Os traumas da última temporada já fazem parte do passado para a Inter de Milão

Trauma: de acordo com o dicionário ‘Aurélio’, refere-se a uma lesão física (traumatismo) ou, mais comumente em psicologia, a uma experiência emocional intensamente dolorosa que causa uma marca duradoura, podendo gerar perturbações psíquicas ou comportamentais, como medo, susto ou sentimentos de desamparo, resultando em uma ferida na psique. 

Pois é, e na prática podemos destacar a Inter de Milão para exemplificar um verdadeiro trauma, tendo em vista que os Nerazzurri perderam a oportunidade de vencer a tríplice coroa de uma só vez na reta final da temporada anterior em função da eliminação frente o Milan nas semifinais da Coppa Italia, da queda diante do Napoli na briga pelo Scudetto da Serie A na última rodada, e da maior goleada da história sofrida numa decisão de Champions League.

E sem querer ser repetitivo, visto que citei todos esses detalhes nos mais recentes artigos que publiquei sobre a Inter de Milão, os torcedores interistas ainda precisaram lidar com o inesperado adeus do técnico Simone Inzaghi que, seduzido pela fortuna saudita, transferiu-se ao Al-Hilal 48 horas depois da derrota por 5 a 0 frente o Paris Saint-Germain na trágica final da Champions League, em Munique.

Deste modo, após a inusitada negativa por parte de Cesc Fàbregas, Cristian Chivu desembarcou na capital da Lombardia para suceder Simone Inzaghi na Inter de Milão, tendo pela frente a ingrata missão de comandá-la na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, quando todos os traumas dos italianos estavam vivíssimos na memória. Por essa razão, a eliminação contra o Fluminense nas quartas-de-final acabou até sendo um alívio simbolizado pelo desfecho da nebulosa temporada 2024-25.

De qualquer maneira, apesar do forte impacto da última temporada a Inter de Milão já se mostra absolutamente recuperada neste final de ano, a julgar pela liderança da Serie A conquistada na vitória por 2 a 1 sobre o Genoa na rodada passada em pleno Luigi Ferraris, que inclusive colocou fim a sequência de cinco jogos consecutivos sem derrotas dos genoveses em meio a chegada do técnico Daniele De Rossi.

Ainda assim, é óbvio que liderar a tabela em dezembro não significa nada considerando que a temporada só termina em maio, sobretudo em se tratado da Serie A, visto que a Inter de Milão é a QUARTA equipe diferente a ocupar o posto mais alto da classicação, por onde também já passaram Napoli, durante 7 rodadas, Milan, em 4, além da Roma, uma única vez, ao longo das 15 jornadas disputadas até aqui, lembrando que essa é a terceira por parte dos Nerazzurri, sendo a primeira de forma isolada.

A propósito, o elevadíssimo grau de competitividade da Serie A merece um parágrafo em destaque, uma vez que nenhuma outra liga do futebol europeu se mostra tão acirrada quanto a italiana, algo que não é novidade levando em conta que quatro clubes distintos faturaram o Scudetto somente nos últimos seis anos, ou seja, desde o fim da extensa hegemonia de nove temporadas da Juventus.

Em todo o caso, a Inter de Milão não dá a volta olímpica pela Serie A desde a histórica vitória sobre o Milan por 2 a 1, em 22 de abril de 2024 — com gols de Francesco Acerbi e Marcus Thuram —, no Derby della Madonnina cujo mando de campo era dos Rossoneri, o que significa que os Nerazzurri festejaram a conquista do 20º Scudetto — com cinco rodadas de antecedência — graças a um triunfo sobre o maior rival pela primeira vez em todos os tempos.

E passados pouco mais de 600 dias, a Inter de Milão está novamente na liderança da Serie A. Sim, é verdade que a equipe também ocupou a primeira posição na temporada 2024-25, mas nunca até então sob o comando do técnico Cristian Chivu, que apesar de inexperiente se provou inteligente por ter mantido o mesmo esquema tático de Simone Inzaghi, aproveitando assim os bons frutos plantados pelo antecessor, o que não quer dizer que o desempenho em campo seja igual.

Para se ter uma ideia, a Internazionale, campeã italiana com Inzaghi, encerrou a 15ª rodada da Serie A na temporada 2023-24 contabilizando cinco pontos a mais do que os 33 assinalados no momento. Ademais, naquela oportunidade o time colecionava três derrotas a menos, 37 contra 34 gols marcados e metade dos tentos sofridos, tendo em mente as 14 vezes em que os pupilos de Cristian Chivu já foram vazados na competição.

Seja como for, apesar dos números defensivos inferiores é notória a evolução da Inter de Milão no que diz respeito a defesa mais ousada, capaz de criar oportunidades e até marcar gols, tanto é que seis dos 33 feitos pelos Nerazzurri na Serie A vieram de defensores, sendo este o maior registro no quesito ao lado do Como. Além disso, por jogar com as linhas mais avançadas, a média de impedimentos gerados subiu de 1,08 para 1,4 por jogo nessa temporada.

Soma-se a isso, o aspecto de que o número de gols marcados é quase o mesmo em comparação a da campanha do último Scudetto, a exemplo da média de 2,34 por jogo que caiu ligeiramente para 2,27. Todavia, o que muda realmente é o índice de conversão que despencou de 49,6% para 33,9%, devido a taxa de 3,18 da temporada retrasada ante a atual de 4,18, que sinaliza a maior dificuldade da Inter de Milão em aproveitar as grandes ocasiões nas partidas.  

Isto posto, é unânime o fato de que Cristian Chivu precisará ajustar dois pontos primordias para que a Inter de Milão vença mais um Scudetto ao término da temporada. O primeiro deles, a solidez defensiva do clube detentor da sétima melhor defesa do campeonato com uma média próxima a um gol sofrido por jogo. Por fim, começar a capitalizar as diversas chances criadas no decorrer das partidas.

Se isso acontecer, as probabilidades que hoje colocam a Inter de Milão como a grande candidata à conquista do Scudetto com 49,3% de chances de ganhá-lo certamente aumentarão, afinal, o trauma da temporada 2024-25 já faz parte do passado.

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