Há um ano, a Juventus apresentava Thiago Motta como novo treinador da equipe, um anúncio que, somado aos 200 milhões de euros desembolsados pelo clube que mais investiu na temporada passada do futebol italiano, renovaram totalmente as esperanças dos Bianconeri.
A propósito, uma euforia absolutamente natural considerando o final da duríssima segunda passagem de Massimiliano Allegri pela Juventus, o trabalho pra lá de promissor realizado por Thiago Motta à frente do Bologna, além das chegadas de Teun Koopmeiners, Nico González, Francisco Conceição, Khéphren Thuram, Douglas Luiz, Michele Di Gregorio e Juan Cabal ao clube.
No entanto, as perspectivas ficaram bem distantes da realidade ao término da temporada, a julgar que a Juventus não ergueu nenhum caneco, ao contrário da anterior em que o time venceu a Coppa Italia sob a batuta de Massimiliano Allegri. Aliás, a Juve não esteve nem próxima de dar uma volta olímpica, a começar pelo quarto lugar na tabela da Serie A, com 12 pontos de distância em relação ao campeão Napoli, e a apenas um da quinta colocada Roma.

Com Thiago Motta a Juventus venceu 18 de 42 jogos, registrando 43% de vitórias, uma taxa apenas superior a Luigi Delneri (40%) e Sandro Puppo (24%) entre técnicos com o mínimo de 40 partidas.
Ademais, as campanhas da Juventus nas copas também foram decepcionantes, vide a queda diante do rebaixado Empoli em pleno Juventus Stadium pelas quartas-de-final da Coppa Italia, da derrota por 2 a 1 — de virada — para o Milan nas semifinais da Supercopa da Itália, além da precoce eliminação nos playoffs de repescagem da Champions League frente o PSV Eindhoven, após a pífia 20ª colocação na fase de liga do torneio continental.
Consequentemente, Thiago Motta foi demitido em meados de março, dando lugar ao sucessor Igor Tudor. De fato, uma atitude tomada pela diretoria da Juventus a fim de salvar a temporada, ao menos, assegurando a vaga no G-4 da Serie A, já que o técnico ítalo-brasileiro despediu-se do cargo deixando a equipe na 5ª posição do campeonato, depois do revés por 3 a 0 contra a Fiorentina.
De qualquer maneira, por mais que a Juventus não tenha convencido após a vinda de Igor Tudor, as 5 vitórias, 3 empates, 1 derrota, 13 gols marcados e sete sofridos no decorrer das nove rodadas com o ex-treinador da Lazio à beira do campo na Serie A, acabaram sendo suficientes para os Bianconeri garantirem a classificação à próxima edição da Champions League.

A Fiorentina não vencia a Juventus em Florença por 3 gols de diferença há 27 anos. Aliás, essa foi a primeira vez que a Juve perdeu da Viola por 7 a 0, no agregado, numa edição da Serie A.
Deste modo, a Juventus desembarcou em solo norte-americano para a disputa da Copa do Mundo de Clubes mais tranquila após a intensa batalha travada pelo G-4 na reta final da Serie A, tendo como ideia principal antecipar a pré-temporada, enquanto Igor Tudor, cujo contrato foi renovado até 2027, avaliava o elenco que ainda passará por grandes mudanças neste meio de ano.
Por sinal, uma reformulação que já teve início através da chegada de Jonathan David, o primeiro reforço apresentado pela Juventus nessa janela, lembrando que o atacante canadense transferiu-se sem custos em virtude do encerramento do antigo vínculo contratual junto ao Lille. Pois é, e ele mal chegou e já vem causando polêmica por querer utilizar a camisa 9, atualmente usada por Dusan Vlahovic, um debate que pode ganhar maior repercussão caso Victor Osimhen também seja contratado.
Vale ressaltar ainda, que existe a situação envolvendo Randal Kolo Muani, que passou a segunda metade da temporada emprestado pelo PSG, e segue com o futuro indefinido. Portanto, diante destes rumores envolvendo tantos atacantes fica evidente que a continuidade de Dusan Vlahovic é bastante improvável em Turim, sobretudo porque ele não conseguiu repetir o sucesso alcançado na Fiorentina. Logo, resta saber quem será o novo dono da camisa 9 da Juventus.
Entretanto, a saída de Dusan Vlahovic, representada pela liberação de 11 milhões de euros na folha salarial do clube, será uma dentre várias na Juventus até porque os Bianconeri necessitam da entrada de recursos econômicos para não infringirem as regras do Fair Play Financeiro e, com isso, terem a possibilidade de fazer contratações. Além disso, muitos reforços trazidos pela Juve na última temporada foram pagos agora, como são os casos de Nico González, Lloyd Kelly, Pierre Kalulu e Michele Di Gregorio. Como resultado, 73,9 milhões de euros já foram gastos no mercado.
Benvenuto a casa, Jonathan! 🏡⚪️⚫️ pic.twitter.com/D1WvdQuucn
— JuventusFC (@juventusfc) July 5, 2025
Inclusive, outros que deverão seguir o mesmo caminho de Dusan Vlahovic são os meio-campistas Douglas Luiz e Nico González, ambos na lista de transferências da Juventus um ano depois das suas respectivas contratações. Além deles, a intenção da Juve é negociar Arthur, Tiago Djalò e Filip Kostic — todos retornando de empréstimos — em definitivo nesta nova temporada.
Na realidade, os cofres da Juventus poderiam estar mais cheios caso Timothy Weah tivesse aceitado a proposta oferecida pelo Nottingham Forest. Em todo o caso, os italianos continuam dispostos a negociar tanto o ponta norte-americano quanto o belga Samuel Mbangula. Como o plantel alvinegro é composto por 33 atletas, isso contando os emprestados que regressaram ao clube, é natural que o número de saídas seja superior em comparação ao de chegadas.
Por outro lado, algumas peças são inegociáveis, tais como o zagueiro Federico Gatti, o lateral-esquerdo Andrea Cambiaso, os meio-campistas Manuel Locatelli e Khéphren Thuram, além do meia Kenan Yıldız. A ideia do técnico Igor Tudor é mantê-los como referências da equipe que ainda busca as contratações de Leonardo Balerdi, do Olympique de Marselha, Giovanni Leoni, grata revelação do Parma, e do ponta Jadon Sancho, do Manchester United.
À vista disso, fica evidente que o novo projeto esportivo da Juventus visa o sucesso a curto, médio e longo prazo, se mostrando bastante sólido e consistente, embora as expectativas não sejam tão altas como há um ano.