Ruben Amorim já faz parte do passado ao Manchester United — mas e o futuro?

A última e bombástica entrevista coletiva concedida por Ruben Amorim após o empate em 1 a 1 com o Leeds, deixou evidente que o treinador português estava em rota de colisão junto a diretoria do Manchester United, o que se confirmou através da sua demissão na manhã desta segunda-feira (05).

Na realidade, diversas eram as notícias dando conta de que a relação envolvendo Ruben Amorim e a cúpula diretiva do Manchester United era pra lá de tensa, algo que se constatou mediante as palavras do ex-técnico do Sporting ao afirmar que não era apenas o treinador dos Red Devils mas sim o manager, ainda citando Thomas Tuchel, Antonio Conte e José Mourinho como exemplos.

Como resultado, Ruben Amorim sentiu da pior maneira possível o impacto do verdadeiro desabafo que fez no Elland Road, ao ser demitido menos de 24 horas depois. Vale ressaltar que as divergências com o Manchester United tiveram início antes da temporada começar porque o clube não contratou outros reforços solicitados por ele, além de Matheus Cunha, Bryan Mbeumo, Benjamin Sesko, Senne Lammens e Diego León, que juntos custaram o montante de 250 milhões de euros.

À vista disso, Ruben Amorim se despediu do Old Trafford de forma melancólica após 14 meses. Foram 63 partidas, 24 vitórias, 18 empates, 21 derrotas, 103 gols marcados, 95 sofridos, 47,6% de aproveitamento, além da pior campanha da história do Manchester United na Premier League, sob o comando do DÉCIMO treinador do clube na era pós-Alex Ferguson, que se aposentou em 2013.

Contratado junto ao Sporting CP em novembro de 2024, Ruben Amorim desembarcou em solo inglês trazendo consigo perspectivas de um futuro próspero pelos lados do Old Trafford, em função da gloriosa trajetória pelo Sporting. Ao contratá-lo, o Manchester United se espelhava no Arsenal ao apostar as suas fichas na contratação de Mikel Arteta, dado o sucesso alcançado pelo ex-auxiliar de Pep Guardiola na transformação do clube londrino, apesar da escassez de títulos.

No entanto, Ruben Amorim jamais convenceu à frente do Manchester United, muito pelo contrário, a sua passagem pelo clube foi decepcionante do início ao fim, especialmente por conta da insistência na manutenção do esquema usado nos tempos de Sporting, o 3-4-2-1, mesmo tendo peças com perfis incompatíveis em mãos, o que foi fruto da inflexibilidade do treinador de 40 anos de idade, ainda que ele tenha informado que nem o Papa o convenceria a mudar o sistema de jogo no momento da sua contratação.

Além de aspectos táticos e técnicos, que resultaram na queda de rendimento dos jogadores, Ruben Amorim também não foi capaz de motivá-los através da poderosa oratória, uma das suas principais armas em Alvalade, considerando seu enorme carisma e confiança. Pois é, tudo sucumbiu no norte da Inglaterra, onde ele chegou a chamar seu time de um dos piores do Manchester United até hoje, enquanto o pouquíssimo aproveitamento de jovens da base, como foi o caso de Kobbie Mainoo, também colaborou para a perda de moral com a torcida e a opinião pública.

Consequentemente, nos dois terços daq temporada anterior em que Ruben Amorim dirigiu o Manchester United, os Red Devils despencaram na tabela da Premier League, a exemplo do 15º lugar. Ainda assim, essa pífia campanha poderia ser salva por intermédio da Europa League, mas a derrota pelo placar mínimo frente o Tottenham numa das decisões mais modorrentas de todos os tempos do torneio continental acabou causando o efeito reverso.

De qualquer maneira, o homem forte do futebol do Manchester United, Jim Ratcliffe, assegurou a permanência de Ruben Amorim, dizendo que ele precisaria de três anos para ser verdadeiramente avaliado. De acordo com o magnata inglês, o sucessor de Erik ten Hag havia herdado um plantel mal estruturado. Por isso, a expectativa era que a equipe evoluísse em campo nessa temporada, sobretudo com a oportunidade de ter um calendário mais tranquilo, isento de competições internacionais.

Todavia, apesar da leve melhora representada pela 6ª posição da Premier League ao término do primeiro turno do campeonato, o Manchester United demitiu Ruben Amorim logo após o primeiro compromisso do ano, em razão da situação insustentável entre treinador e diretoria. Segundo apuramos, o ponto limite da relação deu-se depois do empate em 1 a 1 com o lanterna Wolverhampton em pleno Old Trafford, quando os Red Devils entraram em campo armados no 3-4-2-1, apesar do triunfo por 2 a 0 no jogo anterior contra o Newcastle no 4-2-3-1, usado pela primeira vez sob a liderança do português.

À vista disso, o diretor de futebol, Jason Wilcox, teria se reuniu com Ruben Amorim para debater exatamente a intransigência do treinador no que diz respeito a formação tática, e isso teria o incomodado a ponto dele jogar tudo no ventilador depois do empate diante do Leeds, enfatizando que era o manager do Manchester United, ou seja, que não aceitaria interferências no trabalho.

Portanto, a saída de Ruben Amorim era questão de tempo, até porque ele não tinha a torcida, os resultados, e tampouco a torcida a seu favor. Então, ao romper o último dos pilares que o sustentava no cargo, a queda foi inevitável. Resta saber agora, qual será a ação do Manchester United, isto é, contratar um treinador visando o longo prazo em mais um novo projeto esportivo que será planejado, ou optar pela vinda de um interino até o final da temporada.

A segunda alternativa se mostra mais plausível neste instante, tento em vista que o nome de Darren Fletcher — ex-jogador do Manchester United ao longo da gloriosa passagem de Alex Ferguson — aparece como principal candidato para ocupar o antigo posto de Ruben Amorim, ao passo que Michael Carrick — companheiro de meio-campo do próprio escocês naquela ocasião — também surgiu como possível opção.

Seja como for, a única certeza é que a caminhada trilhada pelo Manchester United desde o adeus de Alex Ferguson continua longa, dura e sem rumo!

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