Toda a expectativa criada em torno da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 transformou-se em frustração após o empate frente o Marrocos. Antes da bola rolar, a torcida tupiniquim acreditava que a chegada de Carlo Ancelotti poderia representar uma mudança significativa no desempenho da equipe. No entanto, os 90 minutos disputados em New Jersey mostraram um Brasil ainda sem identidade coletiva e longe de apresentar um futebol compatível com o peso de sua camisa. O resultado de 1 a 1 acabou sendo recebido com alívio por muitos torcedores, diante das dificuldades encontradas ao longo da partida.
Aliás, se houve uma seleção que deixou o gramado com a sensação de que poderia ter conquistado a vitória, essa equipe foi Marrocos, que demonstrou organização, intensidade e maturidade tática durante boa parte do confronto. A atuação confirmou que a histórica campanha na Copa do Mundo de 2022, quando alcançou as semifinais do torneio, esteve longe de ser uma simples surpresa. O trabalho desenvolvido nos últimos anos continua rendendo frutos e consolidando os africanos como uma força cada vez mais respeitada no cenário internacional.
Além da campanha realizada no Catar, os marroquinos também chegaram embalados pelos bons resultados recentes em outras competições. A conquista do vice-campeonato da Copa das Nações Africanas reforçou a competitividade de Marrocos. O técnico Mohamed Ouahbi conseguiu preservar a base responsável pelos principais resultados do país neste período recente e ainda passou a integrar jovens talentos oriundos da geração campeã mundial sub-20 sob o seu comando no ano passado. Essa combinação entre experiência e juventude tem tornado o Leão de Atlas cada vez mais perigoso.
Entre os destaques individuais, o meio-campista Ayyoub Bouaddi foi, para muitos, o melhor jogador em campo. O atleta do Lille dominou o setor central com personalidade, distribuindo passes, recuperando bolas e participando das principais ações ofensivas de Marrocos. Também merecem destaque Ismael Saibari, autor do gol marroquino aos 21 minutos da etapa inicial, além de Azzedine Ounahi, que voltou a mostrar a qualidade técnica que o tornou conhecido internacionalmente. Pelos lados do campo, Achraf Hakimi e Noussair Mazraoui deram profundidade e consistência durante a partida.
Empate entre Brasil e Marrocos, num jogo equilibrado, em que os marroquinos fizeram mais remates (14-13) e os brasileiros tiveram mais posse de bola (51%-49%) e mais expected goals pic.twitter.com/pMgD5Rh511
— Playmaker (@playmaker_PT) June 14, 2026
O mais impressionante é que Marrocos conseguiu apresentar um futebol competitivo mesmo convivendo com desfalques importantes. Sem contar com o ponta Abde Ezzalzouli e também sem o zagueiro Nayef Aguerd, a seleção africana manteve seu padrão de jogo e continuou criando dificuldades ao Brasil. Em vários momentos da partida, os marroquinos estiveram mais próximos de ampliar a vantagem do que propriamente sofrer o empate. Faltou apenas maior eficiência nas finalizações para que a estreia terminasse com três pontos importantes.
Do lado brasileiro, a atuação foi marcada por inúmeras decepções. Carlo Ancelotti voltou a insistir em um esquema que não vem apresentando resultados satisfatórios. A expectativa da torcida era de que o treinador italiano utilizasse sua vasta experiência para encontrar soluções alternativas e corrigir problemas evidentes do time. Entretanto, o que se viu foi a manutenção de uma estrutura tática que já vinha demonstrando fragilidades nos compromissos anteriores do Brasil.
O meio-campo formado por Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá mais uma vez apresentou dificuldades para controlar o jogo. Casemiro teve uma atuação especialmente abaixo do esperado, acumulando erros de posicionamento e dificuldades na marcação. Bruno Guimarães participou pouco da construção ofensiva, enquanto Paquetá encontrou enorme dificuldade para exercer sua função criativa. O resultado foi um setor incapaz de ditar a posse de bola e estabelecer superioridade diante dos marroquinos.
Outra escolha bastante questionada foi a utilização de Roger Ibañez improvisado na lateral direita. O defensor teve problemas tanto na marcação quanto no apoio ofensivo, deixando espaços importantes pelo setor. A decisão acabou comprometendo ainda mais o funcionamento coletivo da equipe. A sensação transmitida durante grande parte da partida era de improvisação e falta de planejamento, algo que preocupa considerando a importância do torneio e a qualidade dos adversários que virão pela frente.

No ataque, Igor Thiago desperdiçou duas oportunidades claras e voltou a decepcionar. O atacante do Brentford já não havia apresentado um bom rendimento no amistoso diante do Egito e repetiu os mesmos problemas na estreia mundialista. Em uma competição de tiro curto como a Copa do Mundo, chances desperdiçadas podem custar caro. A falta de eficiência ofensiva acabou aumentando ainda mais a pressão sobre um setor que já vinha sendo alvo de críticas antes mesmo do início da competição.
Raphinha também esteve entre os jogadores mais criticados após a partida em virtude da pouca participação nas ações ofensivas, marcada pela enorme dificuldade para criar situações de perigo. Sua permanência durante os 90 minutos gerou questionamentos entre torcedores e analistas. O desempenho individual abaixo da média acabou refletindo um problema maior: a inexistência de um jogo coletivo capaz de potencializar as principais características dos atletas brasileiros.
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Vinícius Júnior foi o Destaque Sofascore de Brasil 1-1 Marrocos!
⚽ 1 gol
🔑 2 passes decisivos
✅ 26/31 passes certos (84%)
↗️ 4/5 passe longo certo (80%!)
👊 2 faltas sofridas (!)
💯 Nota Sofascore 8.0 pic.twitter.com/nkGfPx5f7m
Se o Brasil conquistou um ponto, muito disso se deve ao talento individual de Vinícius Júnior. Em uma partida na qual a Seleção Brasileira encontrou enormes dificuldades para construir jogadas organizadas, foi justamente uma ação isolada do camisa 7 que resultou no gol de empate. O lance serviu para evitar uma derrota que, diante do que foi apresentado em campo, não seria injusta. Mais uma vez, o brilho individual compensou parcialmente as limitações coletivas por parte dos pentacampeões mundiais.
As alterações promovidas por Carlo Ancelotti no intervalo trouxeram alguma melhora. Fabinho entrou na vaga de Casemiro após o volante receber cartão amarelo e apresentar um rendimento muito abaixo do esperado. Danilo também substituiu o outro pendurado Roger Ibañez e conseguiu dar mais equilíbrio ao lado direito da defesa. No entanto, outras mudanças, como as entradas de Luiz Henrique, Danilo Santos e Matheus Cunha, tiveram impacto bastante limitado mediante a falta de organização coletiva da Seleção Brasileira.
Agora, o Brasil terá a obrigação de buscar uma vitória convincente diante do Haiti e posteriormente encarar a Escócia em uma partida que poderá definir os rumos da campanha na fase de grupos. A boa notícia é que os pupilos de Carlo Ancelotti passaram pelo adversário mais complicado da chave sem ser derrotado. A má notícia é que a impressão deixada por eles em campo foi extremamente preocupante.
Seja como for, ainda existe tempo para ajustes, mas a estreia mostrou que o caminho até o tão sonhado hexacampeonato parece muito mais distante da realidade do que muitos imaginavam ao Brasil antes do início da Copa de 2026.