A impactante chegada de Endrick já coloca o Lyon na rota da Champions League

O hat-trick de Endrick na acachapante goleada por 5 a 2 do Lyon sobre o Metz na rodada passada da Ligue 1, já seria suficiente para exemplificar porque a esperança voltou a reinar pelos lados da Auvérnia-Ródano-Alpes após a chegada do renegado atacante madridista.

No entanto, se os mais críticos acham que os três gols contra o lanterna da Ligue 1 ainda não servem como parâmetro, certamente os quatro tentos marcados, somados a uma assistência concedida, nas três partidas disputadas por Endrick desde que desembarcou em solo francês para defender as cores do Lyon, retratam de forma clara o enorme impacto causado pela chegada do camisa 9.

Diante deste cenário, também fica fácil compreender porque Endrick errou ao não procupar um empréstimo antes do início da temporada, quando Xabi Alonso, durante a participação do Real Madrid na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, já dava sinais de que ele seria apenas a terceira opção do ataque madridista, estando atrás de Kylian Mbappé e Gonzalo García, por mais que na ocasião o jovem jogador de 19 anos estivesse fora de combate se recuperando de uma lesão.

Em todo o caso, embora maduro para a idade, Endrick não teria capacidade suficiente para entender que ainda não tinha tamanho para substituir Kylian Mbappé no sonho chamado Real Madrid, o que significa que o seu staff é o principal responsável pela escassez de jogos na primeira metade da temporada que o obrigará a encarar uma caminhada mais longa para garantir uma vaga entre os 26 nomes que vestirão a camisa da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.

Ao mesmo tempo, apesar do recorte muito curto e momentâneo, até a mídia espanhola já reconhece o equívoco cometido por Xabi Alonso ao descartar Endrick através deste empréstimo aos Les Gones, sobretudo porque no próprio Lyon ele vem provando que tem totais condições de atuar aberto pelo lado direito do ataque — onde jogava Franco Mastantuonno, por exemplo —, e não única e exclusivamente centralizado como referência.

Consequentemente, essa mudança de ares trouxe a Endrick a alegria e a condição de voltar a jogar, a ponto de torná-lo uma peça fundamental no ataque do Lyon, que vinha encontrando inúmeras dificuldades em balançar as redes. A imagem dele erguendo a bola depois do triunfo diante do Metz como se fosse um prêmio, e a levando pra casa com a assinatura dos demais companheiros, comprovam o quão assertivo foi este movimento.

Vale ressaltar que são poucos os jovens atletas que saem do Brasil ou da América do Sul diretamente para os grandes clubes europeus e, logo de cara, conseguem o estrelato. Não, a porta de entrada geralmente se dá por intermédio do brilho em ligas ou em clubes medianos para que, em seguida, venha o salto maior. Foi assim com Romário, Ronaldo, Casemiro, Raphinha e tantos outros.

Ademais, até os moldes do empréstimo favoreceram Endrick, já que o valor sobe caso ele não jogue e sai sem custos com ele em campo. Portanto, é fato que o Lyon só gastará mesmo com salários, a julgar pela titularidade do jogador recém-contratado junto ao Real Madrid, que vem formando uma dupla de frente com o outro novato Khalis Merah, tendo enorme liberdade para se movimentar, seja atacando os espaços pelo lado, seja chegando com força pelo meio.

À vista disso, méritos tanto ao Lyon quanto ao técnico Paulo Fonseca, que passaram a colher rapidamente os frutos do empréstimo de Endrick, haja vista as três vitórias conquistadas nos três jogos em que ele esteve em ação, sendo uma frente o Lille pelas oitavas-de-final da Copa da França — com direito a um gol decisivo —, e outras duas pela Ligue 1, ambas determinantes para a entrada dos lioneses no G-4 do campeonato.

E o efeito pra lá de positivo e imediato de Endrick no Lyon não se sustenta apenas através dos gols ou da assistência dada na vitória sobre o Brest, mas principalmente pela constante movimentação, dribles, tabelas e arremates do atacante brasileiro ao cortar a bola da direita para dentro e finalizar quase sempre de maneira perigosa com o pé esquerdo. Não à toa, bastaram míseros 251′ minutos para ele se transformar no grande protagonista do time de Paulo Fonseca, a exemplo do pênalti cobrado no final da partida ante o Metz, no qual o placar já estava 4 a 2.

Obviamente, as características de Endrick contribuíram para que este encaixe ocorresse de modo tão rápido e natural. Em contrapartida, também é fundamental salientar que o Lyon foi a equipe que mais criou oportunidades de gols entre os meses de novembro e dezembro na Ligue 1, superando até o PSG neste quesito. Logo, fica evidente que o principal problema da equipe estava no pífio aproveitamento de Martín Satriano em não converter as chances.

De qualquer maneira, como não poderia deixar de ser a convocação de Endrick para a Seleção Brasileira passou a ser unânimidade depois da sua ida ao Lyon, especialmente porque ele necessitava exatamente de atuações sólidas e consistentes para recuperar o espaço perdido no plantel do Brasil ao figurar tanto tempo entre os reservas do Real Madrid. Ou seja, uma reviravolta que vem se confirmando neste impactante início pelos Les Gones.

Isto posto, as oito vitórias consecutivas do Lyon — um feito que não se repetia há 20 anos, isto é, desde o início do auge da dinastia na França sob o comando de Gérard Houllier —, aliadas ao triunfal cartão de visitas apresentado por Endrick, mudaram completamente as previsões pessimistas do início da temporada cuja classificação à Champions League passou a ser plausível.

Por essas e outras, em somente três semanas com Endrick a torcida do Lyon já não quer imaginar como será o período sem ele daqui a cinco meses, uma separação que promete ser ainda mais cruel se a volta olímpica for dada na Copa da França ou na Europa League.

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