O Manchester City deixou de assustar quando visto do retrovisor

Se existe um pesadelo na vida de Pep Guardiola e do Manchester City, ele responde pelo nome de Tottenham, a julgar pelas quatro vitórias dos Citizens nos últimos doze compromissos frente o clube do norte de Londres desde a temporada 2021-22.

Pois é, e o fantasma Tottenham voltou a assombrar o Manchester City pela segunda vez na temporada, já que depois de perderem dos Spurs por 2 a 0 no primeiro turno da Premier League, os comandados de Pep Guardiola apenas empataram no Etihad Stadium, obtendo assim, um mísero ponto dentre os seis possíveis em disputa. Ou seja, um desempenho inferior em comparação a uma vitória conquistada na edição anterior do campeonato.

Diante deste cenário, fica evidente que o Manchester City encontra enormes dificuldades quando enfrenta o Tottenham, independentemente do momento ou da fase do adversário, a exemplo dos 26% de aproveitamento dos Citizens nos cinco confrontos da temporada anterior, lembrando que naquela oportunidade eles foram eliminados pelos londrinos nas oitavas-de-final da Copa da Liga.

Da mesma maneira, isso revela o quão está sendo complicado ao Manchester City encarar oponentes que atuam compactados na defesa e exploram os contra-ataques através de rápidas transições, vide as recentes derrotas do City tanto para o Manchester United quanto para o Bodo/Glimt, além deste último empate em 2 a 2 com o Tottenham, que mesmo tendo 12 jogadores lesionados e sair ao intervalo perdendo por uma desvantagem de dois gols, voltou à capital inglesa com um ponto na bagagem.

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Por essa razão, ver o Manchester City pelo retrovisor deixou de ser algo preocupante ao líder absoluto da Premier League, Arsenal, que ao golear o Leeds United por 4 a 0, abriu mais uma vez a confortável diferença de seis pontos em relação aos Citizens após o desfecho da 24ª rodada. Ao mesmo tempo, os questionamentos em relação ao trabalho de Pep Guardiola só aumentam pelos lados do Etihad Stadium.

Na realidade, a queda de rendimento do Manchester City teve início na última temporada em que o time jamais esteve próximo de brigar pelo quinto título inglês consecutivo, tanto é que terminou a Premier League na terceira colocação da tabela separado a 13 pontos do campeão Liverpool, e a outros três do vice, Arsenal. Ainda assim, a grave lesão sofrida por Rodri, somada a não renovação do envelhecido elenco do City, foram apontados como os principais causadores do declínio em campo.

Como resultado, com o erro de planejamento cometido, Pep Guardiola precisou “recalcular a rota” no meio da temporada 2024-25 trazendo nada menos do que quatro reforços que, juntos, custaram o montante de 218 milhões de euros. Contudo, com o pouco tempo de adaptação ao novo clube e ao complexo sistema de jogo do treinador espanhol, a torcida do Manchester City compreendeu que o desempenho aquém das expectativas era decorrente deste processo de reconstrução.

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Em contrapartida, na atual temporada a situação é diferente pois mesmo com a chegadas de outras novas peças, era esperado que o Manchester City estivesse num estágio mais elevado a ponto de competir de forma direta com o Arsenal pelo título inglês. Inclusive, chama a atenção a fragilidade do City em tentar impor seu jogo e controlar o ritmo das partidas, o que deve-se a grande mudança pela qual a Premier League passou ao se tornar uma liga extremamente física e de rotação acelerada.

Vale ressaltar que o maior obstáculo encontrado pelo Manchester City é ganhar a segunda bola, pois ao ganharem a disputa após lançamentos os adversários encontram os Citizens bastante vulneráveis defensivamente, haja vista o empate com o Tottenham. No primeiro tempo, Abdukodir Khusanov e Rodri até conseguiram parar alguns contra-ataques, o que não se repetiu na etapa final com as pernas pesadas e o maior desgaste físico. Por sinal, uma condição que também os assolou em Old Trafford no Manchester Derby.

Seja como for, se o Manchester City não está sendo capaz de assumir o controle dos jogos seria essencial que os atacantes fossem mais decisivos e aproveitassem as chances que surgem durante as partidas, algo que Erling Haaland, por exemplo, vem falhando nesta temporada, embora seja o artilheiro do City no período com 27 gols em 34 aparições, e da própria Premier League com 20 tentos assinalados. Acontece, que estes números poderiam ser muito maiores.

É óbvio que qualquer processo de reconstrução demanda tempo e o Manchester City ainda está no meio de um com Pep Guardiola liderando o segundo início de ciclo dentro de um mesmo clube na carreira pela primeira vez. Logo, os problemas do City são entendíveis ainda que com a vinda de reforços acima da média — haja vista a qualidade do goleiro Gianluigi Donnarumma, a velocidade do zagueiro Abdukodir Khusanov, a técnica de Rayan Cherki ou a capacidade explosiva de Omar Marmoush e Antoine Semenyo.

No entanto, quase nenhum dos jogadores recém-contratados pelo Manchester City se destacam pela força física. Com exceção a Nico González, esta nunca foi uma característica de Tijjani Reijnders, e tampouco é um atributo marcante de Omar Marmoush, Savinho, Rayan Cherki ou Rayan Ait-Nouri. Consequentemente, o fluido meio-campo com Rodri, Bernardo Silva e Nico O’Reilly vem sofrendo tanto no que diz respeito à combatividade.

Deste modo, o objetivo primordial de Pep Guardiola é elevar o potencial físico dos jovens talentos que ele tem à disposição, a fim de torná-los capazes de manter o Manchester City no topo por longos anos, isto é, uma condição que ainda inexiste na temporada que se apresenta livre ao Arsenal.

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