A conquista do primeiro doblete após sete anos, aliada aos 174 gols marcados em 60 jogos na temporada 2024-25, sinalizam de forma clara e evidente o quão bem-sucedido foi o ano de estreia de Hansi Flick à frente do Barcelona.
Por essa razão, as expectativas em torno do Barça na segunda temporada de Hansi Flick no clube catalão aumentaram ainda mais apesar da agitada movimentação do Real Madrid no mercado, ao mesmo tempo que o Barcelona só apresentou o goleiro Joan García e o atacante Marcus Rashford — via empréstimo — como reforços, e ainda viu o zagueiro Iñigo Martínez se despedir de maneira inusitada ao transferir-se ao Al-Nassr.
Deste modo, contando basicamente com a mesma equipe da última temporada, a sensação é a de que nada mudou no Barcelona, com exceção ao estádio considerando que os blaugranas voltaram a jogar no Camp Nou após longos dois anos atuando em Montjuic. De resto, o cenário é bastante similar mediante a liderança da LaLiga com 47 tentos em 16 jogos, o que os mantêm com o melhor ataque do campeonato, além dos 16 gols assinalados depois do desfecho da 6ª rodada da Champions League.
À vista disso, é inegável o poderio ofensivo continua sendo o principal equilíbrio da balança do Barcelona, cujo ponto negativo também é o mesmo da temporada anterior, ou seja: a fragilidade defensiva do time. Para se ter uma ideia, os comandados de Hansi Flick já foram vazados o montante de 31 vezes em 22 jogos disputados até o momento, o que equivale a uma elevada média de 1,41 gol sofrido por partida.

Portanto, a realidade é que o Barcelona precisa balançar as redes pelo menos duas vezes por jogo para ganhar, algo que torna impossível colocá-lo entre os favoritos ao título da Champions League, ainda que os catalães tenham vencido tanto a LaLiga quanto a Copa do Rei registrando um índice de 1,20 gol sofrido em todas as competições da temporada passada. Aliás, a própria queda por 7 a 6 nas semifinais da última edição torneio continental — na soma dos placares —, diante da Inter de Milão, retrata isso perfeitamente.
Ademais, outro aspecto que vem preocupando os torcedores barcelonistas é o fato do Barcelona sair em desvantagem no marcador, um panorama cada vez mais comum aos atuais campeões espanhóis, que viram os adversários abrirem a contagem nas últimas quatro aparições. Inclusive, na mais recente delas, os gols de cabeça de Jules Koundé, ambos no segundo tempo, renderam o triunfo por 2 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt.
Pois é, e vale ressaltar que essa já foi a SÉTIMA virada do Barcelona na temporada, quer dizer, um detalhe que talvez explique a tímida reação de Jules Koundé ao fazer os gols sobre os alemães — que pareceram repetições — num curto espaço de três minutos, afinal reviravoltas estão se tornando frequentes aos blaugranas, donos da 9ª pior defesa da Champions League, com 11 gols sofridos, e da 12ª da LaLiga, com 20.
KOUNDE TWO GOALS IN THREE MINUTES!
— ESPN FC (@ESPNFC) December 9, 2025
ASSISTS FOR RASHFORD AND LAMINE! pic.twitter.com/0GliGg5kOC
Em todo o caso, é óbvio que não é sempre que o ataque do Barcelona poderá “salvar” a defesa, a julgar pela derrota por 3 a 0 frente o Chelsea no Stamford Bridge, ou pelo empate em 3 a 3 com o Club Brugge, nos jogos realizados antes da partida contra o Eintracht Frankfurt pela Champions League, que também tem como exemplo o revés por 2 a 1 ante o PSG, ainda pela 2ª rodada da competição, na qual os catalães sofreram a virada em pleno Montjuic.
Em outras palavras, a campanha na Champions League demonstra que as dificuldades dos catalães realmente aumentam no torneio em que o nível técnico dos adversários é superior em comparação aos oponentes da LaLiga, onde o Barcelona é capaz de sair de campo com os três pontos mesmo depois de sofrer três gols, vide a recente visita à Andaluzia, marcada pela vitória por 5 a 3 sobre o Betis.

Logo, o excessivo número de gols sofridos e o fato de ser vazado primeiro nas partidas, são os problemas que, caso não resolvidos no decorrer da temporada, custarão ao Barcelona a perda do título europeu, já que nenhum clube é campeão da Champions League tendo uma defesa tão vulnerável, por mais que culturalmente o Barça prefira vencer por 5 a 4 do que por 1 a 0, conforme dito pelo eterno ídolo Johan Cruyff. Por sinal, essa é uma condição que vem sustentando o sucesso de Hansi Flick ao longo destes 18 meses na Catalunha.
Não à toa, o título espanhol conquistado por Hansi Flick cativou muito mais os barcelonistas do que o ganho anteriormente com Xavi Hernández, no qual o Barcelona fez 70 gols e sofreu somente 20 no decorrer das 38 rodadas da LaLiga, que no final das contas ficou conhecida como “A Liga do 1 a 0” devido as diversas vitórias obtidas por intermédio do placar mínimo. Sob a liderança do treinador alemão, os blaugranas levaram quase o dobro de gols (39), porém ultrapassaram a barreira dos cem marcados (102).
Seja como for, a liderança da LaLiga com quatro pontos de vantagem sobre o Real Madrid dá tranquilidade ao Barcelona, em especial porque os Merengues chegaram a abrir cinco de distância após a vitória por 2 a 1 no El Clásico. Entretanto, como a Champions League é a prioridade pelos lados da Catalunha, Hansi Flick precisará ajustar o sistema defensivo, ou então tudo que já se apresenta tão igual na temporada será efetivamente confirmado em meados de junho.
Não que um segundo doblete seguido seja ruim, mas para quem almeja a Champions League o dilema é o mesmo do início da temporada: é preciso melhorar — e muito — defensivamente.