A ‘era Xabi Alonso’, definitivamente, começou no Real Madrid

O ciclo de Xabi Alonso mal começou e já vem apresentando uma série de novidades ao Real Madrid, o que já era realmente aguardado quando o ex-volante madridista foi anunciado como sucessor de Carlo Ancelotti no Bernabéu.

Vale ressaltar que apenas as chegadas de Dean Huijsen e Trent Alexander-Arnold já seriam suficientes para dar uma nova cara ao Real Madrid, que tanto sofreu com Lucas Vázquez substituindo Dani Carvajal na lateral-direita, e ao mesmo tempo precisou lidar com as ausências dos também lesionados Éder Militão e David Alaba, ao longo da temporada em que Aurélien Tchouaméni teve de ser improvisado na defesa em diversas oportunidades, seja ao lado de Antonio Rudiger, seja juntamente com Raúl Asencio.

No entanto, estes problemas relacionados a contusões no setor defensivo que já haviam assolado o Real Madrid na temporada retrasada, na qual Carlo Ancelotti conseguiu contorná-los através de adaptações com as peças do próprio elenco, não foram resolvidos pela diretoria por intermédio de contratações e, assim, os Merengues fracassaram na corrida pelos títulos espanhol e europeu.

Contudo, bastou a saída de Carlo Ancelotti se confirmar para o Real Madrid ir ao mercador reforçar o plantel com as contratações de Dean Huijsen e Trent Alexander-Arnold. De qualquer maneira, as principais mudanças vistas neste início de trabalho de Xabi Alonso correspondem a parte tática, a começar pela implementação de um sistema com três zagueiros, como é o caso do 3-5-2.

Por ter usado o 3-4-2-1 na maior parte da sua passagem pelo Bayer Leverkusen, já era previsto que Xabi Alonso também adotaria um esquema com três zagueiros no Real Madrid, sobretudo porque o trabalho desenvolvido pelo jovem treinador de 43 anos de idade no clube alemão foi bastante autoral, por mais que modelos compostos por uma linha de quatro homens na defesa viessem sendo utilizados há mais de uma década pelos antecessores Zinedine Zidane, Julen Lopetegui, Santiago Solari, e Carlo Ancelotti.

Em contrapartida, além de três zagueiros a abordagem de Xabi Alonso também trouxe a inclusão de alas no lugar dos laterais pelos lados do campo, como são os casos de Trent Alexander-Arnold, pela direita, e Fran García, pela esquerda. Soma-se a isso, a nova função desempenhada por Vinícius Júnior, uma vez que o craque brasileiro deixou de jogar como ponta para formar uma dupla de ataque com Gonzalo García.

Taticamente, Xabi Alonso, adiantou as linhas do Real Madrid a fim de pressionar a saída de bola do adversário, com praticamente todos os jogadores posicionados no campo do oponente. Quer dizer, uma abordagem completamente oposta em comparação a de Carlo Ancelotti, cuja característica era jogar em bloco médio, forçando a marcação no meio-campo.

Deste modo, diante de tantas transformações as expectativas eram que Xabi Alonso trabalhasse essa nova formação apenas depois da Copa do Mundo de Clubes, porém a realidade é que o treinador espanhol já vem utilizando o Mundial como a pré-temporada madridista, é claro, na tentativa de moldar os jogadores ao seu estilo de jogo o mais ligeiramente possível.

Assim, além das atividades em campo, fora das quatro linhas Xabi Alonso vem abastecendo os jogadores de informações através de vídeos gravados com drones durante as sessões de treinamento, com a intenção de que todos assimilem as suas ideias de forma mais rápida. Seja como for, a dúvida é como o vestiário reagirá às exigências do seu novo técnico, tendo em mente que Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti eram mais flexíveis no trato junto ao grupo de atletas, por vezes, dando-lhe até autonomia para tomar as suas próprias decisões.

Ademais, um dos principais méritos de Xabi Alonso no Bayer Leverkusen foi potencializar o futebol dos jogadores, a exemplo de Florian Wirtz, que sob o seu comando viveu as melhores temporadas da carreira. Pois é, e embora cedo, o Real Madrid também já passou a colher esses frutos, a julgar pela evolução do meia Arda Güler, além das grandes atuações do novato atacante Gonzalo García, autor de 4 gols e 1 assistência nos cinco jogos da Copa do Mundo de Clubes.

Por sinal, é importante salientar que no decorrer da temporada, Gonzalo García atuou em somente 3 partidas da LaLiga e outra da Copa do Rei, que juntas contabilizam 61′ minutos de jogo. Todavia, com o inesperado desfalque de Kylian Mbappé, devido a uma gastroenterite aguda, o camisa 30 recebeu a chance de defender as cores do Real Madrid nos Estados Unidos, e vem aproveitando muito bem, inclusive superando Endrick na concorrência, tanto é que Xabi Alonso já descartou a hipótese da contratação de um atacante.

Por outro lado, essa condição não se atribui a Rodrygo, que depois de perder espaço no final da temporada da LaLiga, ainda sob a liderança de Carlo Ancelotti, também vem recebendo pouquíssimas oportunidades com Xabi Alonso. Aliás, desde a estreia na Copa do Mundo de Clubes como titular contra o Al-Hilal, o ex-jogador do Santos só esteve em ação em 27′ minutos somando as demais partidas frente RB Salzburg e Borussia Dormund, o que se subentende que ele está, verdadeiramente, de saída.

Em todo o caso, o provável adeus de Rodrygo também deve-se ao fato do brasileiro não estar nos planos do Real Madrid, a julgar pelos 45 milhões de euros investidos para contratar Franco Mastantuono junto ao River Plate, lembrando que o lateral -esquerdo Álvaro Carreras deve ser o quarto reforço recebido por Xabi Alonso, que também aguarda a chegada de um novo volante mediante a ida de Luka Modric ao Milan, e o acerto entre Martín Zubimendi e Arsenal.

Em outras palavras, a ‘era Xabi Alonso’ começou mais cedo que o esperado no Real Madrid!

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