A pesada derrota por 3 a 0 para a Juventus já sinalizava que o pior estava por vir ao Napoli na rodada final da fase de liga Champions League, tendo em vista que a queda em Turim deixou os napolitanos a NOVE pontos de distância da líder, Inter de Milão, na classificação da Serie A.
À vista disso, a sensação é a de que a briga pelo Scudetto já não é mais realidade ao Napoli, cujo principal objetivo é assegurar a atual quarta colocação na Serie A. Ainda assim, uma duríssima missão considerando tanto a curta diferença de dois pontos do sexto colocado Como, quanto aos problemas que assolam os Azzurri, que ficaram escancarados no revés por 3 a 2 diante do Chelsea em pleno estádio Diego Maradona.
A propósito, é importante destacar que o Napoli adentrou a última rodada da fase de liga da Champions League necessitando de uma vitória sobre o Chelsea para avançar aos playoffs de repescagem, uma difícil condição oriunda da pífia campanha dos comandados de Antonio Conte no torneio continental. E para piorar a situação, os ingleses também precisavam dos três pontos para que a vaga nas oitavas-de-final fosse assegurada de maneira direta.
Pois é, e a precoce despedida do Napoli na Champions League começou a partir dos 19 minutos de partida, quando Enzo Fernández, de pênalti, abriu o placar a favor do Chelsea após o zagueiro Juan Jesus tocar a bola com a mão dentro da área numa cobrança de falta. Consequentemente, os atuais campeões italianos enfrentaram ainda mais obstáculos para escalar a montanha que já se apresentava íngrime em meio a série de desfalques por conta de lesões.

Muitas vezes as contusões são usadas como muleta para justificar más atuações ou a fase irregular de uma equipe, mas seria uma cegueira não enxergar que elas estão comprometendo totalmente a temporada do Napoli. Para se ter uma ideia, nada menos do que oito jogadores não estiveram em ação contra o Chelsea em virtude de lesões, dentre eles, Vanja Milinkovic-Savic, Amir Rrahmani, Billy Gilmour, Franck Anguissa, Matteo Politano, Kevin De Bruyne e David Neres.
Diante deste cenário, é compreensível a queda de rendimento do Napoli, sobretudo se levarmos em conta o estilo de jogo pra lá de intenso de Antonio Conte, no qual suas equipes costumam superar a velocidade total de 200 quilômetros percorridos nas partidas. Ou seja, a rotação é sempre elevada, o que explica porque Scott McTominay, que veio da Premier League onde o ritmo é este, encaixou tão rapidamente na engrenagem napolitana.
Por outro lado, outros questionamentos surgiram em torno das escolhas de Antonio Conte, como por exemplo: não seria o ideal ele mudar a abordagem de jogo do Napoli projetanto toda a temporada que, desta vez, tinha a Champions League no tabuleiro? Quer dizer, uma dúvida que faz total sentido visto que ao longo da caminhada rumo ao Scudetto na edição anterior da Serie A, os Azzurri tinham apenas competições de âmbito nacional para disputar, algo que não exigia tanto da parte física dos atletas.
Seja como for, na tentativa de resolver os problemas físicos do elenco a diretoria do Napoli foi ao mercado neste início de ano. Todavia, para não infringir as regras do Fair Play Financeiro o clube precisou negociar algumas peças antes de trazer outras novas. Com isso, Lorenzo Lucca e Noa Lang deixaram a capital da Campânia, enquanto o recém-contratado Giovane só estaria disponível na Champions League se os italianos chegassem aos play-offs. Ao mesmo tempo, a saída de Ruben Amorim do Manchester United inviabilizou a chegada de Kobbie Mainoo via empréstimo.
Como resultado, restou a Antonio Conte depositar todas as suas fichas na hostil atmosfera do estádio Diego Maradona na partida frente o Chelsea que, embora tenha terminado com o triunfo dos londrinos por 3 a 2 graças a inspirada atuação de João Pedro, acabou favorecendo o Napoli, a julgar pela virada dada ainda no primeiro tempo, o que significa que o estrago teria sido maior sem a ajuda do décimo segundo jogador em campo: a torcida.
⏹️ Full time: #NapoliChelsea 2-3
— Official SSC Napoli (@sscnapoli) January 28, 2026
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De qualquer maneira, a eliminação do Napoli ainda na fase de liga da Champions League em razão do 30º lugar da tabela com míseros 8 de 24 possíveis pontos conquistados, novamente fez Antonio Conte fracassar na competição em que ele registra apenas 17 vitórias em 50 jogos disputados, tendo como a campanha mais bem sucedida até hoje ter chegado nas quartas-de-final da temporada 2012/13 com a Juventus, isto é, o mesmo estágio da melhor participação dos Azzurri há três anos.
Em todo o caso, aos que quiserem visualizar o copo cheio o Napoli terá somente a Serie A e a Coppa Italia pela frente neste segundo semestre da temporada, o que lhe dará semanas livres para os napolitanos recuperarem fisicamente os jogadores, além de um maior período maior de treinamentos para Antonio Conte ajustar problemas como a escassez de gols do setor ofensivo que, desde a temporada passada marcada pela conquista do quarto Scudetto, é dono do sexto melhor ataque da Serie A, ainda que com as vindas de Kevin De Bruyne e Rasmus Hojlund.
Em contrapartida, o mais racional é o Napoli usar a dolorosa desclassificação na Champions League como aprendizado para que os mesmos erros não se repitam de novo futuramente, a exemplo do cartão vermelho recebido por Giovanni Di Lorenzo, aos 20 minutos da etapa inicial do jogo contra o Manchester City no Etihad Stadium, justamente o capitão que não foi expulso nenhuma vez na última temporada, ou na desastrosa goleada por 6 a 2 sofrida diante do PSV Eindhoven, bem como na cautelosa apresentação sem gols frente o Eintracht Franfurt, seguido de outro empate ante o também eliminado Copenhague.
Em resumo, os cartões vermelhos, as penalidades infantis, as lesões, a fragilidade ofensiva com Giacomo Raspadori e Giovanni Simeone como opões no ataque, além da não reposição à altura de Khvicha Kvaratskhelia mediante as contratações de Noah Lang e Lorenzo Lucca que já saíram do clube, completam o combo que culminou no adeus do Napoli na Champions League, por uma campanha pior em relação ao Bodo/Glimt, Qarabag, Club Brugge, Olympiacos e ao Eintracht Frankfurt, oitavo colocado da Bundesliga.