Sessenta e sete dias, este foi o período que Diego Alonso permaneceu à frente do Sevilla, por incrível que pareça, uma passagem que pode ser considerada longa se analisarmos o currículo do treinador uruguaio.
Pois é, a demissão de Diego Alonso nada mais é do que uma tragédia anunciada, pois quem em sã consciência seria capaz de imaginar que o técnico de 48 anos de idade realizaria um trabalho minimamente convincente no Sevilla? Acredito que somente o diretor de futebol sevillista, Victor Orta, que tem total responsabilidade pela crítica fase do clube andaluz.
Assumir o comando de um time como o Sevilla, acostumado a trocar de treinador a cada crise vivida, já não é uma tarefa fácil nem para os profissionais mais experientes, então o que dirá a um sul-americano que jamais havia trabalhado na Europa, e que ao longo de sua trajetória só desenvolveu um trabalho meramente razoável no mercado do México.
Deste modo, a queda de Diego Alonso já era realmente prevista no dia de sua apresentação. Consequentemente, o segundo treinador demitido pelo Sevilla em um curto espaço de cinco meses entrou para as estatísticas como sendo mais um estrangeiro desde o argentino Helenio Herrera, entre 1953 e 1956, a não registrar nem ao menos 50% de taxa de vitórias no cargo – o uruguaio caprichou ao obter um índice de 14%.
ℹ️ Comunicado oficial: Diego Alonso deja de ser entrenador del #SevillaFC. #WeareSevilla
— Sevilla Fútbol Club (@SevillaFC) December 16, 2023
Vale ressaltar que o Sevilla iniciou esta temporada com o sucessor de Jorge Sampaoli, José Luis Mendilibar, à frente da equipe, obviamente devido a inusitada conquista da edição anterior da Europa League em meio ao caos que se instaurou na Andaluzia com os rojiblancos travando uma duríssima batalha contra o descenso na LaLiga.
No entanto, a sequência de maus resultados, somada ao futebol aquém das expectativas apresentado pelo Sevilla no início da atual temporada, culminou com a saída de José Luis Mendilibar que, por sua vez, se despediu do clube de forma melancólica ao empatar em 2 a 2 com o Rayo Vallecano no Ramón Sánchez Pizjuán, deixando os nervionenses na 16ª posição da LaLiga, separados a míseros dois pontos da zona da degola.
Contudo, a decepcionante performance de 2 vitórias, 2 empates e quatro derrotas do Sevilla sob a liderança de José Luis Mendilibar na LaLiga, piorou depois da chegada de Diego Alonso que, com o mesmo número de jogos, obteve 5 empates e três derrotas, isto é, os andaluzes não venceram nenhum compromisso com Alonso à beira do campo.

As duas únicas vitórias conquistadas pelo Sevilla nos 14 jogos sob a batuta de Diego Alonso, ocorreram ante adversários que disputam divisões não profissionais pela Copa do Rei.
À vista disso, o Sevilla caiu para a 17ª colocação na tabela da LaLiga, e só está no limite da zona do rebaixamento porque Celta, Granada e Almería realizam campanhas ainda piores, lembrando que os rojiblancos colecionam 2 vitórias, 7 empates e 7 derrotas em 16 partidas disputadas até aqui, obtendo 27% de aproveitamento através deste fraquíssimo desempenho.
Ademais, é importante salientar que o insucesso de Diego Alonso também resultou na eliminação do Sevilla na fase de grupos da Champions League. Todavia, o pior para os torcedores sevillistas foi ver que nesta temporada a sua equipe não disputará a Europa League por ter ficado na lanterna de sua chave com dois pontos conquistados. Logo, as chances de títulos do clube espanhol se limitaram a praticamente zero, ou apenas a Copa do Rei.
Deste modo, sem a “galinha dos ovos de ouro”, Europa League, para disputar, o Sevilla terá um calendário com menos jogos e sem viagens internacionais na segunda metade da temporada, podendo focar exclusivamente na luta para impedir o seu quinto rebaixamento na história, e o primeiro do século XXI.

A última vitória conquistada pelo Sevilla na LaLiga, deu-se em 26 de setembro, na goleada por 5 a 1 sobre o lanterna Almería. Portanto, já são exatos 83 dias sem vencer um jogo no campeonato.
Aliás, o treinador que terá a incumbência de conduzir o Sevilla rumo aos seus objetivos até o final da temporada responde pelo nome de Quique Sánchez Flores, que inclusive já estará em ação na partida de amanhã (19) contra o Granada, bem como na última do ano frente o Atlético de Madrid (23), ambas fora de seus domínios.
Dono de uma vasta experiência adquirida no decorrer da carreira de 20 anos como treinador, dentre os quais se incluem passagens por Valencia, Benfica, Atlético de Madrid, Watford, Espanhol e Getafe, Quique Sánchez Flores aceitou a hipótese de assinar um curto contrato de sete meses junto ao Sevilla justamente por confiar em seu trabalho, uma vez que este vínculo será prolongado caso ele atinja algumas metas estabelecidas pela diretoria.
Logo, por mais que, inicialmente, Quique Sánchez Flores tenha somente nove dias livres de treinamentos entre a pausa de fim de ano e a retomada da LaLiga, em 04 de janeiro, é inegável que a partir de sua chegada o cenário, antes obscuro, muda por completo pelos lados do Ramón Sánchez Pizjuán, o que significa que o Sevilla tem tudo para se livrar da segunda divisão e do rótulo de ser uma verdadeira máquina de triturar treinadores.