goleiro do Borussia Monchengladbach poderia ter defendido o arremate de Rodri no instante em que a partida ainda estava empatada sem gols e com os bávaros melhor em campo.
Por fim, a dificuldade de Yann Sommer em jogar com os pés tem causado agonia na torcida, vide um lance que quase resultou em gol contra o PSG, na fase anterior da Champions League.

A falta de um atacante

Desde a saída de Robert Lewandowski no ano passado, o Bayern segue com uma enorme lacuna no ataque por não ter contratado nenhum atacante à altura para substituí-lo, tanto é, que Serge Gnabry atuou como centroavante no jogo frente o Manchester City. Para se ter uma ideia, a melhor opção do elenco bávaro com as características de Lewandowski é Eric Maxim Choupo-Moting, que até evoluiu nesta temporada mas, tecnicamente, continua distante do polonês.

Contratações erradas

A não contratação de uma peça de reposição para Robert Lewandowski, retrata que o Bayern de Munique errou de forma crucial no mercado de transferências, especialmente considerando que nos últimos anos os decacampeões alemães despejaram o montante de 150 milhões de euros para comprar os zagueiros Lucas Hernández (80m) e Matthijs de Ligt (70m), ao invés de investir na vinda de um atacante. Não à toa, o artilheiro do Gigante da Baviera na temporada é Jamal Musiala com apenas 11 tentos marcados.

A inconsistência dos jogadores

Com tantas alterações de ordem tática realizadas ao longo da temporada, e agora com a troca de treinadores e, consequentemente, uma mudança de filosofia de jogo e de trabalho, a inconsistência dos jogadores bávaros fica visível em campo, haja vista a tenebrosa partida de Dayot Upamecano diante do Manchester City, que inclusive levou o portal Kicker a dar uma nota 5,5 ao zagueiro francês, isto é, uma baixa avaliação que só havia acontecido duas vezes desde que Upamecano se mudou para a Alemanha em 2017, portanto, um período que inclui 234 jogos em que ele defendeu as cores de RB Leipzig e Bayern de Munique.
Além de Dayot Upamecano, é nítido que Jamal Musiala, Serge Gnabry, Thomas Muller, Leroy Sané e Sadio Mané, também estão sofrendo com a falta de consistência.

Diante disso tudo, fica evidente que a muito provável eliminação do Bayern de Munique nas quartas-de-final da Champions League ocorreria com Julian Nagelsmann ou Thomas Tuchel à beira do campo, pois os problemas que assolam os bávaros transcendem as quatro linhas, e também se refletem na campanha dos líderes da Bundesliga com dois de vantagem em comparação ao Borussia Dortmund, a sete rodadas do término do campeonato.

Deixar um comentário

Menu