Em 2017, foi a Suécia. Quatro anos depois, a Macedônia do Norte. Desta vez, a carrasca atende pelo nome de Bósnia e Herzegovina, apenas a 71ª colocada no ranking mundial, responsável por eliminar a seleção italiana na repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Pois é, um novo golpe, mais um capítulo de um roteiro que parecia impensável há pouco mais de uma década. A Azzurra, tetracampeã mundial, agora acumula ausências que já não cabem mais na categoria de acidente. Trata-se de uma sequência que escancara uma transformação profunda. Um abismo de longos 12 anos sem disputar um Mundial. E quando olhamos esse cenário com frieza, a conclusão é inevitável: a Itália deixou de ser exceção e passou a ser ausência recorrente. É impressionante observar como a percepção mudou ao longo do tempo. A primeira ausência foi tratada como um acidente de percurso, algo fora da curva. A segunda…
Tottenham entrega o fututo a De Zerbi em meio ao risco de rebaixamento
A chegada de Roberto De Zerbi ao comando do Tottenham não representa apenas mais uma troca de treinador em uma temporada pra lá de turbulenta. Ela simboliza um grito de desespero de um clube que, há anos, parece caminhar sem direção, oscilando entre promessas de grandeza e quedas abruptas de realidade. Depois das passagens de Thomas Frank e Igor Tudor, os Spurs apostam agora em um técnico de ideias fortes, mas que chega pressionado por um cenário quase caótico. A missão não é reconstruir — é sobreviver. E sobreviver, neste momento, já parece ambicioso demais. A tabela da Premier League não perdoa narrativas, apenas resultados. E o Tottenham vive à beira de um colapso esportivo que pode se concretizar a qualquer rodada. Separado por apenas um ponto da zona de rebaixamento, o clube londrino entra em campo contra o Sunderland com mais do que três pontos em jogo — entra com sua própria dignidade. Há, inclusive, a possibilidade concreta de…
Sem Cristiano Ronaldo, Portugal expõe sua principal dependência no Azteca
Portugal deixou o Estádio Azteca com um empate sem gols diante do México, mas o resultado em si foi apenas um detalhe dentro de um contexto muito maior. O amistoso revelou mais do que números frios no placar, trouxe à tona uma sensação que paira sobre a seleção portuguesa há algum tempo: a importância de Cristiano Ronaldo. Pois é, a ausência de Cristiano Ronaldo escancarou uma lacuna que não é apenas técnica, mas também emocional e simbólica dentro da selecão portuguesa. Em um cenário de preparação para a Copa do Mundo, jogos como esse servem justamente para expor fragilidades ocultas. E Portugal, sem sua principal referência, mostrou dificuldades claras na construção ofensiva. Faltou presença de área, faltou imposição e, principalmente, faltou aquele jogador que muda a dinâmica de um jogo. O empate, portanto, foi mais diagnóstico do que resultado. Um retrato fiel de uma equipe ainda dependente de seu maior…
Real Madrid reencontra sua essência na hora mais improvável sob o comando de Arbeloa
O Real Madrid chega à última Data FIFA da temporada respirando um ar que há meses parecia rarefeito. Um ar de estabilidade, de confiança reconstruída, de um vestiário que volta a acreditar no próprio reflexo. Não é apenas uma sequência de vitórias que sustenta esse momento, mas algo mais intangível, mais profundo, quase invisível aos olhos mais apressados. É o sentimento de que, depois de um período de turbulência, o clube mais exigente do mundo voltou a encontrar algum tipo de eixo. E quando os Merengues encontram um eixo, ainda que provisório, o futebol europeu aprende a olhar novamente para Madrid com respeito — e, por vezes, com temor. Porque estabilidade, no universo madridista, nunca é apenas estabilidade. É sempre um prenúncio. Um sinal de que algo pode estar sendo construído, mesmo que em silêncio. Sob o comando de Álvaro Arbeloa, o clube vive hoje talvez o seu momento mais…
O Porto de Farioli: da reconstrução silenciosa à liderança absoluta
A história recente do Porto carrega o peso de uma transição que não é apenas administrativa, mas quase espiritual. Quando André Villas-Boas assumiu a presidência, sucedendo o lendário Jorge Nuno Pinto da Costa após quatro décadas de gestão, o clube entrou em um território desconhecido. Era como trocar o guardião de um império que parecia eterno. E, como toda mudança brusca, o primeiro impacto foi duro. Os Dragões perderam identidade, perderam rumo e, acima de tudo, perderam o controle sobre o próprio destino competitivo dentro de Portugal. A saída de Sérgio Conceição, ídolo incontestável e símbolo de uma era de intensidade, deixou um vazio que não se preenche apenas com nomes. As escolhas seguintes, Vítor Bruno e depois Martín Anselmi, não conseguiram dar sequência à exigência histórica do clube. O resultado foi um Porto distante de si mesmo, terminando apenas na terceira colocação da Liga Portugal. Mais do que a…
Wembley e o eco de um gigante que se recusa a cair
Quem poderia imaginar que, apenas quatro dias após uma eliminação dura e incontestável na Champions League, o Manchester City estaria levantando o primeiro troféu da temporada? A derrota para o Real Madrid, com um agregado pesado de 5 a 1, parecia ter exposto fragilidades profundas de um time em reconstrução, distante daquele modelo dominante que marcou época sob o comando de Pep Guardiola. Pois é, havia dúvidas, muitas dúvidas. Sobre o elenco, sobre a consistência, sobre a capacidade de resposta. E, acima de tudo, havia um adversário no caminho que simbolizava exatamente o oposto: estabilidade, evolução e autoridade. O Arsenal, líder absoluto da Premier League com nove pontos de vantagem sobre o próprio Manchester City, e dono da melhor campanha europeia até aqui, surgia como o favorito indiscutível na decisão da Copa da Liga. Mas o futebol, como tantas vezes nos ensina, não respeita previsões. O cenário em Wembley era…
A noite em que Alvalade ecoou Camões: a remontada histórica do Sporting na UCL
Há noites em que o futebol deixa de ser apenas jogo e se transforma em literatura viva. Em Lisboa, sob o céu carregado de expectativa e descrença, o Sporting Clube de Portugal escreveu um dos capítulos mais improváveis de sua história europeia. Após a duríssima derrota por 3 a 0 no Círculo Polar Ártico, diante do valente Bodo/Glimt, a lógica apontava para o adeus do Sporting na Champions League. Todavia, o futebol, como já nos ensinou Camões, é também feito de “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. E a última noite em Alvalade, mudou-se tudo, com o Sporting se mostrando aquele mesmo time que terminou a fase de liga na oitava posição, conquistando brilhantes vitórias sobre Paris Saint-Germain e Athletic Bilbao nas rodadas finais. A ida havia sido um golpe seco, quase fatal. O Sporting fora dominado, sufocado, surpreendido por uma equipe norueguesa que já não era mais novidade no…
Quando mais importa, o Paris Saint-Germain volta a ser imparável
A vitória do Paris Saint-Germain sobre o Chelsea por 3 a 0 em pleno Stamford Bridge não foi apenas mais um resultado expressivo em uma noite europeia. Ela representou, acima de tudo, um sinal claro de que a equipe comandada por Luiz Henrique começa a atingir o seu auge justamente no momento mais decisivo da temporada. Em um contexto de altos e baixos ao longo dos últimos meses, o PSG ressurge com autoridade, repetindo um padrão já visto na campanha anterior, quando cresceu na reta final e conquistou o inédito título da Champions League. Trata-se de um timing que pode novamente ser determinante. Ao longo da atual temporada, o Paris Saint-Germain apresentou lampejos evidentes de seu potencial máximo, ainda que não tenha conseguido sustentar esse nível com regularidade. A goleada por 7 a 2 sobre o Bayer Leverkusen, a vitória de virada sobre o Barcelona fora de casa e o…
Um ano depois do título: o Newcastle evoluiu ou o projeto saudita perdeu força?
Há exatamente um ano os Magpies viviam um dos momentos mais marcantes de sua história recente. A conquista da Copa da Liga Inglesa representou muito mais do que um simples troféu em uma competição considerada secundária no calendário do futebol inglês. Para os torcedores, aquele título simbolizou o fim de uma espera que já durava sete décadas. Setenta anos sem levantar uma taça oficial criaram uma ferida histórica no clube e na cidade. Por isso, quando o troféu finalmente chegou, o sentimento foi de libertação coletiva. Era a confirmação de que o Newcastle, agora sob nova gestão, havia voltado a acreditar em dias maiores. O título também serviu como um marco dentro do novo ciclo iniciado após a compra do Newcastle pelo fundo de investimentos da Arábia Saudita, há quatro anos e meio. Desde então, o clube passou por uma transformação estrutural importante, deixando de lutar contra o rebaixamento para…
Humilhação em Madrid aprofunda ainda mais a crise do Tottenham
A derrota por 5 a 2 para o Atlético de Madrid no Metropolitano, no jogo de ida das oitavas-de-final da Champions League, foi apenas mais um capítulo da temporada caótica do Tottenham. Um resultado pesado, mas que, curiosamente, já não causa espanto ao clube que parece ter se acostumado ao desastre. O que antes seria considerado um vexame histórico hoje soa quase como rotina. E talvez esse seja o maior sintoma da crise: os Spurs perderam a capacidade de surpreender negativamente, porque a expectativa já é sempre a pior possível. O mais preocupante é que a goleada por 5 a 2 chegou a soar até generosa diante do que foi o jogo no estádio Metropolitano. Os comandados de Igor Tudor retornaram da capital espanhola com a sensação de que o estrago poderia ter sido ainda pior. E não seria exagero. Afinal, o Atlético de Madrid praticamente resolveu a partida em…
Milan vence o Derby della Madonnina e mantém viva a disputa pelo Scudetto
O Derby della Madonnina do último final de semana, válido pela 28ª rodada da Serie A, carregava um peso que ia muito além de um simples clássico da cidade de Milão. Em jogo estava não apenas a rivalidade histórica entre Milan e Inter, mas também o futuro da disputa pelo Scudetto nesta temporada. Os Nerazzurri adentraram ao San Siro com uma confortável vantagem de dez pontos na liderança da tabela. Para os Rossoneri, portanto, o cenário era claro: apenas a vitória manteria viva qualquer esperança de briga pelo título. Uma derrota ampliaria a diferença para treze pontos a apenas dez rodadas do fim. Até mesmo o empate manteria o abismo praticamente intransponível. Deste modo, tratava-se de uma decisão antecipada. Diante disso, o Milan entrou em campo pressionado, consciente de que precisava de uma atuação praticamente perfeita. E apesar da partida aquém das expectativas, os pupilos de Massimiliano Allegri superaram seu…